Eu, hoje, à tarde, no celular, pro meu contador, desesperada porque não tinha feito o imposto de renda ainda:
- Cara, só quero te fazer uma pergunta - disse, resignada, mega sem graça, sem coragem de pedir ajuda àquela altura, só querendo perguntar se podia tentar meter uma declaração de "isento" pra retificar depois, já que não havia qualquer possibilidade de eu conseguir reunir os documentos todos e fazer as contas direito a tempo de pegar o prazo da Receita.
- Eu já fiz seu imposto de renda de Pessoa Física. E o de Pessoa Jurídica também. Depois, se precisar, a gente retifica.
- Hein?
- Já fiz, ué. Te conheço, sabia que cê ia acabar me ligando hoje, no último dia, lá pelas cinco da tarde. Resolvi me adiantar logo.
Na boa, quase fui às lágrimas.
Ah, sim, o bichinho errou feio: eram só quatro e vinte da tarde.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Ah, sim
Tô num bolão da MegaSena acumulada de 36 milhão. Portanto, se eu sumir amanhã, é porque a gente ganhou, e eu me mandei pra algum lugar distante do Largo do Machado pra relaxar e recompor a alma depois de um início de semana absurdo.
Não, minto. Bolsa roubada, sem documento, sem cartão de débito e de crédito e com passaporte vencido (único papel que sobrou no cafofo pra identificar esta filha de meu pai), não passo de Maricá ou Paquetá ou, sei lá, qualquer outra oxítona.
Saco.
Não posso nem fugir de mim.
Ô, miséria, meu Deus.
Não, minto. Bolsa roubada, sem documento, sem cartão de débito e de crédito e com passaporte vencido (único papel que sobrou no cafofo pra identificar esta filha de meu pai), não passo de Maricá ou Paquetá ou, sei lá, qualquer outra oxítona.
Saco.
Não posso nem fugir de mim.
Ô, miséria, meu Deus.
Inferno no Largo XI - A Retomada
Tirando o sumiço de todos, só todos, os meus documentos e dos pen drives, caos começa a se dissipar. Consegui ir ao banco pra tirar uma grana e pedir o cartão novo e paguei os penduras de ontem, quando vaguei pelo Largo do Machado sem um puto e sem cartão nenhum. A saber: os cigarros, na banca de jornal daqui, e o almoço na Adega. O do chaveiro só não resolvi porque os caras fecharam antes do horário normal, e eu acabei não chegando a tempo.
Também já interroguei o moço do trailler, na esperança de o ladrão ter se arrependido horrores e ter devolvido, ao menos, meus documentos. Claro que o homem não sabe de nada, não viu nada, só sabe que foi assim. Tiro n'água, naturalmente. Ah, sim, o segurança da área, que tinha prometido ajuda, dar uma perguntada por aqui, agora, não atende o celular. E eu decidi parar de achar que poderia reverter a desgraça, pra, no mínimo, aplacar a culpa por ter sido tão mané ao largar a bolsa ao deus-dará. Entubei de vez.
Também já comprei um carregador novo pro celular e selei a paz com a telefonia móvel.
Não, ainda não chorei. E, aliás, acho que nem vou. Não cabe recurso e não mereço, ainda por cima, ficar triste com a vida tão de cabeça pra baixo do ponto de vista prático. Por conta do roubo, ainda tem um milhão de coisas pra resolver amanhã, último dia útil antes do feriadão, além de ter que dar meu jeito de acabar, até segunda-feira, o raio do trabalho que foi pro pré-sal com o roubo dos pen drives.
Cumpra-se.
Também já interroguei o moço do trailler, na esperança de o ladrão ter se arrependido horrores e ter devolvido, ao menos, meus documentos. Claro que o homem não sabe de nada, não viu nada, só sabe que foi assim. Tiro n'água, naturalmente. Ah, sim, o segurança da área, que tinha prometido ajuda, dar uma perguntada por aqui, agora, não atende o celular. E eu decidi parar de achar que poderia reverter a desgraça, pra, no mínimo, aplacar a culpa por ter sido tão mané ao largar a bolsa ao deus-dará. Entubei de vez.
Também já comprei um carregador novo pro celular e selei a paz com a telefonia móvel.
Não, ainda não chorei. E, aliás, acho que nem vou. Não cabe recurso e não mereço, ainda por cima, ficar triste com a vida tão de cabeça pra baixo do ponto de vista prático. Por conta do roubo, ainda tem um milhão de coisas pra resolver amanhã, último dia útil antes do feriadão, além de ter que dar meu jeito de acabar, até segunda-feira, o raio do trabalho que foi pro pré-sal com o roubo dos pen drives.
Cumpra-se.
Inferno no Largo X
Só agora, o chaveiro resolveu a parada da troca da fechadura. Voando pra rua.
Inté, meu povo.
Inté, meu povo.
Inferno no Largo VIII
Não, eu ainda não fiz o imposto de renda e não tenho cabeça pra pensar nisso agora.
Inferno no Largo VII
Também foram embora um batom, o lápis de olho, a bombinha da asma, a caneta fashion que o alemão me deu e as outras 250 que eu tinha na bolsa, um bloco de anotações, um marca-texto, a caixinha com as pedras do Zippo, a calculadora de camelô e sei lá mais o que.
Ah, sim, também foi pro pré-sal uma moeda antiga de cinco mil cruzeiros, de 1992, que roubei da casa da minha mãe no fim de semana e meti na bolsa pra ficar, assim, como uma espécie de amuleto. Ééééé, acho que não funcionou. Dã.
Ah, sim, também foi pro pré-sal uma moeda antiga de cinco mil cruzeiros, de 1992, que roubei da casa da minha mãe no fim de semana e meti na bolsa pra ficar, assim, como uma espécie de amuleto. Ééééé, acho que não funcionou. Dã.
Inferno no Largo VI
Claro que o carregador do celular foi junto, e claro que o bicho já descarregou e morreu pro mundo. Me restou colocar o chip no aparelho velhinho, que tá com o visor queimado e não consigo acessar minha agenda, nem ver torpedo.
Inferno no Largo V
Ah, sim, foram embora também meus dois pen drives, um deles com um livro que preciso entregar ontem de manhã. Por que não tem backup no computador? Porque todos os dias eu jurava que iria salvar tudo direito, atualizar o que já tava salvo, etc e tal. Mas fui adiando, fui adiando, fui adiando...
Inferno no Largo IV
Sem dinheiro nenhum e sem cartão, passei o dia ontem a mendigar cigarro na banca e almoço na Adega, jurando que pago hoje, assim que conseguir ir ao banco. Só não tá pior porque uma santa amiga me mandou um motoboy com algum dinheiro, ontem de tarde, pra eu sobreviver até resolver a confusão toda.
Inferno no Largo III
- Minha filha, o que que você quer que eu faça?
- Nada, pai. Não dá pra fazer nada. Eu só preciso de colo.
- Vem pra cá, uai.
Nó na garganta até agora.
- Nada, pai. Não dá pra fazer nada. Eu só preciso de colo.
- Vem pra cá, uai.
Nó na garganta até agora.
Inferno no Largo II
Cês vão achar que eu tô de sacanagem:
- Por favor, eu queria comunicar roubo de cartão.
- Mas a senhora já comunicou. No dia 28 de abril, às 20h23.
- Hoje é 28 de abril, e tá de tarde ainda.
- É que o sistema, às vezes, registra o comunicado no futuro.
- Hein?
- É isso. De qualquer forma, o roubo já foi comunicado.
- Impossível. É a primeira vez que eu ligo.
- A senhora tem certeza?
- É claro que eu tenho certeza.
- Não tem alguém que possa ter comunicado o roubo?
- Não.
- A senhora tem certeza?
- É claro que eu tenho certeza.
- Peraí...
(Claro que, a essa altura, eu já tava quase convencida de que tinha perdido a razão de vez.)
- A senhora me desculpe. O comunicado foi feito em 28 de abril de 2008. De qualquer forma, o cartão já estava bloqueado, mesmo, porque a fatura está atrasada.
- Tá bom, obrigada.
Explico: o roubo de agora foi exatamente no mesmo dia em que a louca da minha ex-sócia me surrupiou os cartões da bolsa ano passado.
Cai o pano.
- Por favor, eu queria comunicar roubo de cartão.
- Mas a senhora já comunicou. No dia 28 de abril, às 20h23.
- Hoje é 28 de abril, e tá de tarde ainda.
- É que o sistema, às vezes, registra o comunicado no futuro.
- Hein?
- É isso. De qualquer forma, o roubo já foi comunicado.
- Impossível. É a primeira vez que eu ligo.
- A senhora tem certeza?
- É claro que eu tenho certeza.
- Não tem alguém que possa ter comunicado o roubo?
- Não.
- A senhora tem certeza?
- É claro que eu tenho certeza.
- Peraí...
(Claro que, a essa altura, eu já tava quase convencida de que tinha perdido a razão de vez.)
- A senhora me desculpe. O comunicado foi feito em 28 de abril de 2008. De qualquer forma, o cartão já estava bloqueado, mesmo, porque a fatura está atrasada.
- Tá bom, obrigada.
Explico: o roubo de agora foi exatamente no mesmo dia em que a louca da minha ex-sócia me surrupiou os cartões da bolsa ano passado.
Cai o pano.
Inferno no Largo I
Vou só resumir, que ainda tô em estado de choque: fui comer um podrão no trailler aqui embaixo, na segunda à noite; dei mole; me roubaram a bolsa. Simples assim.
Caos absoluto: todos os documentos foram pro pré-sal, claro, e a única coisa que me identifica até eu tirar tudo de novo é meu passaporte vencido. Ah, sim, também fiquei sem a chave de casa, o que me obrigou a dormir no quartinho do porteiro (sem o mesmo) até dar hora de chamar o chaveiro. Pra piorar, o mané do chaveiro, que eu mandei trocar o segredo da fechadura, entendeu errado, e só agora descobri que ele manteve o mesmo miolo, o que quer dizer que o gatuno tem minhas chaves de casa. Histérica (sei lá se quem roubou é rato da área que sabe onde eu moro), tô agora de castigo em casa esperando o gênio do chaveiro voltar pra trocar tudo direito.
A única boa notícia é que, quando desci pra comer, esqueci aqui na mesa da sala o celular, os óculos e o Zippo rosa, únicos itens da bolsa que foram salvos, por acaso, da sanha do babaca que me levou a bolsa.
Caos absoluto: todos os documentos foram pro pré-sal, claro, e a única coisa que me identifica até eu tirar tudo de novo é meu passaporte vencido. Ah, sim, também fiquei sem a chave de casa, o que me obrigou a dormir no quartinho do porteiro (sem o mesmo) até dar hora de chamar o chaveiro. Pra piorar, o mané do chaveiro, que eu mandei trocar o segredo da fechadura, entendeu errado, e só agora descobri que ele manteve o mesmo miolo, o que quer dizer que o gatuno tem minhas chaves de casa. Histérica (sei lá se quem roubou é rato da área que sabe onde eu moro), tô agora de castigo em casa esperando o gênio do chaveiro voltar pra trocar tudo direito.
A única boa notícia é que, quando desci pra comer, esqueci aqui na mesa da sala o celular, os óculos e o Zippo rosa, únicos itens da bolsa que foram salvos, por acaso, da sanha do babaca que me levou a bolsa.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
SOS Procon
Agora, vem cá: bloquear telefone por atraso não é só depois de um mês? Ou não? Alguém aí sabe?
Enfim, depois eu descubro. Tenho que correr, mesmo, agora. Fui.
Enfim, depois eu descubro. Tenho que correr, mesmo, agora. Fui.
"A senhora modere seu palavreado"
- Modero meu palavreado porra nenhuma. Quem é você pra me dizer como me expressar, etc, etc, etc?
Ó, que fofo.
Todo mês, minha conta do espetacular Oi Conta Total vem numa fatura da tal da Oi Paggo. Claro que eles mandam conferir as outras faturas e ver se estão todas incluídas na fatura total, e claro que eu nunca confiro porque a praxe é que estejam lá. Não é o que promete o plano Oi Conta Total: que você não precisa se preocupar com várias faturas? Pois é. Só não inclu quando a fatura do mês anterior foi paga com atraso, como foi o caso desta futura escritora de sucesso. Eles só não avisam ao corno do cliente. Se avisam, devem ser as tais letras miúdas. Enfim, crente, crente que estava tudo pago, acordei hoje com meus dois celulares bloqueados, tendo que resolver um monte de coisas no trajeto casa-trabalho.
Descenecessário dizer que isso tudo levou horas pra me ser dito porque a mocinha do atendimento só sabe falar como uma máquina, não conseguia esclarecer nada e fiquei horas numa conversa de maluco sem entender o que se passava. Lá pelas tantas, eu, já babando, sem entender nada, pedindo pelo amor de Deus pra louca parar de "falar como uma máquina", fui falando, assim, coloquialmente, coisas como "será que dá pra me explicar essa merda?", "não entendi nada desta porra desta fatura" e por aí vai. Foi quando a mocinha deu um ataque de pelanca também e me mandou "moderar" meu "palavreado".
Claro que tomou outra patada pela fuça, e tive que ligar novamente 30 vezes até uma colega da mesma me atender com toda a calma do mundo e me explicar, como um ser humano, a cagada toda e, surprise, surprise, resolver tudo em menos de 10 minutos: desfeita a confusão, tendo pago, agora, o que faltava, as linhas voltam até amanhã, segundo me prometeu a fofa. Claro que a frase "se não resolver, cancelo tudo imediatamente", sem nenhum palavrão, funcionou como mágica.
Ah, sim, bom dia.
Vou ralar.
Ó, que fofo.
Todo mês, minha conta do espetacular Oi Conta Total vem numa fatura da tal da Oi Paggo. Claro que eles mandam conferir as outras faturas e ver se estão todas incluídas na fatura total, e claro que eu nunca confiro porque a praxe é que estejam lá. Não é o que promete o plano Oi Conta Total: que você não precisa se preocupar com várias faturas? Pois é. Só não inclu quando a fatura do mês anterior foi paga com atraso, como foi o caso desta futura escritora de sucesso. Eles só não avisam ao corno do cliente. Se avisam, devem ser as tais letras miúdas. Enfim, crente, crente que estava tudo pago, acordei hoje com meus dois celulares bloqueados, tendo que resolver um monte de coisas no trajeto casa-trabalho.
Descenecessário dizer que isso tudo levou horas pra me ser dito porque a mocinha do atendimento só sabe falar como uma máquina, não conseguia esclarecer nada e fiquei horas numa conversa de maluco sem entender o que se passava. Lá pelas tantas, eu, já babando, sem entender nada, pedindo pelo amor de Deus pra louca parar de "falar como uma máquina", fui falando, assim, coloquialmente, coisas como "será que dá pra me explicar essa merda?", "não entendi nada desta porra desta fatura" e por aí vai. Foi quando a mocinha deu um ataque de pelanca também e me mandou "moderar" meu "palavreado".
Claro que tomou outra patada pela fuça, e tive que ligar novamente 30 vezes até uma colega da mesma me atender com toda a calma do mundo e me explicar, como um ser humano, a cagada toda e, surprise, surprise, resolver tudo em menos de 10 minutos: desfeita a confusão, tendo pago, agora, o que faltava, as linhas voltam até amanhã, segundo me prometeu a fofa. Claro que a frase "se não resolver, cancelo tudo imediatamente", sem nenhum palavrão, funcionou como mágica.
Ah, sim, bom dia.
Vou ralar.
"Faça da jaca a sua pantufa"
A frase aí é do mais novo amigo de infância desta humilde autora, cara chiquerérrrrrrimo, e cabe como uma luva no fim de semana sem conexão de jeito nenhum em Minas, com laptop pirado; família de pernas pro ar por conta de saúde da minha mãe; pouquíssimas horas pra dormir, de agora, quando acabo de adentrar o gramado, aqui, no Largo, até a hora de partir pro escritório me preparar pra reunião da tarde. Todo o resto atrasado, claro, muito por conta do laptop pirado no fim de semana. Ai.
Fui.
Fui.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Minas, here I go!
Arrumando malinha aqui e acompanhando uma parada de trabalho ao mesmo tempo. Toda enrolada, portanto. Pra variar.
Ah, sim, desculpem o perdido que dei no blog esta semana. Foi pura preguiça e desanimação com esta vida besta. Tudo errado, tudo errado, tudo errado. Sei nem por onde começar a reclamar. Mas, eu diria, a falta de beijo na boca, agravada pela palhaçada do alemão, que só serviu pra bagunçar os hormônios, anda me dando nos nervos.
Xô correr. Dou notícias do ônibus. Inté.
Ah, sim, desculpem o perdido que dei no blog esta semana. Foi pura preguiça e desanimação com esta vida besta. Tudo errado, tudo errado, tudo errado. Sei nem por onde começar a reclamar. Mas, eu diria, a falta de beijo na boca, agravada pela palhaçada do alemão, que só serviu pra bagunçar os hormônios, anda me dando nos nervos.
Xô correr. Dou notícias do ônibus. Inté.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Segundão modorrento
Esquentando os tamborins aqui pra reunião de sempre, toda enrolada com outros trabalhos, jurando que começo a dieta hoje. Ê, miséria.
Vou ralar.
Vou ralar.
domingo, 19 de abril de 2009
Fiat lux
Sabe que esse negócio de começar a se interessar por futebol é excelente estratégia de aproximação a machos em geral? Um bonitão hoje bem ficou todo, todo, quando eu, no boteco do almoço solitário com os jornais, perguntei quanto é que tava o jogo.
Mandou na minha fuça um "ninguém é perfeito" quando declarei publicamente que era flamenguista, etc e tal, mas bem me deu uma olhada de "revesguete", como se diz em Minas. E bem já vi aquela estampa ali nas redondezas da Dois de Dezembro, sempre sozinho, com os amigos, no chope do domingo. Como diria uma amiga minha, "ouve-se ao longe o canto tribal, uh-uh-vai-mor-rer-uh-uh-vai-mor-rer". Cumpra-se.
Mandou na minha fuça um "ninguém é perfeito" quando declarei publicamente que era flamenguista, etc e tal, mas bem me deu uma olhada de "revesguete", como se diz em Minas. E bem já vi aquela estampa ali nas redondezas da Dois de Dezembro, sempre sozinho, com os amigos, no chope do domingo. Como diria uma amiga minha, "ouve-se ao longe o canto tribal, uh-uh-vai-mor-rer-uh-uh-vai-mor-rer". Cumpra-se.
sábado, 18 de abril de 2009
Porque hoje é sábado
Não tem preço: acordei às 8, pulando da cama, me sacudindo toda, achando que tinha que correr pro chuveiro. Até que lembrei: HOJE É SÁBADO, HOJE É MUITO SÁBADO!!!!!!!!!
Vou fazer qualquer coisa que não tenha a ver com trabalho. Até claro, descansar, e pegar no batente, que ainda tenho que acabar uma parada.
Fui.
Vou fazer qualquer coisa que não tenha a ver com trabalho. Até claro, descansar, e pegar no batente, que ainda tenho que acabar uma parada.
Fui.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Noves fora, nada, sexta-feira, agora, em paz no Largo
Depois de uma sexta-feira inacreditável de trabalho, uma semana que todo mundo aqui acompanhou, com alemão me enlouquecendo, estar sozinha, largada, em casa, não me parece má ideia. De quebra, Pink Floyd aos berros e uma inocente vodka, que me parecem a melhor companhia possível.
Fui.
Fui.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Lembrancinha do Brasil
Tô, desde terça-feira, com um resfriado meio alérgico, meio gripe, meio sei lá o que, que tá me enlouquecendo. Pra piorar, quase toda a equipe com quem tenho trabalhado num projeto tá com a mesma coisa, o que significa, editar umas publicações com todo mundo espirrando o tempo inteiro.
Acabo de saber que certo alemão desembarcou em casa com os mesmos sintomas e tá se acabando de espirrar também. Vai acabar em quarentena em algum superhospital europeu especializado em doenças tropicais. Aun.
Acabo de saber que certo alemão desembarcou em casa com os mesmos sintomas e tá se acabando de espirrar também. Vai acabar em quarentena em algum superhospital europeu especializado em doenças tropicais. Aun.
Cusparada no Largo
Que veio não sei de onde e foi parar na minha perna. Na boa, precisava? Eca, eca, eca!
Isso tudo depois de um dia insano de trabalho. Cama já. Fui.
Isso tudo depois de um dia insano de trabalho. Cama já. Fui.
Claro que acaba de me ocorrer a música bacana do "Once", filme irlandês de dois amigos que se adoram e vivem uma história de amor inacreditável
Já postei essa música aqui, mas não resisti. Só pra lembrar: ele é irlandês, ela é tcheca, a trama é em Dublin. A música chama "Falling Slowly" (letra nos comentários).
História sem fim
Por outro lado - tinha até me esquecido disso, dada a dramaticidade da última semana -, como devo voltar a Praga no início do ano que vem pra dar conta de atualizar o rascunho do próximo livro e como já tá combinado que ele vai ajudar, etc e tal...
Atchim Blues
Tá foda. Gripe da boa, cérebro encatarrado, insone total, trabalho todo atrasado aqui, só pra variar. Não, não sei se o alemão chegou vivo em casa. Sumiu, literalmente, no mundo e ainda não deu notícias. Melhor assim, aliás. Tô precisando duma folga do ser.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
Como diriam os Mamonas:
"Neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda, e eu não comi ninguém..." Saco. Fui.
Sossego no Largo
Alemão devidamente embarcado. Pelas minhas contas, agora, não deve estar muito longe de Paris, onde é a conexão, se é que já não chegou. Há de adentrar o gramado em casa amarrotado, de manhã cedo, fuso horário todo trocado. Ah, coitado. Ih, rimou tudo.
O melhor de tudo é que achei que ia me rasgar toda, babar de saudade, ainda remoendo a trapalhada do mané. Mas tô aqui, no cafofo, tranquilamente, pagando conta, planejando coisas de trabalho amanhã, ralando meu coco diário, certo alívio no peito. Até dei uma chorada básica de uns, sei lá, dois minutos, quando li o bilhete que o fofo me deixou aqui em casa, ainda pedindo desculpas. Me comovi, lavei a fuça e já arquivei a última semana no canto do coração em que a doce anta tem morado de aluguel nos últimos 17 anos.
Também vi umas fotos que ele tirou aqui nos últimos dias e baixou no meu laptop (contei que o computador de mesa tá precisando ir pro estaleiro? acho que não). Entre elas, uma só dos meus cachinhos, e algumas da minha fuça de perfil, tiradas quando eu não vi que o mané tava tirando foto. Não, não vou continuar filosofando. Não faz mais nenhum sentido. Na boa, tô muito legal de tentar entender essa porra.
Mas, enfim, quanto à despedida, já ia esquecendo de contar. Ontem de noite, em casa, depois de a gente ver o tal do show de blues aqui perto, sentei no computador e pari um conto em inglês; o fofo no hotel. Totalmente baseado nos fatos reais que me atropelaram na última semana. De humor. Sem pieguice.
Hoje de manhã, antes do último café da manhã que tomaríamos juntos antes de ele ir embora, texto impresso, enfiei o tal na mão do mané, que já tremeu só com o título. Na boa, a cara que a pessoa fez só de ver o título não tem preço. Aliás, a cara que a pessoa fez enquanto lia o texto todo tem menos preço ainda. Noves fora zero, desabafei no conto o que faltava desabafar, ele captou a mensagem, me deu o abraço mais apertado do mundo e continuou pedindo desculpas, que, aliás, foram aceitas, de vez.
Não, não teve mais beijo na boca. Nem achei que teria, na verdade. Mas fato é que, ainda no abraço apertado, fui desfazendo, desfazendo, e corri o mais rápido que pude pra ir trabalhar, antes que me pingasse a primeira lágrima do olho. A mesma, aliás, só pingou no táxi - pois é, peguei um táxi hoje, achei que merecia e pronto. Devo esclarecer que, depois do abraço, o mané me olhou com aquela cara de cachorro com fome de sempre, nas nossas despedidas; eu não entendi se o gênio queria beijo na boca ou não; preferi não arriscar. O que ele queria, exatamente, só vou saber no próximo e-mail que a gente trocar. As risadas, juntos, sobre a imensa trapalhada que foi a última semana, só vamos dar quando nos encontrarmos de novo em algum canto do planeta, sabe Deus quando.
Também é fato que passei o dia entre ainda remoer certa raiva e um monte de saudade do ser. Mas, no fim das contas, foi tudo passando, passando... passou. Depois de 17 anos, vamu combinar que nenhuma das duas emoções chega a ser novidade nessa história maluca, que, ao que parece, vai ficando mais maluca com o passar do tempo.
Aliás, contei que passamos uma semana igual a dois velhinhos, a sacar os óculos de leitura a cada lugar em que sentamos pra comer ou beber aqui no Rio porque nenhum dos dois consegue mais ler sem óculos? Não, não contei. Mas mandei na fuça do moço de 46 anos: "Cara, tu tem a percepção de que isso não vai acabar nunca e que, sei lá, daqui a uns 30 anos, a gente vai continuar se encontrando, se pegando ou não, falando da vida, dos netinhos, dos rumos do jornalismo e da política internacional, de Praga, etc, etc, etc?" Claro que ele concordou.
Claro também que acabamos lembrando que tínhamos menos de 30 anos quando nos conhecemos (eu, 26; ele, 29), aqui no Brasil, no Sul; botamos a culpa no Jaime Lerner, que convidou a imprensa mundial, literalmente, pra uma farra em Curitiba dias antes da Rio Eco 92; e quase morremos de rir. Em 92, ele era editor de um jornal de esquerda alemão, todo, todo ecologista, e veio pra cobrir a conferência. Eu era repórter do DIA e integrava a equipe que cobriu o encontro mundial. Lembro que, na época, o Muro da terra dele tinha acabado de cair e lembro também que o bichinho quase teve uma síncope, agora, aqui, quando soube que o povo tá pensando em construir muro em volta de favela: "Cara, de muro eu entendo", disse o fofo.
Cama já, que amanhã vai ser dia longo de ralação. Inté, meu povo.
O melhor de tudo é que achei que ia me rasgar toda, babar de saudade, ainda remoendo a trapalhada do mané. Mas tô aqui, no cafofo, tranquilamente, pagando conta, planejando coisas de trabalho amanhã, ralando meu coco diário, certo alívio no peito. Até dei uma chorada básica de uns, sei lá, dois minutos, quando li o bilhete que o fofo me deixou aqui em casa, ainda pedindo desculpas. Me comovi, lavei a fuça e já arquivei a última semana no canto do coração em que a doce anta tem morado de aluguel nos últimos 17 anos.
Também vi umas fotos que ele tirou aqui nos últimos dias e baixou no meu laptop (contei que o computador de mesa tá precisando ir pro estaleiro? acho que não). Entre elas, uma só dos meus cachinhos, e algumas da minha fuça de perfil, tiradas quando eu não vi que o mané tava tirando foto. Não, não vou continuar filosofando. Não faz mais nenhum sentido. Na boa, tô muito legal de tentar entender essa porra.
Mas, enfim, quanto à despedida, já ia esquecendo de contar. Ontem de noite, em casa, depois de a gente ver o tal do show de blues aqui perto, sentei no computador e pari um conto em inglês; o fofo no hotel. Totalmente baseado nos fatos reais que me atropelaram na última semana. De humor. Sem pieguice.
Hoje de manhã, antes do último café da manhã que tomaríamos juntos antes de ele ir embora, texto impresso, enfiei o tal na mão do mané, que já tremeu só com o título. Na boa, a cara que a pessoa fez só de ver o título não tem preço. Aliás, a cara que a pessoa fez enquanto lia o texto todo tem menos preço ainda. Noves fora zero, desabafei no conto o que faltava desabafar, ele captou a mensagem, me deu o abraço mais apertado do mundo e continuou pedindo desculpas, que, aliás, foram aceitas, de vez.
Não, não teve mais beijo na boca. Nem achei que teria, na verdade. Mas fato é que, ainda no abraço apertado, fui desfazendo, desfazendo, e corri o mais rápido que pude pra ir trabalhar, antes que me pingasse a primeira lágrima do olho. A mesma, aliás, só pingou no táxi - pois é, peguei um táxi hoje, achei que merecia e pronto. Devo esclarecer que, depois do abraço, o mané me olhou com aquela cara de cachorro com fome de sempre, nas nossas despedidas; eu não entendi se o gênio queria beijo na boca ou não; preferi não arriscar. O que ele queria, exatamente, só vou saber no próximo e-mail que a gente trocar. As risadas, juntos, sobre a imensa trapalhada que foi a última semana, só vamos dar quando nos encontrarmos de novo em algum canto do planeta, sabe Deus quando.
Também é fato que passei o dia entre ainda remoer certa raiva e um monte de saudade do ser. Mas, no fim das contas, foi tudo passando, passando... passou. Depois de 17 anos, vamu combinar que nenhuma das duas emoções chega a ser novidade nessa história maluca, que, ao que parece, vai ficando mais maluca com o passar do tempo.
Aliás, contei que passamos uma semana igual a dois velhinhos, a sacar os óculos de leitura a cada lugar em que sentamos pra comer ou beber aqui no Rio porque nenhum dos dois consegue mais ler sem óculos? Não, não contei. Mas mandei na fuça do moço de 46 anos: "Cara, tu tem a percepção de que isso não vai acabar nunca e que, sei lá, daqui a uns 30 anos, a gente vai continuar se encontrando, se pegando ou não, falando da vida, dos netinhos, dos rumos do jornalismo e da política internacional, de Praga, etc, etc, etc?" Claro que ele concordou.
Claro também que acabamos lembrando que tínhamos menos de 30 anos quando nos conhecemos (eu, 26; ele, 29), aqui no Brasil, no Sul; botamos a culpa no Jaime Lerner, que convidou a imprensa mundial, literalmente, pra uma farra em Curitiba dias antes da Rio Eco 92; e quase morremos de rir. Em 92, ele era editor de um jornal de esquerda alemão, todo, todo ecologista, e veio pra cobrir a conferência. Eu era repórter do DIA e integrava a equipe que cobriu o encontro mundial. Lembro que, na época, o Muro da terra dele tinha acabado de cair e lembro também que o bichinho quase teve uma síncope, agora, aqui, quando soube que o povo tá pensando em construir muro em volta de favela: "Cara, de muro eu entendo", disse o fofo.
Cama já, que amanhã vai ser dia longo de ralação. Inté, meu povo.
Tem despedida no Largo
A pessoa vai embora hoje, terça, à tarde, algumas horas depois do café da manhã junto no cafofo, como, aliás, rolou todos os dias da temporada do ser nesta maravilha de cenário. Sei lá o que vou sentir quando sair pra trabalhar e largar o manezinho aqui, arrumando a cozinha, como também rolou o tempo todo. Pois é, ele é dono de casa e tem uma absurda capacidade de descobrir o exato lugar das coisas. Portanto, essa porra hoje de manhã vai doer.
Mas, enfim, vamu combinar que não há de ser nada que já não tenha rolado um milhão e meio de vezes nos últimos 17 anos, aqui mesmo no Rio, em Berlim, em Praga, em Frankfurt... Claro que, considerando as trapalhadas deste nosso encontro, mais a mãe de todas as conversas no domingão depois do Maraca, a possibilidade de doer mais do que as outras não é desprezível - ninguém comeu ninguém, mas a intimidade aumentou. Por outro lado, também não é desprezível a possibilidade de doer menos, já que a gente ficou mais irmão do que nunca.
Sei lá mais o que dizer. A única certeza absoluta que tenho é a seguinte: o pesadelo tá muito perto de acabar. Aliás, menti muito agora, tenho outra certeza absoluta: como a pessoa já tá falando em voltar sabe Deus quando (!), não tenho mais qualquer esperança de tocar minha modesta biografia sem a presença deste ser, seja lá como for.
E mais não digo. Nem que me seja perguntado. Foi muita informação demais e muita pegação de menos pra minha cabecinha em muito pouco tempo.
P.S.: O turista germânico teve a capacidade de achar um pocket show de blues da melhor qualidade no Mercadinho São José e passou boa parte da noite me sacaneando porque eu não fazia a mais pálida ideia de que rolava a parada toda segunda-feira, das 20h às 22h. Como ele achou? Nada pra fazer enquanto eu trabalhava, ele catou uns moleques da escola vizinha ao meu prédio, que davam pinta no Largo e falavam inglês, e perguntou se tinha algum lugar aqui que tivesse música ao vivo que não fosse samba. Queria, assim, algo diferente do que já tinha visto. Acabou informado do evento e me arrastou. Sensacional.
Mas, enfim, vamu combinar que não há de ser nada que já não tenha rolado um milhão e meio de vezes nos últimos 17 anos, aqui mesmo no Rio, em Berlim, em Praga, em Frankfurt... Claro que, considerando as trapalhadas deste nosso encontro, mais a mãe de todas as conversas no domingão depois do Maraca, a possibilidade de doer mais do que as outras não é desprezível - ninguém comeu ninguém, mas a intimidade aumentou. Por outro lado, também não é desprezível a possibilidade de doer menos, já que a gente ficou mais irmão do que nunca.
Sei lá mais o que dizer. A única certeza absoluta que tenho é a seguinte: o pesadelo tá muito perto de acabar. Aliás, menti muito agora, tenho outra certeza absoluta: como a pessoa já tá falando em voltar sabe Deus quando (!), não tenho mais qualquer esperança de tocar minha modesta biografia sem a presença deste ser, seja lá como for.
E mais não digo. Nem que me seja perguntado. Foi muita informação demais e muita pegação de menos pra minha cabecinha em muito pouco tempo.
P.S.: O turista germânico teve a capacidade de achar um pocket show de blues da melhor qualidade no Mercadinho São José e passou boa parte da noite me sacaneando porque eu não fazia a mais pálida ideia de que rolava a parada toda segunda-feira, das 20h às 22h. Como ele achou? Nada pra fazer enquanto eu trabalhava, ele catou uns moleques da escola vizinha ao meu prédio, que davam pinta no Largo e falavam inglês, e perguntou se tinha algum lugar aqui que tivesse música ao vivo que não fosse samba. Queria, assim, algo diferente do que já tinha visto. Acabou informado do evento e me arrastou. Sensacional.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Antes que a Mirtes comece a babar, vai aqui a experiência do alemão no Maraca. Sob meu ponto de vista, é claro
Descontando toda a história triste, vai aqui o relato do que eu acho que meu manezinho germânico achou da experiência no Maraca, baseada em seu próprio depoimento.
Fato incontestável: ficou fascinado. Primeiro, porque, depois de a gente (eu e o povo do escritório onde tô baseada agora, no chope de quinta-feira) apavorar o bichinho tudo o que podia com relação à possibilidade de confusão, roubo de relógio e carteira, etc e tal, ele achou que estávamos exagerando quando viu um monte de pais com seus pimpolhos fantasiados de torcedores. Cismou que a gente é que era maluco, já que, no mundo desenvolvido, jogo de futebol não é programa-família.
Os dois já instalados, ele viu o campo e viu mais crianças por todo o lado, incluindo o malinha tricolor que, ao nosso lado, insistia em mandar, aos berros, flamenguista ir tomar no cu (sic).
Bola em jogo, babou e deu com a mão germânica na testa a cada gol perdido. E não foram poucos. Do Flamengo e do Fluminense. Nenhum problema, a gente acabou ficando no setor branco da arquibancada, que, só agora eu sei, é neutro e comporta até casais de times diferentes, cada um sacaneando o outro, etc, etc, etc. Devo admitir que a camiseta dele, com uma estampa vermelha sobre preto me deixou algo tensa quando a gente circulou em zona que não era rubronegra de coração.
Enfim, a gente até ia ficar perto da Raça, no setor verde, mas acabou no branco porque ele achou que era o melhor lugar pra ter uma visão bacana dos dois gols. Eu planejei de a gente ficar pertinho do Flamengo pra ele sentir a tal da vibração. Mas não deu nem pra argumentar. O mané tinha razão. Pra quem não tá vendo o jogo com paixão, o setor branco é mesmo O lugar. E mais: deu pra ver de longe o movimento das torcidas. Claro que ele acabou concluindo que a do Flamengo, aliás, DO MEU MENGÃO, era a maior. Maior do mundo, aliás. Sim, teve o momento eu traduzindo as faixas estendidas pelas turmas rubronegra e tricolor. Também teve o momento eu traduzindo os gritos de guerra. Aquelas coisas doces do tipo "bo-ta-pra-fu-der", "vai-to-mar-no-cu" e "Par-rei-ra-Par-rei-ra-Par-rei-ra-teu-ti-me-é-de-ter-cei-ra". "Juiz filho da puta" foi mais fácil, devo admitir.
Ah, sim, explicar o banho de pó de arroz que veio da torcida do Flu, a nossa esquerda, no começo do jogo, foi foda. Comecei falando o que era pó de arroz, assim, enquanto maquiagem das mulheres brasileiras de sei lá que século, etc e tal, mas, graças a Deus, ele perdeu o interesse rapidamente: o moleque tricolor desbocado roubou a cena. Eu não saberia mesmo conectar essa coisa ao timão (deles). O mesmo vale pra minha tentativa de explicar aquela coisa toda do urubu com o Flamengo. Mandei "é um pássaro que come carniça, que é o símbolo dos caras" e fui ajudada pelo telão, numa coincidência absurda, que mostrou uns urubus supersimpáticos. Ficou por isso mesmo. Eu também nunca soube por que que urubu virou símbolo do Flamengo.
Achou megaengraçado ver casais com mulé tricolor e cara flamenguista ou ao contrário. Me contou que o fenômeno de as adolescentes estarem cada vez mais envolvidas com futebol também tá acontecendo na Alemanha. E arrematou dizendo que, comparando com os jogos da Europa, com a galera deles, mais os Hooligans, nosso Fla-Flu era, praticamente, uma missa. Aproveitou pra sacanear esta pobre alma, que tava apavorada com a volta pra casa, achando que ia encarar tumulto-monstro, ser pisoteada por hordas de torcedores do time perdedor e que todos iam se matar no metrô. A verdade dos fatos é que, em menos de uma hora, estávamos os dois num boteco aqui da vizinhança discutindo nossa relação de 17 anos - detalhes quanto a essa minha última declaração, nos posts abaixo. Fui.
Fato incontestável: ficou fascinado. Primeiro, porque, depois de a gente (eu e o povo do escritório onde tô baseada agora, no chope de quinta-feira) apavorar o bichinho tudo o que podia com relação à possibilidade de confusão, roubo de relógio e carteira, etc e tal, ele achou que estávamos exagerando quando viu um monte de pais com seus pimpolhos fantasiados de torcedores. Cismou que a gente é que era maluco, já que, no mundo desenvolvido, jogo de futebol não é programa-família.
Os dois já instalados, ele viu o campo e viu mais crianças por todo o lado, incluindo o malinha tricolor que, ao nosso lado, insistia em mandar, aos berros, flamenguista ir tomar no cu (sic).
Bola em jogo, babou e deu com a mão germânica na testa a cada gol perdido. E não foram poucos. Do Flamengo e do Fluminense. Nenhum problema, a gente acabou ficando no setor branco da arquibancada, que, só agora eu sei, é neutro e comporta até casais de times diferentes, cada um sacaneando o outro, etc, etc, etc. Devo admitir que a camiseta dele, com uma estampa vermelha sobre preto me deixou algo tensa quando a gente circulou em zona que não era rubronegra de coração.
Enfim, a gente até ia ficar perto da Raça, no setor verde, mas acabou no branco porque ele achou que era o melhor lugar pra ter uma visão bacana dos dois gols. Eu planejei de a gente ficar pertinho do Flamengo pra ele sentir a tal da vibração. Mas não deu nem pra argumentar. O mané tinha razão. Pra quem não tá vendo o jogo com paixão, o setor branco é mesmo O lugar. E mais: deu pra ver de longe o movimento das torcidas. Claro que ele acabou concluindo que a do Flamengo, aliás, DO MEU MENGÃO, era a maior. Maior do mundo, aliás. Sim, teve o momento eu traduzindo as faixas estendidas pelas turmas rubronegra e tricolor. Também teve o momento eu traduzindo os gritos de guerra. Aquelas coisas doces do tipo "bo-ta-pra-fu-der", "vai-to-mar-no-cu" e "Par-rei-ra-Par-rei-ra-Par-rei-ra-teu-ti-me-é-de-ter-cei-ra". "Juiz filho da puta" foi mais fácil, devo admitir.
Ah, sim, explicar o banho de pó de arroz que veio da torcida do Flu, a nossa esquerda, no começo do jogo, foi foda. Comecei falando o que era pó de arroz, assim, enquanto maquiagem das mulheres brasileiras de sei lá que século, etc e tal, mas, graças a Deus, ele perdeu o interesse rapidamente: o moleque tricolor desbocado roubou a cena. Eu não saberia mesmo conectar essa coisa ao timão (deles). O mesmo vale pra minha tentativa de explicar aquela coisa toda do urubu com o Flamengo. Mandei "é um pássaro que come carniça, que é o símbolo dos caras" e fui ajudada pelo telão, numa coincidência absurda, que mostrou uns urubus supersimpáticos. Ficou por isso mesmo. Eu também nunca soube por que que urubu virou símbolo do Flamengo.
Achou megaengraçado ver casais com mulé tricolor e cara flamenguista ou ao contrário. Me contou que o fenômeno de as adolescentes estarem cada vez mais envolvidas com futebol também tá acontecendo na Alemanha. E arrematou dizendo que, comparando com os jogos da Europa, com a galera deles, mais os Hooligans, nosso Fla-Flu era, praticamente, uma missa. Aproveitou pra sacanear esta pobre alma, que tava apavorada com a volta pra casa, achando que ia encarar tumulto-monstro, ser pisoteada por hordas de torcedores do time perdedor e que todos iam se matar no metrô. A verdade dos fatos é que, em menos de uma hora, estávamos os dois num boteco aqui da vizinhança discutindo nossa relação de 17 anos - detalhes quanto a essa minha última declaração, nos posts abaixo. Fui.
Maraca V
Eu juro que, a certa altura, completamente cega pela falta dos óculos que eu perdi, fiquei alguns segundos sem saber onde estava a bola. Mas preferi não perguntar pro meu companheiro de arquibancada, alemão já enturmadíssimo com a tática dos dois times. Achei que era humilhação demais. Fato é que, em pouquíssimos segundos, percebi onde a tal estava pela movimentação da galera em campo.
Maraca IV
É preciso que se diga que fui criada pra ser flamenguista. Pela minha mãe, rubronegra roxa, que, depois de ir à missa no domingo de jogão, em Niterói, alimentava a família (eu e meu pai) e se mandava pro Maraca, com o mesmo vestido de, como se diz em Minas, "vê-Deus". Meu pai ficava vendo Silvio Santos. Eu arrumava o que fazer. Por que isso tudo no passado? Estão os dois vivos, ela só não vai mais pro raio do Maraca. Tá quietinha em casa, em Minas, onde os dois decidiram viver até sabe Deus, literalmente, quando.
Fato é que, quando me vi, hoje, no Fla-Flu, pela primeira vez na minha vida, aos 42 anos, do lado do alemão que sou fã, sem foguetes nem bandeira, de arquibancada, pra sentir mais emoção, virei rubronegra de carteirinha. E pronto. Cumpra-se.
Fato é que, quando me vi, hoje, no Fla-Flu, pela primeira vez na minha vida, aos 42 anos, do lado do alemão que sou fã, sem foguetes nem bandeira, de arquibancada, pra sentir mais emoção, virei rubronegra de carteirinha. E pronto. Cumpra-se.
Maraca III
Neto tricolor doente, camisa do timão, cara pintada com as cores do tal, aos berros, do nosso lado, e avô zeloso, bola em campo, antes do gol:
- Vai tomar no cuuuuuu! Flamengo só tem viado e puta! Vamu botar pra fuder!
- Ó, não fala assim. Fala só que eles vão perder, que a gente vai derrotar eles...
- Mas, vô, eu quero falar "vai tomar no cuuuu"...
N.R.: O moleque, de seus seis anos, chorou igual a uma... criança, no fim do jogo, pra desespero do avô e da mãe, que chegou em algum momento. Teve flamenguista, eu juro que vi, que quase pediu desculpas ao pobre petiz, que saiu carregado pela família, arrasado.
- Vai tomar no cuuuuuu! Flamengo só tem viado e puta! Vamu botar pra fuder!
- Ó, não fala assim. Fala só que eles vão perder, que a gente vai derrotar eles...
- Mas, vô, eu quero falar "vai tomar no cuuuu"...
N.R.: O moleque, de seus seis anos, chorou igual a uma... criança, no fim do jogo, pra desespero do avô e da mãe, que chegou em algum momento. Teve flamenguista, eu juro que vi, que quase pediu desculpas ao pobre petiz, que saiu carregado pela família, arrasado.
Maraca II
- Oi, como é que faz pra chegar nas cadeiras verdes?
- Você quer mesmo ficar nas verdes?
- Não, é que tô aqui com um amigo alemão e queria mostrar a torcida do Flamengo pra ele, que é mais animada.
- Esse aqui é o setor branco, mais calmo. Vocês estão sem camisa, podem circular. Por que que vocês não dão uma olhada aí antes de resolver?
- Tá bom...
Aqui tem que explicar. Essa conversa foi com um PM barrigudão todo fofo, que acabou indo atrás da gente, segundos depois de dar a informação, provavelmente preocupado com nosso destino, e veio dar mais detalhes do Maracanês.
- Tá vendo? Aqui é mais calmo.
- Mas e este número aqui no ingresso? Tem que seguir esta numeração pra sentar?
- Nada. Senta onde vocês quiserem.
- Tá bom, brigada.
- Você quer mesmo ficar nas verdes?
- Não, é que tô aqui com um amigo alemão e queria mostrar a torcida do Flamengo pra ele, que é mais animada.
- Esse aqui é o setor branco, mais calmo. Vocês estão sem camisa, podem circular. Por que que vocês não dão uma olhada aí antes de resolver?
- Tá bom...
Aqui tem que explicar. Essa conversa foi com um PM barrigudão todo fofo, que acabou indo atrás da gente, segundos depois de dar a informação, provavelmente preocupado com nosso destino, e veio dar mais detalhes do Maracanês.
- Tá vendo? Aqui é mais calmo.
- Mas e este número aqui no ingresso? Tem que seguir esta numeração pra sentar?
- Nada. Senta onde vocês quiserem.
- Tá bom, brigada.
Maraca I
- Moço, como é que faz pra achar as cadeiras verdes? - prum ser qualquer da Suderj, quando eu tentava, com o alemão de sempre, literalmente, adentrar o gramado, aliás, a arquibancada.
- Você sobe essa rampa aqui na frente e procura as cadeiras verdes.
- Ah, tá.
- Você sobe essa rampa aqui na frente e procura as cadeiras verdes.
- Ah, tá.
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