quinta-feira, 8 de maio de 2008

Ah, esqueci

Se eu amo ou não amo o muso deste blog? Nem às paredes, confesso. Não importa mais. Não pode importar mais.

Mudando de assunto. Tava eu agora almoçando aqui embaixo, na Adega, coração em relativa paz, atracada a um filezinho bacana de linguado, quando me sentou na mesa mais à frente uma mulher exuberante. Negra, toda, toda, cabelão afro, um vaso de flor num saco plástico. Ao mundo, aos berros, ela avisava, via conversa pelo celular com as amigas: "Tô aqui, no Largo do Machado, tomando um chopinho, esperando meu amigo chegar."

Ai, acho tão feio moça que fica falando da vida assim em público.

Foi assim, ó:

Fui eu na Policlínica de Botafogo pra primeira consulta que vai ajudar a descobrir por que diabos eu entupi no domingo, alergia a que que eu tenho, etc e tal. Aí, toda tatu triste, pra variar, ouvi o moço lá perguntar se eu queria um táxi. Orgulhosa, recusei: "Não, brigada, vou dar uma caminhada."

E saí. Só que fui por aquela agulha que vai sair na Praia de Botafogo, absolutamente inatravessável. Comecei a rodar e só conseguia era sair no mesmo lugar, até achar um doido dum outro pedestre que tava tentando atravessar pra praia. Tomei coragem, peguei carona no maluco e consegui cruzar a pista num intervalo do fluxo dos carros – não, Pedro Bó, a gente atravessou voando, dã.

Que graça tem essa história? Nenhuma. Só que, enquanto fiquei rodando igual a tatu tonto, foi me caindo tanta ficha na fuça, revendo os últimos quatro meses, percebendo o rolo em que me meti, mais esse sofrimento que não faz mais sentido nenhum, mais a quantidade de vezes que fui parar em emergência de hospital no último mês, mais o sol na lata, mais o perceber que tenho é que me mandar pra Minas por uns dias porque minha mãezinha não tá nada bem. Isso tudo, com o raio dessa música do Caetano na cabeça.

Não sei se meu anjo da guarda ainda tá no cargo, dado o caráter de periculosidade do emprego. Mas a impressão que eu tinha, enquanto andava igual a uma louca da Pasteur até o Largo do Machado, é que o coitado tava era me embolachando pra ver se eu acordava pra vida.

Fato é que vi a luz. Portanto, embarco amanhã pra Minas pra ficar uns dias com meu povo, e não faço nada além de carinhar minha mãe e cuidar do blog e do livro. E pronto. Na volta, vou dando meu jeito de tocar a vida, entre o Rio e Minas, já que as viagens terão que ficar mais freqüentes; fazer algum dinheiro; e me preparar pruma palestra que vou dar na Comunicação da UFF em junho, por conta do blog e do livro – aliás, é aberta ao público, depois confirmo dia e hora aqui.

E repito, mentalmente, aos berros, o título do post anterior: "O que eu herdei de minha gente eu nunca posso perder." Chega. Eu sei que já falei 30 vezes aqui, mas, na boa, este 2008 tem que começar pra mim antes que o primeiro semestre acabe.

Agora, vai.

P.S.: Ah, quando fui entrando no elevador, carregando todos os jornais do mundo, na volta da caminhada, bem teve um vizinho bonitão que ficou todo solidário quando eu enfiei o cotovelo na gradinha que tem ali e soltei um "ai" doído. Ajudou com a porta, comentou a primeira página da Folha, e ficou me olhando discretamente atéééé meu andar, eu toda distraída lendo as chamadas, com ar de nem-aí-pra-tu-ta-tu. I'm back in the game, folks!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

"O que eu herdei de minha gente eu nunca posso perder"

Claro que essa imensidão de adjetivos-esculhambação no feminino é um tiro no meu próprio pé e pode virar o hino da oposição. Caguei. Fica na conta da dicotomia pansexual (ou não) do baiano, que canta isso tudo rebolando, de mãozinha na cintura, fazendo quase um strip, gostosérrimo, meio tigreza, meio leãozinho, meio eu gritando pro muso do blog e pra mim mesma música e letra... ih, me empolguei, foi mal.

Desculpem, mas eu falei que num tô furiosa mais?

Acho que num tô latindo tudo de novo porque, no fundo, no fundo, como o neo-chute foi, se não da mesma forma, no mesmo estilo (de sopetão, na fuça), eu tô é fula porque não tenho é mais nenhum adjetivo novo pra acrescentar à interminável lista que já atribuí aqui ao artilheiro desde dezembro. Que raiva. Acho que vou começar a postar em inglês, pra dar, sei lá, uma roupagem nova a este dramalhão mexicano - não, eu não sei escrever em espanhol, que é o que caberia na metáfora, sorry.

Tá bom

Eu admito, tô é morta de vergonha de estar toda triste de novo vagando pelo Largo do Machado. E, agora, nem furiosa mais eu tô. Acho que me acostumei a andar com um prego enfiado no pé. Me tiraram o prego, não sei mais andar, inda tô com saudade do prego. Saco.

Acho que vou tirar esta coisa do ar e lançar um blog de receitas, das minhas viagens pelo mundo, sei lá. Aberta a sugestões. Num tô nada bem.

Surto literário

Cara, esse negócio de escrever livro é de enlouquecer. Onde foi que fui me meter, meu Deus? Já li e reli os posts antigos umas 30 vezes, aí, fico querendo reescrever; aí, fico pensando que corro o risco de perder o raio do caráter espontâneo do texto; aí, fico tendo idéias brilhantes pra bancar a criativa. Pra piorar, o raio do coração vem na boca porque essa dor não passa, e a raiva da minha própria estupidez me paralisa, fora o inconfessável, que já tô cansada de me enxovalhar em público.

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Demoraram demais a responder

Já tô fechando o computador aqui pra me empinar pra alcançar a parte de cima do armário e resgatar o travesseiro azul. Caguei.

Tá frio aqui

Cês me dão permissão pra pegar o travesseiro azul de volta do armário, pra dormir atracada com o mesmo?

terça-feira, 6 de maio de 2008

Sal grosso em nóis



Enquanto era só a dona do blog baixando emergência, tava compreensível: alma aos pedaços, corpinho sedentário sofrendo, tava no jogo. Só que agora tem leitora do blog baixando emergência.

Só o sal grosso salva!

Por que...

... esse raio dessa música-tema do Closer não pára de tocar no meu ouvido aqui na rádio? E nem é a versão-mala da Ana Carolina com o Seu Jorge, não. É a original, que dói na alma, até porque veio antes da overdose da dupla brasileira. Saco.

Como diz uma boa amiga, o povo da programação das rádios lê os blogs todos da rede e faz uma espécie de revezamento pra decidir quem será o sacaneado do dia. Sabe que faz sentido.

Sua Excelência, a Autora Louca

São pouco mais de três da tarde aqui. Acabei de salvar direito e organizar todos os posts e imprimir pra dar formato de livro a este blog. Sensação estranha rever tudo o que se passou desde um certo Natal trágico. Chega a dar um bolo no estômago. Quatro meses! Meu Deus, tô há quatro meses chafurdando nessa lama, me danando toda de novo e dando nó em pingo d'água pra não me atracar aqui aos travesseiros que sobraram na cama e chorar até ficar com dó de mim.

Noves fora zero, o raio do Largo do Machado continua lá, com seus velhinhos, seus floristas malas e toda aquela gente ignorando o raio da minha dor de corno, agora revisitada e reeditada, mas que não me larga. Meu Deus!

A única diferença é que agora o ódio do muso tá passando ao largo. Nem joguei nada pela janela desta vez, nem tive nenhum surto de cólera. Na verdade, fiz uma espécie de mausoléu pro fofo com o que sobrou das lembranças num saco da Sendas, enfiado num compartimento da estante. Sei lá por que. Acho que, talvez, tenha a exata percepção de que virou passado, mesmo. Ih, ando tão freudiana. Culpa do meu afilhado, que agora deu de se enfiar aqui nos meus comentários e ficar fazendo análise dos meus sonhos. Saco.

Tá, admito, a raiva do muso foi substituída por uma imensa indignação comigo mesma por ter caído na mesma conversa de novo e estar amargando outro chute do mesmo ser, depois de eu ter me convencido que "nããããããão, agora vai ser tudo diferente", como se tivesse pousado uma pomba do Espírito Santo na cabeça dele e na minha, como se tivéssemos renascido outros personagens. Dã.

Já falei aqui, ainda mudo o nome deste blog pra Sua Excelência, a Anta, pra começar a enfiar a porrada em mim, mesma, pra deixar de ser mané.

Ai, que raiva.

Ainda quanto ao ódio que não tô manifestando pelo muso, essas confusões de hipertensão e de alergia maluca são ainda mais bandeiras: é óbvio que meu corpo tá gritando por mim.

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!!! É muita ficha caindo ao mesmo tempo.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O travesseiro azul

Não acredito que tenho passado os últimos dias com um ridículo travesseiro de fronha azul que uso pra dormir agarrada nele, estendido verticalmente ao meu lado, na cama. Acabo de, depois de horas de reflexão sobre os últimos meses, me virar de costas pro bicho, só de raiva.

Já está definitivamente (ãrrã, ãrrã...) enfiado de volta no armário, de onde nunca deveria ter saído, aliás.

E fiquem aí com "What's Up?", dumas loucas chamadas Four Non Blondes. Ainda bate um coração rock'n roll neste corpinho

"25 years of my life and still I'm trying to get up that great big hill of hope for a destination. I realized quickly when I knew I should that the world was made up of this brotherhood of man, for whatever that means.

And so I cry sometimes when I'm lying in bed, just to get it all out what's in my head. And I, I'm feeling a little peculiar.

And so I wake in the morning and I step outside. And I take a deep breath. And I get real high. And I scream from the top of my lungs: what's goin' on? And I say hey-ey-ey... and I said hey, what's goin' on?...

And I try, oh, my God, do I try, I try all the time in this institution. And I pray, oh, my God, do I pray,I pray ev'ry single day for a revolution."

O Ministério da Saúde informa: crise alérgica é antídoto perfeito contra dor de amor. Na boa, tô tão chapada ainda, que num tô nem triste.

Continuo num astral "num foi, nada, não".

Tá, falei que ia sumir uns tempos, mas não resisto. Foi mal aê. Cês aceitam minha readmissão imediata aqui no blog? Brigada, meu público, brigada, pelo apoio neste momento difícil.

Ah, falei que nos últimos dois dias, dei uma desinchada (tirando a fuça, que ainda parece a de um sapo-boi, claro)? Resultado da garganta travada e da diarréia que agora me assola - ih, lembrei, desculpem a trashice, mas aquela história de a pizza me fazer mal já devia ser por conta do início do caos.

Agora, tô morta de fome aqui, às quatro e meia da tarde de segunda-feira, sem saber bem direito o que comer. Depois que voltei do hospital, tomei um café da manhã tardio aqui numa padaria e agora não sei pra onde ir.

E, na boa, meu personagem tatu-triste, andando cabisbaixo pelo Largo do Machado, acho que nem eu güento mais. E a porra do dia deu-se em chuvoso. Saco: chafurdar na cama acho que será a única solução, só mais um pouquinho.

Diria a boa Scarlett, do E O Vento Levou..., "depois, eu penso nisso". Fui.

Não acredito que achei isto no youtube! Não resisto! É mais forte que eu!

Peço arrego, ó, doce universo!

Galera, valeu, aí, a força, mas preciso de um tempo pra recarregar. Hoje, o universo chutou o balde pro meu lado e me tacou a última pá de cal na fuça neste adorável ano de 2008. Preciso parar, algo de muito errado tá acontecendo na minha biografia. Tô oficialmente, de folga, portanto, a partir deste post. Rapidinho, eu juro, uns dois dias, no máximo, se conseguir, claro, ficar longe daqui deste imenso desabafo virtual que inventei.

Tentarei ser breve. A dorzinha de garganta virou um edema de glote, que me paralisou a respiração na madrugada de ontem. Assim que me dei conta de que o mundo tava caindo, lá pelas três e meia da manhã, voei num táxi, já acostumada a crises de asma, e me enfiei na emergência do mesmo hospital onde a fofa da anta da residente ignorou meus relatos de possível alergia horas antes. Claro que a manezice da médica, confirmada pelo médico que me atendeu no susto, quase me leva pra morada do Senhor,uma vez que a anta nem percebeu que eu já tava um processo alérgico de tarde e me passou um remedinho besta.

Foi isso. Já é quase uma da tarde, tô sem um grão de comida no estômago, acabei de chegar em casa, com bracinho roxinho de hematominha do sorinho - os enfermeiros do hospital daqui também usam diminutivozinho. Ergh.

Minha deliciosa madrugada só teve contornos de alguma alegria graças à gatice do médico bacana que me atendeu a madrugada inteira, que ficou puxando papo agora de manhã, a despeito dos dois pobres pacientes que estrebuchavam na fila. E graças ao sensacional casal adúltero que foi pego no contrapé pelo mal súbito da moça. Os dois foram parar no box ao lado do meu, o homem enlouquecendo pra inventar história pra mulher e pro filho, já ligando de manhã pra saber dele. Não tem preço.

domingo, 4 de maio de 2008

Dor insuportável no raio da garganta, nem o purezinho com molhinho desceu. Só a cama salva. Fui

"Foi algum trauma que a senhora sofreu, Dona Maria?"

Sacudi a cabeça de um lado pro outro, com veemência, a mesma que usei pra abanar as duas mãos, sincronizadamente, pra indicar minha resposta negativa à pergunta da mocinha do Raio X do Hospital Rio Laraneiras, que me atendeu agora há pouco.

Ela atendia, na verdade, solicitação da médica que ma acompanhou nas mais de três horas que passei na emergência de lá, estrebuchando porque uma violenta infecção na garganta (de manhã, era só uma dorzinha de garganta) me deixou completamente sem voz e sem ar. Diz ela que é vírus, e me atochou de remédio e soro e os caralho até eu voltar a emitir algum som.

Jogo do Mengão? Acompanhei de longe, soro nos corno, pelos berros dos enfermeiros.

Ligar pra alguém? Fica difícil quando se está temporariamente muda - podia estar noiva do George Clooney, que não ia dar pra avisar ao fofo do ocorrido.

Jantar? Purê de batatas com molinho madeira de uma carne assada, que é a única coisa que me desce.

Começo a me organizar pra fazer alguma viagem cármica ao Tibet ou, sei lá, a Porto das Caixas, que é aonde meu orçamento me levaria neste presente momento.

O cigarro da Wilza Carla: valhei-me meu São Sigmundo

Cara, nesses últimos dias de toda essa minha ladainha, tenho tido uns sonhos que fariam o velho Sigmundo corar. O primeiro delírio se passava num apartamento qualquer, que era a minha casa no sonho. Por conta da ex-sócia que aprontou aquela cagada, botei o ser no sonho. Até aí, nada. Só que ela era encarnada pela Wilza Carla, que passou boa parte da trama me enfiando a porrada e queimando meu dedo com o cigarro. Acordei esbaforida, com a Wilza Carla em cima de mim me embolachando e me queimando. Por que a Wilza Carla se a ex-sócia é magérrima? Sei lá, acho que foi inveja de gorducha e me pareceu excelente vingança botar a mané gordíssima no sonho - tô aceitando explicações.

Noite passada, passei o sonho inteiro com o apartamento onde morava todo, absolutamente todo em obra - bandeira pouca é bobagem. Tudo do avesso, com pessoas estranhas zanzando, uma barulheira infernal. Em algum momento, comecei a gritar igual a uma louca "CHEEGAAAA" e fui expulsando um por um. Sobrou pra minha mãe, com quem eu gritava também. E até pro Cesar Maia, que, em algum momento, foi no meu apê jantar. (!!!???!!!)

Que medo que tá me dando de mim, meu Deus.

E tirei o clip da Bethânia porque aquela felicidade toda tava me irritando. Também num tô afim de olhar no olho de ninguém. E pronto.

Ah, o computador voltou a funcionar

Assim. Como se nada tivesse acontecido. Voltou. Nem explicou por que me ignorou ontem de noite. E eu deixei voltar. É..., onde é que eu já vi isso?

Explicando a pizza congelada da Sendas

Já levei mais de uma bronca aqui por conta do raio da pizza congelada, o que é igual a ter chutado o balde com relação à dieta. Tá bão, já me arrependi. Além do mais, já num falei que vomitei a bicha? Um pouco de misericórdia, pelamordedeus!

sábado, 3 de maio de 2008

Tão achando que eu tô de sacanagem, né?

O computador mór desta casa acaba de dar pau, acho que é vírus. Só me sobrou o bom e velho notebook. O outro reinicia e apaga. Preciso dizer que o piloto do livro tá nele? Não, né? Vou pra cama antes de enlouquecer pensando nisso, pra acordar amanhã, domingão, pronta pra salvar todos os posts do blog aqui, copiar no pen drive e coooooomeçar de noooooovo, como diria a boa Simone velha de guerra.

Também não consigo compreender porque, a cada vez que penso na minha vida e na tristeza de sempre, vomito as tripas, como acabei de fazer ao perceber que o computador que me custou um dinheiro parou de funcionar - e olha que gastei outro dinheiro, pouco, pra comprar a pizza congelada na Sendas umas horas antes. Tá foda: fofa e bulímica nem eu güento. Só Froid.

Uma vez, um amigo meu que tava passando por situação maluca também ficou sem computador e concluiu que, quando cê tá mal, parece que o mundo que te rodeia compreende e reage. Acho que meu computador, o outro, deprimiu. Saco.

Caralho, acabo de lembrar que vomitei junto os remédios pra pressão e a pílula. Na boa, só a cama salva. Fui.

Saco. Tô mulezinha demais neste sabadão à noite. Coisa mais insuportável. Deve ser saudade, mas não admito nem à paulada

Num foi nada, não

Num tô raivosa. Num tô puta. Num tô nada. Triste, talvez. Mas acho que o que tá me matando é este sentimento de "num tô nada, não". Acho que, na boa, num foi nada, não, este ano de 2008 até agora.

Tudo bem, tô em surto depois de desabafar. Mas, se o mané-loser do Barry Manilow pode recomeçar, eu também posso

"Ready to take a chance again" = "Pronto pra me arriscar de novo"

"Eu tô tristão, tô sofrendo pra caralho..." Galera contra o palavrão na rede, releva, aê. Ah, tem umas bobagens no fim, mas só tinha esta versão.

Ordem no barraco

Tá, bão, tá bão. Vamu botar ordem neste barraco. A verdade dos fatos é que eu e o muso do blog, a porra do amor da minha vida, tentamos uma outra vez. Tentamos, apesar do estrago natural feito pelo blog. Tentamos, apesar do meu jeitinho de reagir às turras quando me machucam e de amar demais, sem tino. Tentamos, apesar do medão do rapaz de se envolver à vera. Some-se esses três fatores a uma vaca leitora do blog que andou passando trotes pra todo mundo envolvido nesta trama, incluindo esta humilde jornalista; mais uns outros detalhezinhos que não vai dar pra contar aqui, tô dando um milhão de coroas tchecas pra quem adivinhar o que aconteceu: outro chute, dor em dobro, sentimento de derrota triplicado, auto-estima em Tóquio, coração estraçalhado de vez.

Claro que pensei 30 vezes antes de botar isso no blog, mas isto aqui ainda é o diário da minha vida besta, na qual ninguém manda, nem eu mesma, ao que parece. Foi mal, aê, precisava desabafar.

Ah, pega também a frustração por ter apostado tudo na cachorra da sócia como última tentativa de fazer meu projeto dos sonhos (o site de notícias em inglês sobre o Brasil, longa história) dar certo, mais ter sido roubada pela mesma dentro da minha casa, dá-se o caos.

Isso tudo aconteceu em uma semana.

Pronto, falei. Se tem boa notícia nesta confusão, é a de que vou me virar em livro à tapa, que, talvez, pode virar um sucesso editorial - se der, vira sitcom também, que, agora, tô puta. Tá, tá, eu sei que a autora do Harry Potter chegou a pensar em suicídio tamanha a pindaíba em que se encontrava quando teve a idéia de escrever o livro. J.K.Roling é minha pastora, nada me faltará.

Pretos e gordos no Olimpo. Infalível em casos de auto-estima baixa

É ridículo, é uma trama mega-adocicada, mesmo pros meus padrões de fã incondicional de musicais. Mas é absolutamente perdoável pelas espetaculares piadas politicamente incorretas ao longo do filme, sacaneando o racismo e a ditadura da estética americanos - a história se passa num tempo em que a integração racial era impensável lá e quando tavam tomando força os concursos de beleza de mocinhas, as avós da Pequena Miss Sunshine. De quebra, tem o John Travolta no papel de uma mãe gorda e o Christopher Walken de marido babão. Velho Travolta dá show dançando, "gostosérrima".

Ladies and gentlemen, please, welcome a cena final de Hairspray.

Sua Excelência, a Anta

Sei lá, tava pensando em mudar o nome do blog e falar mal de mim, mesma. Auto-estima zero e caindo.

Idéia fixa

O traveco que diz ter tomado calote do Ronaldo contou ao Extra que um "sexo oral" custa R$ 30. Aí, fiquei fazendo as contas: uns quatro por dia renderiam R$ 3.600 por mês. Considerando que não vou conseguir vender aquele livro autografado pelo Saramago nem tão cedo...

Tá, foi só uma idéia. De graça, já tá difícil. Foi mal.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

“Dona Rozana, quando é que eu vou perguntar pra senhora se tá tudo bem e a senhora vai responder que tá?”

Foi dito pela boa Lourdes, que faz faxina aqui em casa a cada 15 dias e fez a pergunta de sempre quando chegou aqui na quinta-feira. Eu, no computador, tirei os óculos fashion recém-comprados antes de responder com um seco "não". Ela achou que talvez pudesse ser mal de amor, pra variar. Contei a história da sócia, ela parou , imobilizada, bolsinha e guarda-chuva nas mãos, no meio da minha sala:

- Ah, Dona Rozana!

Ao contínuo, me deu bronca, mandando parar de confiar tanto nas pessoas, e passou o dia praguejando contra a maldade do mundo. Lindo. Só que serviu pra eu perceber que acabei me transformando naquela mala que, à pergunta "e aí, tudo bem?", tem sempre uma ladainha inacreditável pra contar, em lugar de responder com o sempre bom e eficaz "tudo bem".

Misturando com tudo que não contei aqui nesse meio tempo, mais um milhão de problemas de família, mais uma imensidão de ziquiziras que vou entubando sem expor no blog pra poupar gente inocente, mais o buraco negro que minha carreira virou nestes últimos seis meses, etc, etc, etc, sei não, mas acho que ando vivendo o pior período da minha vida.

Pior, acho desgraçadamente agora que tudo tá rolando por mea culpa, mea culpa, mea culpa – alguém aí tem um látego pra eu enfiar a porrada em mim mesma? Na verdade, o que acho é que todas as cagadas que me assolaram nestes últimos quatro meses aconteceram tão somente porque ignorei os sinais da minha própria intuição e fui me danando pelo caminho. Some isso ao estranho hábito que tenho de amar demais e de confiar em maluco, dã!

Aí, claro, vem a turma do "eu sabia que ia dar merda", "te avisei que ela [a sócia] era maluca". E, claro que, aí, me ocorre perguntar à galera, de novo, "tá, sabia, e não me explicou direito só de sacanagem, né?". Equivale, como já disse aqui, à mãe que deixa o filho bebê enfiar o dedo na tomada pra ele aprender que dá choque. Portanto, se o moleque morrer torrado, pelo menos reencarna mais esperto.

Que mania dessa gente, porra! (palavrão super-bem empregado, admitam)

Como diria meu anjo da guarda, "vai dar merdum". Mudança de planos

Tô aqui, prontinha pra sair pra rua, dois helicópteros pretos tão aqui infernizando a vida da vizinhança, sobrevoando o Bope. Boa coisa não pode ser e, na ausência do meu urubu amigo, que me vigiava do prédio vizinho, só posso ler isso como um sinal.

Não vou ver "Homem de Ferro" coisa nenhuma. Do jeito que eu tô, aquela gente vai começar a falar de como o mundo é mau, eu vou lembrar dos últimos acontecimentos, e vou acabar chorando igual a uma louca. Pois é, eu choro até em anúncio de plano de saúde, com aquela gente feliz da vida porque tá andando de UTI móvel.

Portanto, revendo a decisão política: vou é tomar caldo verde na Adega com Brás, o Cubas, que é o melhor que eu faço.

Fui.

Decisão política: vou ver "Homem de Ferro", pra ver se o cérebro pára de funcionar por umas duas horas. Fui

"Ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar"

"Oh, sim, eu estou tão cansado, mas não pra dizer que eu não acredito mais em você. (...) Oh, sim, eu estou tão cansado, mas não pra dizer que eu tô indo embora. Talvez eu volte, um dia eu volto, mas eu quero esquecê-la, eu preciso, oh, minha grande (...) obsessão."

Precisava gritar isso pelo conjunto da obra que tem sido este raio deste ano. Num tô nada bem. Foi mal, aê.