Fui dormir nada. Fiquei aqui, brigando com a impressora, que levou horas pra imprimir o livro todo - os cartuchos, agora, piraram, mesmo, juro que nenhum deles tá lacrado. Pois acabei imprimindo exatas 124 páginas, o que é igual a 120 de história mais quatro de dedicatória e introdução e tal, e acabei de juntar a pilha de papéis toda. Com a primeira página estampando "Sua Excelência, o Canalha - Rozane Monteiro", exatamente como eu escrevi no meu notebook no colo num certo Natal de 2007, ainda no ônibus pra Minas, babando de ódio, mais triste do que merecia, sem saber o que viraria; sabendo apenas que teria que ser algo que me lavasse a alma, nem que fosse um e-mail pro fofo, que amei tanto (já falei aqui que o pretérito perfeito é o que me sobrou de dignidade), desgraçadamente tanto.
Não, eu não sei o que tô sentindo agora, aqui, com essa pilha de papel me olhando. Já chorei. Já deschorei. Já ri, aqui, sozinha, pensando que publicar um livro sempre foi meu sonho mais querido. Já desri, concluindo que o livro dos meus sonhos de menina já escrivinhadora era muito mais digno.
Sei lá mais o que dizer.
Agora, sim, vou me embora, ouvir um pouquinho de música e cair na cama grandona na qual eu posso dormir na diagonal. Por um bom tempo, ao que parece.
domingo, 6 de julho de 2008
sábado, 5 de julho de 2008
Despacho, portanto, o livro e enterro, agora, sim, o defunto de vez, ao som do hino original desta pequena ópera bufa
Cantem comigo: "Hoje, tenho apenas uma pedra no meu peito, exijo respeito, não sou mais um sonhador, chego a mudar de calçada, quando aparece um flor, e dou risada do grande amor... MEN-TI-RA!"
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Exclusivo: autora anuncia cura (quase) definitiva
Foi assim:
Tava eu dando pinta na Sendas, distraída, e quase dou um esbarrão com um ser qualquer. Quando dou por mim, o ser qualquer tinha seus 50 anos, cabelo um pouco comprido, cinza, uns olhos azuis de Sinatra, jeitão de intelectual descabelado. Tá, eu jurei que não queria mais saber de intelectual, mas eu não presto, e minha palavra não vale uma coroa tcheca furada, todo mundo sabe disso.
Fato é que, depois do quase esbarrão, a aparição sumiu no mundo sem me avisar. Rodei, achei e acabei com um pacote de mussarela que não pretendia comprar, só pra passar de novo perto do alvo, localizado em alguns minutos. Cagou pra mim.
Na fila, alguns lugares atrás de mim, reapareceu. No caixa, foi parar grudado em mim, irritadíssimo com uma velhinha que tava atravancando a fila, que, eu, de tão cansada, não tinha reparado.
Fez um discurso mal humorado, divertidíssimo, defendendo a presença de idosos nos mercados em horários específicos, e eu, claro, garanti que a culpa só podia ser do gerente, quase derretendo, com aquele par de olhos azuis olhando pra minha fuça e com aquele jeitão ranzinza, charmoso que nem sabe. Em algum momento, me vi rindo mais do que devia das piadas do sujeito e me dei conta de que tava dando mole ostensivamente. Sabe aquela gargalhada, virando a cabecinha pra trás, meio tortinha? Pois é. Ridículo.
Ah, sim, claro, a essa altura, o belo deve estar muito do bem acompanhado. Ele tava, na verdade, era morto de pressa, com um vinho, frios e mais pãezinhos do que um único ser humano é capaz de comer numa noite.
Ai (suspiro).
Tava eu dando pinta na Sendas, distraída, e quase dou um esbarrão com um ser qualquer. Quando dou por mim, o ser qualquer tinha seus 50 anos, cabelo um pouco comprido, cinza, uns olhos azuis de Sinatra, jeitão de intelectual descabelado. Tá, eu jurei que não queria mais saber de intelectual, mas eu não presto, e minha palavra não vale uma coroa tcheca furada, todo mundo sabe disso.
Fato é que, depois do quase esbarrão, a aparição sumiu no mundo sem me avisar. Rodei, achei e acabei com um pacote de mussarela que não pretendia comprar, só pra passar de novo perto do alvo, localizado em alguns minutos. Cagou pra mim.
Na fila, alguns lugares atrás de mim, reapareceu. No caixa, foi parar grudado em mim, irritadíssimo com uma velhinha que tava atravancando a fila, que, eu, de tão cansada, não tinha reparado.
Fez um discurso mal humorado, divertidíssimo, defendendo a presença de idosos nos mercados em horários específicos, e eu, claro, garanti que a culpa só podia ser do gerente, quase derretendo, com aquele par de olhos azuis olhando pra minha fuça e com aquele jeitão ranzinza, charmoso que nem sabe. Em algum momento, me vi rindo mais do que devia das piadas do sujeito e me dei conta de que tava dando mole ostensivamente. Sabe aquela gargalhada, virando a cabecinha pra trás, meio tortinha? Pois é. Ridículo.
Ah, sim, claro, a essa altura, o belo deve estar muito do bem acompanhado. Ele tava, na verdade, era morto de pressa, com um vinho, frios e mais pãezinhos do que um único ser humano é capaz de comer numa noite.
Ai (suspiro).
Só eu não sabia
Precisei sair da lama pra descobrir o vozeirão dessa louca, nunca tinha parado pra prestar a atenção. Aí, tô aqui comendo comidinha comprada na rua, que não tenho forças pra me aproximar do fogão, começo a folhear o Segundo Caderno do Globo. Parei na capa, que traz parte da saga da moça que se dana desde sempre de tanta paixão e desatino e tá em surto porque tá longe do amorzão. Pois é. Acho tão feio moça assim. Ah, sim, começou a escrever quando era menina.
Ladies and gentlemen, please, welcome, Ms Amy Winehouse.
Ladies and gentlemen, please, welcome, Ms Amy Winehouse.
Expediente encerrado
Acabou a pilha. Vou me aconomizar, que o fim de semana promete mais ralação pra preparar umas coisas pra segunda-feira. Mais avião em algum dia da semana. Mais um milhão de coisas que tô com preguiça de contar. Mais nem me lembro mais o que. Parti.
Sinal dos tempos
Acabo de perceber, estupefacta, que não tive tempo ainda de ler a Rio Show, primeira leitura nas sextas-feiras durante o coma. Aliás, não só não li, como nem lembrei.
Aliás, lembrei, não vou nem falar do livro, que não tenho mais cara de pau de reclamar aqui que tá atrasadérrimo.
Este mês não pode acabar!!!!!!!!
Aliás, lembrei, não vou nem falar do livro, que não tenho mais cara de pau de reclamar aqui que tá atrasadérrimo.
Este mês não pode acabar!!!!!!!!
E lá se vai mais um diaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Bom dia, mundo; bom dia, flores festejando mais um dia que vem vindo; bom dia, meu povo: oi e fui. Olhada voando nos jornais rapidinho no café lá embaixo, que tô com preguiça até de abrir a geladeira e cortar o queijo. Depois, reunião fora. Dia comprido. Inté.
Vou acabar virando orelhão, de tanta ficha
Argh. Podem me sacanear, mas só agora me dei conta de que ficar cacarejando aqui seis meses só prova o quanto essa pessoa me afetou, o quanto deixei que me afetasse, o quanto amei atrapalhadamente. Ou será que amei (vou deixar no passado, mesmo, tá?) pra caralho, mesmo? Ou será que esse mané, que, aqui, virou canalha, teve só um surto de canalhice e eu, um de estupidez? Ai. Quero sossego, porra! Tô quase virando orelhão, de tanta ficha.
O que importa, o que tem que importar é o tempo do verbo: chama-se pretérito perfeito. Foi.
QUERO ME REUNIR NA MORADA DO SENHOR IMEDIATAMENTE!!!
O que importa, o que tem que importar é o tempo do verbo: chama-se pretérito perfeito. Foi.
QUERO ME REUNIR NA MORADA DO SENHOR IMEDIATAMENTE!!!
Eu avisei: não pára de cair ficha
Vem cá, só eu que acho ou este blog é um absurdo afago no ego do muso, praticamente, uma declaração de amor, de uma forma, assim, meio, digamos, atrapalhada? Argh. Que raiva. Vou tirar esta merda do ar! Humpf.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
O último chute que tomei foi quando, mesmo? Há uns 10 anos?
Aí, tô aqui esperando um retorno. Aí, nada pra fazer, na verdade, fui pensando na vida, aqui, enquanto postava algum comentário pateta lá com minhas caras leitoras. O mais doido é que, só hoje me ocorreu isso, aquele desespero todo de há algumas semanas e o próprio surto do Natal parecem que tão indo de vez pra algum recanto do passado. A lembrança do próprio muso parece que tá derretendo, cantando pra subir, igual à fumaça. Nem dói demais mais, nem raiva agora me ocorre. Aliás, nem do cheiro do muso, que eu jurava que tinha ficado impregnado aqui por semanas a fio, eu lembro mais. Parece que foi há anos.
Não vou falar que passou porque, como sabemos, daqui a pouco eu posso lembrar de algo e ter algum outro surto. Ou não, diria a turma do bom baiano. Mas é só que, ao menos agora, o Elton John no rádio tá me parecendo companhia muito melhor do que qualquer outro ser humano, uma paz absurda. Que medo.
Se eu quero companhia e tentar de novo, agora, mais esperta depois do escalpe e com a minha própria bolinha mais baixa? Quero, sim. Pronto, falei. Ai, tava entalado hoje o dia inteiro. Enfim, só pra encerrar este post quase romântico, tenho a dizer o seguinte: a percepção de que não desisto dessa minha mania de me encantar é assustadora, mas é o que me move. Fazer o quê, meu povo?
Ah, sim, não vou falar que fui, porque, da última vez, o telefone tocou duas vezes.
Não vou falar que passou porque, como sabemos, daqui a pouco eu posso lembrar de algo e ter algum outro surto. Ou não, diria a turma do bom baiano. Mas é só que, ao menos agora, o Elton John no rádio tá me parecendo companhia muito melhor do que qualquer outro ser humano, uma paz absurda. Que medo.
Se eu quero companhia e tentar de novo, agora, mais esperta depois do escalpe e com a minha própria bolinha mais baixa? Quero, sim. Pronto, falei. Ai, tava entalado hoje o dia inteiro. Enfim, só pra encerrar este post quase romântico, tenho a dizer o seguinte: a percepção de que não desisto dessa minha mania de me encantar é assustadora, mas é o que me move. Fazer o quê, meu povo?
Ah, sim, não vou falar que fui, porque, da última vez, o telefone tocou duas vezes.
Expediente encerrado
Foram só mais de 10 horas com a fuça aqui no computador, sem nem ter chefe pra falar mal. Acabo de, literalmente, dar ponto final num texto aqui e tô muito legal de ficar virando a chave do cérebro pra falar e escrever ora em inglês ora em português o dia inteiro - tá, eu sei, a regência desta frase tá errada, mas não há nenhuma possibilidade de eu reescrever; não tem perhaps; sorry.
Fui. Ou, como diria aquele povo ao Norte, "I'm out of here".
Fui. Ou, como diria aquele povo ao Norte, "I'm out of here".
"Problemas de ereção?"
Por que, por que motivo neste universo, eu tenho que ouvir no rádio um fofo repetindo a mensagem do anunciante: "Problemas de ereção? Ejaculação precoce?... Sexo é vida... Ligue para 0800..."
Dá vontade de ligar e mandar na lata: "Sim, moço, eu tenho problemas de ereção. Não vejo uma, por exemplo, há um tempão, desde que tomei um pé na bunda. Aí, eu lancei um blog, e aí é que ficou mais difícil, sabe, porque fiquei sofrendo como uma louca, e...".
Saco.
Dá vontade de ligar e mandar na lata: "Sim, moço, eu tenho problemas de ereção. Não vejo uma, por exemplo, há um tempão, desde que tomei um pé na bunda. Aí, eu lancei um blog, e aí é que ficou mais difícil, sabe, porque fiquei sofrendo como uma louca, e...".
Saco.
Falar mal de pedreiro pode?
Descobri uma gente pior do que os programadores da Paradiso, uma gente que vive de me torturar há seis meses. São os pedreiros da região. É assim: quando acabam uma obra, emendam outra, não dão trégua, são implacáveis. Agora, por exemplo, tem uma aqui no apartamento do lado. Claro que já lati igual a uma louca dentro de casa, sozinha, e imediatamente lembrei que este meu puleiro passou meses por uma obra que deve ter enlouquecido o andar todo, incluindo a dona da obra de agora, que é uma pessoa bem legal.
É isso. Tô aqui, humilhada, morta de vergonha, com o fone no ouvido, o que, como sabemos, não adianta quando tenho que falar aos berros no telefone pra resolver coisas de trabalho, em português E em inglês.
Ah, sim, e nem posso sair do meu charmosíssimo home office porque tem 30 retornos que preciso esperar.
Fora isso, tudo bem, obrigada.
É isso. Tô aqui, humilhada, morta de vergonha, com o fone no ouvido, o que, como sabemos, não adianta quando tenho que falar aos berros no telefone pra resolver coisas de trabalho, em português E em inglês.
Ah, sim, e nem posso sair do meu charmosíssimo home office porque tem 30 retornos que preciso esperar.
Fora isso, tudo bem, obrigada.
SOCORROOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!
Cansada de pensar, dei uma folga pro cérebro e fui lá no meu site bacana de horóscopo, duma americana que vive disso (www.astrologyzone.com). Diz a fofa:
"If you were born on September 18, double all your expectations regarding romance." ("Se você nasceu em 18 de setembro, dobre todas as suas expectativas com relação a romance."). Argh. Alguém pode me dizer por que essa louca tinha que citar o dia do MEU aniversário?
Ah, sim, a moça também diz que tenho que fazer a minha parte, sair, circular e tal, o que é, como sabemos, senha pra eu nunca mais sair deste meu recanto sagrado. Que medo, meu Deus.
"If you were born on September 18, double all your expectations regarding romance." ("Se você nasceu em 18 de setembro, dobre todas as suas expectativas com relação a romance."). Argh. Alguém pode me dizer por que essa louca tinha que citar o dia do MEU aniversário?
Ah, sim, a moça também diz que tenho que fazer a minha parte, sair, circular e tal, o que é, como sabemos, senha pra eu nunca mais sair deste meu recanto sagrado. Que medo, meu Deus.
Bom dia, mundo
Sim, é o que parece: já tô ralando. Não, não tô feliz. Aliás, tô. A vida, ao menos a profissional, tá boa. Só tô nas últimas.
E toma cappuccino na fuça. Oremos.
E toma cappuccino na fuça. Oremos.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Homenagem ao mês de reestréia do meu site em inglês, agora, que a anta aqui sabe onde está pisando e tem um plano de gente enquanto empreendedora
Ah, sim, setembro é o mês do meu aniversário. Na boa, este ano, eu mereço uma comemoração de gente. Até porque, andei desconfiada de que não chegaria aos 42, pelo menos não em sã consciência, enquanto me danava como uma louca desde aquela data de fim de ano que não ouso mais pronunciar o nome. E até porque, depois de me danar toda, tentando botar o raio do site de notícias em inglês sobre o Brasil pra andar, cometendo um milhão de erros empresariais, torrando dinheiro, finalmente aprendi e tô botando a fuça no mercado de novo com toda a cautela do mundo, coisa, que, como sabemos, é novidade aqui nesta alma selvagem.
Ih, nem contei. O livro ficou pro fim do segundo semestre, pra virar presente de Natal que cês tudo vão comprar, claro.
Ih, nem contei. O livro ficou pro fim do segundo semestre, pra virar presente de Natal que cês tudo vão comprar, claro.
A mãe de todas as fichas
É dramático. Não tem graça. E me ocorreu agora, elouquecendo aqui fazendo umas traduções e cuidando de assessoria de imprensa. Não, eu não sei porque lembrei dessa coisa enquanto procurava um raio duma palavra em inglês da qual não me lembrava.
É assim. Quando nasci, passei uns três anos com minha mãe biológica. A moça, pelos motivos lá dela, deixou que eu fosse adotada, o que, aliás, salvou a minha vida. Muito grata. Amo meus pais. Ocorre que o tal "abandono" nunca me desceu muito na garganta, e lá fui eu fazendo malcriação e esperneando pelo mundo.
Nunca ninguém mais que eu tenha amado, por assim dizer, me "abandonou". Só o muso.
Aun (com beicinho). Tadinho.
Não tenho culpa se, na primeira vez, não deu pra lançar blog e livro.
Ai.
É assim. Quando nasci, passei uns três anos com minha mãe biológica. A moça, pelos motivos lá dela, deixou que eu fosse adotada, o que, aliás, salvou a minha vida. Muito grata. Amo meus pais. Ocorre que o tal "abandono" nunca me desceu muito na garganta, e lá fui eu fazendo malcriação e esperneando pelo mundo.
Nunca ninguém mais que eu tenha amado, por assim dizer, me "abandonou". Só o muso.
Aun (com beicinho). Tadinho.
Não tenho culpa se, na primeira vez, não deu pra lançar blog e livro.
Ai.
Paradoxo mané
É assim, ó:
Quando eu tava bancando a princesa, achando bacana esperar o homem-da-minha-vida pra vir jantar, comer a minha comida, feita com todo o carinho (argh) do mundo, a vida tava que era um amor só. Minha carreira rolava barranco abaixo, auto-estima intelectual a nível zero, e caindo, mas o fofo achava lindo ter uma namorada "excelente dona de casa" e chegar contando, nossa, como tinha sido duro o dia dele no trabalho, sem nem perceber o quanto tripudiava no meu egozinho profissional, que agonizava.
Agora, com, praticamente, uma boa notícia profissional por dia, não tenho mais um raio dum macho pra vir jantar a comidinha legal que eu ainda sei fazer, mor-rer de orgulho da Rozaninha inteligente, como diria minha mãe, e ouvir as histórias do meu dia de operária da informação, já que, como sabemos, ando enlouquecendo, ralando como uma moura e rindo muito das trapalhadas todas de trabalho, que nem posso contar aqui. Sabemos nós, né? O muso é um ser superior e não deve nunca, nunca, mesmo, entrar neste meio de comunicação inferior, das massas, ler meus mal traçados posts.
Por que esta viadagem agora? Explico. Acordei atrasada, desci, peguei os jornais e fui tomar café lá embaixo enquanto passava os olhos nos tais. Aí, me vi de óculos, comendo, atracada a três nobres diários, sem nem pensar na vida, só procurando coisas que pudessem ter a ver com trabalho. Até que, claro, acabei pensando na vida e fiquei puta. É isso. Resumindo, é isso.
Fui.
Quando eu tava bancando a princesa, achando bacana esperar o homem-da-minha-vida pra vir jantar, comer a minha comida, feita com todo o carinho (argh) do mundo, a vida tava que era um amor só. Minha carreira rolava barranco abaixo, auto-estima intelectual a nível zero, e caindo, mas o fofo achava lindo ter uma namorada "excelente dona de casa" e chegar contando, nossa, como tinha sido duro o dia dele no trabalho, sem nem perceber o quanto tripudiava no meu egozinho profissional, que agonizava.
Agora, com, praticamente, uma boa notícia profissional por dia, não tenho mais um raio dum macho pra vir jantar a comidinha legal que eu ainda sei fazer, mor-rer de orgulho da Rozaninha inteligente, como diria minha mãe, e ouvir as histórias do meu dia de operária da informação, já que, como sabemos, ando enlouquecendo, ralando como uma moura e rindo muito das trapalhadas todas de trabalho, que nem posso contar aqui. Sabemos nós, né? O muso é um ser superior e não deve nunca, nunca, mesmo, entrar neste meio de comunicação inferior, das massas, ler meus mal traçados posts.
Por que esta viadagem agora? Explico. Acordei atrasada, desci, peguei os jornais e fui tomar café lá embaixo enquanto passava os olhos nos tais. Aí, me vi de óculos, comendo, atracada a três nobres diários, sem nem pensar na vida, só procurando coisas que pudessem ter a ver com trabalho. Até que, claro, acabei pensando na vida e fiquei puta. É isso. Resumindo, é isso.
Fui.
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