quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Boletim das 21h:

Meu povo, ainda tô caidinha, caidinha. Juntando isso com o Carnaval que já é, tô espichando a apresentação de pré-candidaturas de trastes em geral até o próximo dia 10, domingão depois do Carnaval. Oremos.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

O plantão do Sua Excelência... informa:

Blogueira acometida de gripe absurda, alma espirrando. Passei o dia no estaleiro. Volto amanhã, galera. Foi mal. Tá mole, não.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Segunda chamada: concurso Traste dos Trastes

Meu povo, esse post é só pra lembrar que até o fim desta semana eu vou postando aqui aos pouquinhos histórias de trastices alheias que já chegaram. Ainda dá tempo de inscrição de pré-candidaturas pelos comentários ou por e-mail pra mim (rozanemonteiro@gmail.com). Vale pra meninos e meninas.

A postagem de causos começou em 24 de janeiro. Seria bom a gente ir se movimentando pra escolher quem tem chance de ser finalista entre os que já estão aqui. Até sexta, os votos podem ser feitos nos comentários. Depois, com a lista final, vou botar a enquete no ar pra voto direto.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Traste brasileira no coração de Manhattan, seus dois namorados americanos e a cartomante de Nova Orleans


Reflexão pra cá, reflexão pra lá, lembrei de um momento absolutamente traste meu em Nova York, com um pobre dum cozinheiro americano. Resolvi contar, mas vou logo avisando que, como sou eu que mando aqui nesse barraco, fico automaticamente inelegível pra escolha do casal Traste dos Trastes. Cumpra-se. :)

Aos fatos, pois:

Houve um tempo em que eu piscava o olho, desembarcava em Nova York. A foto aí de cima tem quase 13 anos (toda mofadinha já, coitada), e foi tirada por mim a bordo de um helicóptero pra turistas, completamente apaixonada pela cidade. Torres gêmeas bonitonas, Empire State ao pôr-do-sol, só faltou o King Kong. Foi a primeira de quase umas 10 idas àquela terra.

Numa outra vez, em 1999, acabei conhecendo um cozinheiro ("personal chef", o bichinho esclarecia) num boteco do Village. Não dei logo, mas gamei. E fiquei na ponte aérea Rio de Janeiro-Nova York por um bom tempo. O manezinho chegou a vir ao Brasil. Chegou num certo 8 de setembro de 2001.

Dias depois, foi acordado por mim, com toda a calma do mundo, CNN já ligada: "Babe, teve um acidente de avião horroroso lá em Nova York; bateu numa das torres gêmeas." O resto da história todo mundo já sabe, e eu entrei de vez pra biografia do homem: ele tinha uns bicos no World Trade Center e poderia estar lá no dia do ataque. Passei o dia segurando na mãozinha dele, o pobre em choque, sem conseguir falar com a família e amigos porque os telefones tavam congestionados. Nem e-mail funcionava.

Aliás, passei o dia com ele, mais ou menos. Tive que ficar umas horas fora pra resolver um pepino no banco e pegar o dinheiro das minhas férias, já que o combinado é que eu iria pra Nova York com ele – acabei conseguindo, no meio do caos, e até mandei matéria de lá prum jornal do Rio uma semana depois dos ataques. Foi nesse tempo em que ficou sozinho que o bichinho quase enlouqueceu, desesperado, trancado dentro da minha casa. Um sujeito parou na minha rua com um megafone pra anunciar os ovos e queijos que vendia, e nosso herói, que não fala português, quase sai, segundo seu relato, com a mão na cabeça, certo de que era o FBI atrás dele. É judeu descendente de poloneses, mas com uma absurda cara de árabe branco.

Mas o que importa, mesmo, é que em 2002 ganhei uma bolsa pra jornalistas estrangeiros que me permitiu viajar por mais de 10 estados americanos em quatro meses. O combinado: como nós dois fazemos aniversário em setembro, ele passaria o aniversário dele em Washington comigo; e o meu seria com ele em Nova York. Casava direitinho com a programação da bolsa.

Pois é. Só que no meio do caminho conheci um louro de quase dois metros, celebridade na luta pelos direitos dos índios, único homem branco na hierarquia de uma tribo de Minnesota (na verdade, era uma cidadezinha no meio do nada, fundada pelos Ojibwe), e que, virava e mexia, brigava com remanescentes da Ku Klux Klan - "Rozane, eles hoje não queimam mais ninguém, mas são advogados, políticos..., ainda estão por aí", explicava.

Um milhão de grãos de milho da beira do Mississippi pra quem adivinhar o que aconteceu. Na boa, o cara cantou uma música tradicional que faz referência à cultura indígena americana à beira do raio do rio, olhando no meu olhinho: eu ti-nha que dar, foi quase uma obrigação histórica pelos ianques de bem daquele país.

Enfim, claro que me apaixonei, claro que ele também se apaixonou e claro que quis passar meu aniversário comigo em Washington, o que me obrigou a ir enrolando meu "personal chef" preferido, dizendo que não sabia mais se estaria em Washington e tal. Ele ficou tristinho, mas entubou, um tantico desconfiado.

De Nova York, não consegui escapar. É aí que começa minha trastice em estado puro. O pobre homem, depois de passar anos me tratando como uma ficante dos trópicos, me aparece no hotel com um buquê de rosas vermelhas. Não satisfeito, me levou pra jantar num dos restaurantes mais caros de Nova York – esqueci o nome agora, mas era um daqueles badaladérrimos, point de celebridade. Gastou uma pequena fortuna.

Tem mais. Depois me levou num bar super-gracinha e me apresentou como namorada, mesmo, pro barman amigo, prum outro casal, etc, etc, etc. Ele só não contava com a presença, no fundo do bar, de uma cartomante de Nova Orleans, mulher negra enorme, linda, enfiada num vestido vermelhíssimo. Desnecessário dizer que baixei na mesa da mulher, ela abriu o jogo e viu logo "um homem branco, grande, com muita paixão".

Não que precise ser cartomante num país de brancos pra concluir que uma gringa sul-americana morena desbocada, inglês fluente, iria acabar cativando um desses exemplares. A questão é que o rapaz das flores era baixinho e gorduchinho, anos-luz distante do príncipe citado pela moça das cartas, e eu já tava meio bêbada. Saí como quem acabara de ver a luz e despachei o pobre homem sem dó. A cena final foi, depois de ele não se conformar e exigir explicações, nós dois no meio da rua, eu, aos berros: "It’s over! It’s over!" ("Acabou! Acabou!").

Foi assim.

P.S.: Ah, sim, a história com o "homem branco grande" naturalizado índio durou mais ou menos um ano. Ele chegou a vir ao Brasil, mas a distância acabou com a gente.

domingo, 27 de janeiro de 2008

A dona do morro e Barrabás

Domingão modorrento, lambendo as feridas deste janeiro que não acaba, caboclo tatu triste amarrado no armário, vontade de mudar de assunto. E uma vontade ainda maior de escrever poesia, antigo hábito que o ofício de jornalista foi enterrando aos pouquinhos. Aí, fiquei quietinha aqui até o surto passar, que eu também não ia fazer essa sacanagem com vocês.

Mas lembrei duma amiga poeta. Dum verso que li há pouco tempo no blog dela (http://devaneiosliricos.blogspot.com):

"Sou vela acesa, desencontrada da procissão". Ai.

Imediatamente lembrei de outro, e tá faltando muito pouco pra eu ir pra janela gritar pro urubu do prédio vizinho, que hoje tá de folga:

"Não quero mais ser donzela, agora sou dona do morro!"

Pois é, acordei assim, com vontade de roubar poesia dos outros, com medo da minha própria.

P.S.: Alguém manda interditar a Ana Carolina, pelo amor de Deus. É eu sentar aqui, e a bichinha baixar no meu rádio. Que coisa mais infernal. Só perde pruma mala que a Paradiso bota pra cantar umas 30 vezes por dia. Tal da Ayo, que passa boa parte do hit que tá nas paradas pedindo pro sujeito voltar, "de joelhos, estou implorando, não me deixe". Por que, meu Deus, por quê?

P.S.1: Tem gente que acha que jogou pedra na cruz. Eu ando convencida de que eu era o próprio Barrabás. O bichinho tava lá, amarradão, pronto pra pagar os pecados. Foi trocado pelo filho de Deus, e acabou condenado a se danar o resto da existência. Aposto qualquer dinheiro que a anta baixou num certo 18 de setembro de 1966, 5 da tarde, no interior de Sergipe, terra que, como sabemos, só serviu pra acabar com a sanha de Lampião e parir esta jornalista que vos bloga.

Ih, tô chatinha hoje. Foi mal. Fui.

"Tu não sabe nem apanhar"

Essa veio por e-mail. De uma leitora que viveu no inferno com um traste de carteirinha há alguns anos. Traste violento, soltou a pérola do título quando o nariz da nossa leitora sangrou depois de um tapa.

Num tô me güentando! Pronto, desabafei. Fui

Eu, galinha d'Angola fofa largadona

Sabem o post do sujeito que achou bacanééééérrimo descobrir que podia "curtir transar com uma gordinha", lá embaixo? Pois é. Fez bem, não. Botei o post aqui, com a candidatura do traste, e fui imediatamente me olhar no espelho, coisa que tenho evitado, devo admitir. Um monte de carne sobrando, meu Deus. Um monte de mulé escapulindo roupa afora.

Fiz pior, fui no espelho do banheiro, luz do spotezinho fashion na lata. Fuça redonda, papo de galinha d'Angola largadona. Galinha asmática, aliás: em algum momento deste mês, abri o terceiro maço de cigarro no fim de um dia, tossi um pouco e tive a impressão de que algo estava muito fora da ordem. Fora a sensação de que, se eu fosse homem, não me pegava de jeito nenhum (tudo bem, dei bronca na narradora do post da gordinha, tô pagando a língua agora).

Tá, vá lá que seja, tenho cá meu cérebro brilhante, meu charme, meus cachinhos e meu humor ácido, coisas que, desde os tempos de moleca beijadora, foram me garantindo a lida; já iniciada na pista, por conta disso tudo, fui dando meu jeito de ir comendo gente. Mas, sei lá, fiquei mal com o post da anta alheia.

sábado, 26 de janeiro de 2008

O anão de jardim bígamo e o traste do Lênin

A protagonista hoje prefere definir o ocorrido como um espetacular "conto do vigário". Corta pra Salvador em 1967. "Amor à primeira vista", diz a moça. Um ano se passa. Estamos em 1968, "o ano das primaveras no mundo inteiro", minha amiga letrada define. Em pleno Carnaval, baile no clube Fantoches da Euterpes, viram namorados, ao som de "Eu te amo, eu te amo, te amo", do Rei, sempre ele. Só um parêntesis: alguém precisava processar o Roberto Carlos ou pelo menos denunciar o azar que dá ouvir música do fofo quando tem homem na parada.

Enfim, fato é que a vida separou nosso casal, e séculos se passaram até se reencontrarem. Em Itapoã: "Ele já tava me paquerando antes mesmo de me reconhecer". Internet já comia solta e foi um ano de e-mails "apaixonados", diz ela. "Você é a mulher da minha vida", repetia o traste, que admitia estar com uma mulher "que foi ficando, se impondo sem ele querer, do tipo que lava roupa, faz comida e ainda ouve o que não quer", na definição de nossa narradora.

Noves fora nada, em algum momento, minha amiga intelectual brilhante acabou convencida pela anta de que ele resolveria a situação e ela deveria, portanto, largar tudo e se mandar de volta pra Bahia, sua terra: "Atrás de um anão de jardim, de tão baixinho, com umas malas pra durar o que restava pra viver". O que ninguém disse à moça é que o que o rapaz queria, mesmo, era ser bígamo. Simples assim. Como se não houvesse amanhã. Ao relato da protagonista:

"Era um raciocínio brilhante, de tão simplista. Ele queria, segundo suas próprias palavras, uma mulher burra, submissa e escrava; e outra intelectual, companheira, a grande paixão. Quando não topei a história, ainda tive que ouvir que sou uma 'recalcada' e 'raivosa' porque sempre fui trocada, desde a adolescência, por professorinhas, burrinhas e escravinhas."

Em tempo: nossa leitora, sujeita politicamente seriíssima, reivindica a indicação de fantasmas históricos pro prêmio in memorian de Traste dos Trastes. Prefiro deixar o relato pra moça:

"Melhor que a minha história, só a do traste do Lênin, mas a condessa Inessa Armand não está mais viva para contar. Esse caso de amor do Lênin foi escrito pela Alexandra Kolontai, uma das mulheres mais famosas da Rússia e ex-ministra da Educação. Feminista, escreveu o livro no início do século passado, sem imaginar que iam chegar ao poder. É assim:

O Lênin, que ela chamava de "seu Senka", traía a mulher com a condessa, pobre menina rica, dizendo que ela, a mulher, era muito doente. E ainda arrumava uns trocadinhos da amante, antes de ser o todo-poderoso da União Soviética: "Deus sabe que já temos tido problemas demais. Aniuta está novamente doente, e o médico disse que ela precisa de repouso, o que significa que precisaremos de uma criada morando conosco. Mas, aí, surge o problema do dinheiro... Você sabe a nossa situação financeira..." Convencia: a pobre da condessa, cheia de culpa por ser rica, pensava que a vida parecia um purgatório para o seu amado.

Dava pra premiar fantasmas?"

"Nunca pensei que um dia eu fosse curtir transar com uma gordinha"

Nossa heroína tem 42 anos, e, segundo ela mesma, tá gorducha. "Quem sou eu pra ter preconceito, né?" - reproduzo, aqui, as aspas da moça, mas protesto: pó parar com isso, babe! Mas, enfim, fato é que, pra esquecer o "canalha sincero" que havia cruzado sua biografia, em suas palavras, ela andou "saindo com um traste nanico, metido a fodão".

No silêncio do depois, o manezinho, fofo, manda a pérola aí do título. com a palavra, nossa narradora:

"Eu tinha duas opções: morrer ou devolver a ofensa, no mesmo nível. Optei pela segunda e respondi, com o ar mais blasé do mundo, que a vida só nos prega peças. Sim, porque eu sempre detestei homem baixinho e estava alí, com ele, e nem tinha sido tão ruim assim."

Nunca mais se viram, com a graça do Dalai Lama e do Padre Marcelo.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O plantão do Sua Excelência... informa:

Desde que comecei a contar a freqüência aqui, dia 1º de janeiro, foram, até agora, exatos 4.113 acessos, e 10.121 exibições de página. Uoba! Valeu, meu povo!

Podem deixar que não vou postar mais o Fred Mercury cantando "We Are The Champions". Nem eu güento mais isso. Falar nisso, num tô güentando mais nem a malice do "I Will Survive", nem o Chico falando que chega a mudar de calçada quando aparece uma flor. Morra. Quem manda ser corno? Bando de losers.

"Te como pra cumprir tabela. Tu é fraquinha"

Ui. Essa doeu até em mim. Só dá campeão aqui, nesse nosso puleiro drmático.

A pérola do título foi dita a uma moça de 31 anos, que se assume carente na época e deu de dar prum cantor de uma banda de forró duro e enrolado com ex-mulher, ex-namorada, ex-tudo que use saia. Nossa heroína também resolveu adotar o traste, investindo no ser, ajudando a carreira do mané. A moto na qual ele desfilava pela vida era dela.

A trastice lá do título foi dita na lata da pobre, na frente da irmã do mané. Inda arrematou: "Fraquinha porque você não se oferece pra mim o tempo todo, como minhas ex, que vivem atrás de mim. "

Alô, galera dos comentários, falar que a moça mereceu eu acho uma tremenda duma sacanagem.

"Você é a mulher perfeita..."

"... não tem família pra encher o saco."

Dito pelo rapaz pra moça, num momento descrito por ela "como romântico, silencioso".

Ela: "O que você está pensando?"
Ele: "Sinceramente?"

E mandou a frase candidata aí de cima. Tá, ele foi sincero, ãrrã, ãrrã, ãrrã.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Moço pra moça: "Amor, eu te traí pra não te deixar"

Outro pré-candidato. Traiu e explicou: "Amor, eu te traí porque você trabalhava muito e não tinha tempo pra mim, pra relação".

"Oops, ele morava comigo. Como assim? A gente se via todos os dias."

Cerejinha do bolo: "Amor, eu te traí pra não te deixar."

Foi sumariamente despachado por nossa leitora.

“Oieeeeee, tudo bom, meu lindo? O que você acha da gente terminar? É melhor, né? bjxxxx”

Nosso herói, hoje aos 23, tinha 18 na época do ocorrido. Nossa primeira pré-candidata tinha 28. Pois é, ele gosta de uma moça madura. Essa, em especial, era, nas palavras dele: “Muito linda, em escala industrial; super-loura natural, dos olhos mais verdes do mundo, mega-sarada; o pacote todo completo; uma mulher que realmente dava dor de cabeça”.

Também jurava ser fiel: “Dizia ela, né?”.

Só tinha um probleminha. A moça vivia implicando com os amigos do rapaz. “São uns mongóis, retardados” vivia repetindo a pré-candidata. “Freqüentávamos a mesma igreja, aquela em frente ao Largo do Machado. Olha que bonitinho”.

Para o relato do dia do dia em que a loura natural despachou o fofo via torpedo pro celular dele, às aspas do belo, que são ouro puro:

8:30 – Ligo pra cachorra sem mãe pra dar bom dia e saber a que horas eu a pegaria no trabalho.

11:00 – A fulana me liga só pra dizer que tava com saudade de mim.

12:21 – Ligo pra ela, falando que tava saindo do colégio, e a descarada ainda me pergunta que vozes femininas ela escutava ao fundo. Queria dar uma de ciumenta. Deu certo, eu acreditei.

13:10 – Eu saio pra rua pra comprar uma Absolut. Ela gostava de uma vodka, puta soviética.

15:30 – Pego a receita do fillet mingnon ao molho madeira com cogumelos. Porra, eu detesto cogumelos, mas era pra ela, né? Homem é muito otário, mesmo.

15:33 – Lavo as mãos.

15:40 – Começo a preparar a carne, temperar. Corto as batatas e cenouras pro acompanhamento.

16:30 – Tudo quase pronto.

16:40 – Ela me manda um torpedo mais ou menos assim: ““Oieeeeee, tudo bom, meu lindo? O que você acha da gente terminar? É melhor, né? bjxxxx”

16:42 – Ligo pra ela, perguntando o motivo daquela sandice e morrendo de vontade de mandar ela à merda.

16:50 – Tudo terminado.

19:00 – Janto sozinho. Só as batatas e as cenouras, porque a maldita carne tá com os cogumelos nojentos de que ela tanto gostava.

Torpedo disparado, a moça fez mais. Doida por um jovem, resolveu passar a tropa de amigos de nosso herói em revista, os mesmos que ela chamava de "mongóis, retardados". Melhor amigo incluído. “Meu melhor amigo, há 12 anos. O cara ficou cheio de medo de mim. Aí, pensei: ‘Não vou privar meu amigão de faturar uma loura linda, né? Meio que dei a minha bênção”. Se pegaram, ela cansou e pulou pra outro da turma. Hoje, tá com outro, que nosso jovem cozinheiro vive tentando alertar pro fato de a fofa ser “uma cachorra sem mãe”. Claro que não adianta.

“Sou legal, sou romântico, mas tenho meu limite. Uma vez cheguei, com a maior delicadeza do mundo, e perguntei: ‘Vem cá, ô, fulana, me diz, aê, você vai querer dar pra todos os meus amigos? Sim, porque, aí, eu faço uma fila e você pode agendar todos bonitinho.”

Pano rápido.

Daqui a pouco, nossa primeira pré-candidatura ao prêmio Traste dos Trastes: a espetacular história da balzaca que despachou nosso herói via torpedo

Escolhi começar com uma mulher-cachorra pra lembrar que o concurso tá aberto a todos, que ser traste é um estado de espírito que independe de sexo e que não tô aqui pra generalizar.

Mosca frita no Largo

Vem cá, tudo bem que passei as últimas semanas vagando pelo Largo do Machado igual a um pombo bêbado. Mas alguém pode me dizer, por favor, em que momento da minha dor de corno minha vizinhança foi invadida por camelôs vendendo aquelas inacreditáveis raquetes que fritam moscas e mosquitos? A 10 "real". Com direito à demonstração dos fofos, que reproduzem o choquinho que o bicho vai levar com uma chave de fenda. Por que, meu Deus, por quê?

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Está dada a largada

Como o povo atendeu aos anseios da tribuna democrática em que se transformou esse blog, na próxima segunda-feira começam a ser apresentadas oficialmente as candidaturas para a eleição do Traste dos Trastes. Algumas leitoras já contaram aqui suas histórias, que estão sendo catalogadas. As inscrições continuam abertas. Lembro que vale também para rapazes vítimas de moças-trastes.

Quem não quiser aparecer nos comentários pode ou desabafar como "anônimo" ou mandar um e-mail pra mim, que a história será postada em sigilo (rozanemonteiro@gmail.com)

Ah, sim, paralelamente, vamos catalogar as melhores frases ditas pelos trastes rapazes ou moças. Já tem aqui uma bela coleção.

Coração bom é coração mudo

Aposto que, se eu perguntar ao povo aí qual a melhor cura pra certa dor de corno que tem me assolado, vai ter romântico sugerindo novo amor. Sei, sei. Tô bem legal.

Pois, fiquem sabendo que, ontem, depois de enlouquecer um pobre editor de um grande jornal carioca, e de eu, mesma, enlouquecer com umas traduções que nos fizeram amanhecer em frente ao computador, até por volta das 5 da matina, tenho a dizer: sabe que num deu nem tempo de sofrer? Juro. Considerando que hoje a ralação continua, coraçãozinho tá trancado na gaveta, amordaçado.

Resgate programado pra amanhã.

Fui.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Saudade da poltrona

Acho que tá batendo a mãe de todas as ressacas, nesse janeiro que não acaba. Daquelas de azedar o dia. Agora, por exemplo, daqui do computador, olho pro buraco que ficou no lugar da poltrona que foi parar na mão do porteiro, de tanta raiva depois do chute. Vai me dando, devo admitir, certa dor de corno, certa irritação. Pois é, agora, fico com saudade de poltrona.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Convocatória: Concurso Traste dos Trastes

Meninos e meninas, ganha corpo a idéia de a gente fazer aqui a eleição do traste mais traste que já infernizou ou ainda inferniza a vida das leitoras. Por mim, podia ser aberto também às mocinhas-trastes que andaram ou andam enlouquecendo os rapazes. Pra isso, o blog já tá desde sempre aberto a quem quiser mandar suas histórias de derrota (pode ser “anônimo”, nos comentários, ou por e-mail pra mim, que eu boto no ar).

Enfim, a gente pode eleger um casal-traste (mesmo sem identificar os dois, a gente apelida, sei lá) e pensar em como “premiar” simbolicamente a dupla no nosso Réveillon Fora de Época, logo depois do Carnaval. Ah, sim, pra quem tá chegando agora, o Réveillon Fora de Época é nossa tentativa de começar 2008 de novo, num chopão ou festa, dependendo do número de adesões.

Que tal?

sábado, 19 de janeiro de 2008

O traste que eu não peguei em Teerã

Essa coisa de purgar escrevendo é muito doida. De tanto escrever falando da minha dor, parece que tá quase passando, mesmo. Igual a resfriado. Aquela dor no corpo insana já passou, não fungo o nariz mais com tanta freqüência, o olho não arde tanto mais.

No peito, ainda tem um estrago aqui e ali, mas, ato contínuo, até pra sobreviver, vou lembrando das outras confusões em que me meti nos últimos 20 anos e vou aqui rindo sozinha, lembrando, sobretudo, de como andei sendo mané ao longo da minha modesta biografia.

Lembrei imediatamente do bom Hamid, da distante Teerã. Não, não era canalha. Era só... iraniano, o que, nas duas semanas que passei na terra dele, em 2006, gerou um choque de civilizações que, com todo o respeito ao povo islâmico, o enfiaria facilmente no nosso conceito clássico de traste.

Pra azar do bom Hamid, por uma questão burocrática, ele, que era guia de turistas tradicionais, ficou agarrado a uma jornalista, mulher desbocada do Ocidente, que queria chafurdar os segredos da sociedade iraniana. Enfiada num véu, passei aqueles 15 dias entre querer dar na fuça dele e tascar-lhe um beijo na boca no meio do deserto, por onde viajamos uns três dias no carro dele.

Não rolou nem uma coisa nem outra, por mais que eu tenha virado minha cabecinha pra anta, por mais que o coitado tenha tido surtos de ódio de uma mulher tão metida a macho. Andou montes de areia pra mim. Não deu nenhuma bola. Pior, um dia, quando falei todos os palavrões que sabia em inglês, aos berros, em frente a um parque, de tanto que o mala me encheu o saco, foi ele quem quase deu na minha fuça porque uns taxistas que estavam perto começaram a sacaneá-lo: “Você deixa sua mulher gritar com você em público”, coisa impensável pros iranianos tradicionais.

Isso tudo acabou numa conversa divertidíssima nossa no tal parque.

- Hamid, nosso problema é que somos parecidos demais. E, eu, pra meu azar, aqui, sou mulher.

- Você não tem irmão, né? Se tivesse, saberia que não se pode brigar com homem.

Acordei pensando nisso. Sei lá. Alguém me abraça!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Acabamos de bater 3.000 acessos em menos de três semanas. Um brinde à catarse!

Fala leitor: “Prazer, Canalha”. Galera, um rapaz escreveu se apresentando como o canalha de carteirinha. Às aspas do gajo:

Pois bem, andei lendo textos e comentários desse blog e decidi me pronunciar. Acredito que todas as pessoas têm um pouco do canalha dentro de si. Porém, ainda não descobriu este seu lado ainda. Quando descobrir, a vida, principalmente no que podemos chamar de "amorosa", vai fazer todo o sentido. A grande realidade é essa: pessoa muito boazinha só se fode! Homem ou mulher. Podemos citar um exemplo bobo, primário, mas bastante eficaz: as novelas. Sim, estas que vocês insistem em assistir, ficam aí se alienando, achando que a vida realmente é uma novela, o que não é verdade.

Seguindo meu raciocínio, pois o homem – principalmente, nós, canalhas, raciocinamos -, vou citar a única novela que eu realmente parei para assistir, Paraíso Tropical. Nessa trama da Globo, o que tinha de canalha... Acho que até o autor da novela deve ser um belo dum safado! Mais uma vez desviei o foco... Vou lembrar apenas dois personagens. Fazendo uma breve comparação. Então, o personagem Olavo, vivido pelo ator Wagner Moura, é exemplo vivo do que é ser canalha: fez uma porrada de merda com um monte de mulher (sem esforço, lembro de três), incluindo uma prostituta! Era um grande mau caráter (não confundam "canalhice" com "mau caratismo", pois muitos de nós temos um ótimo caráter). Tudo bem que ele morreu no final, mas também fez tanta merda, mas tanta merda, que até eu achei que ele mereceu. Mas vão dizer que vocês preferiram o personagem bonzinho, certinho (um trouxa nato!) chamado Daniel Bastos, vivido pelo ator Fábio Assunção? Se disserem que o preferiam, é uma mentira descarada! Aonde eu quero chegar com isso?

Quero chegar no seguinte ponto: mesmo quando o ator Wagner Moura fez papel de casado, tinha filhos, amava a esposa (o amor, ECA), no filme Tropa de Elite, continuou sendo canalha, dando tapa na cara de vagabundo e tiro em traficante, como deve ser! Garanto que todas vocês já pensaram nele, levando um tapinha de leve, seguida da frase: "Pede pra sair!".

Saindo da sessão alienante chamada televisão, pois, só assisto essa merda para ver futebol, pode ser um Fla x Flu ou até XV de Piracicaba x Seleção do Brasil Sub-13 de futebol, vi um humorista dizendo uma coisa que realmente fiquei de pleno acordo. Ele dizia que a mulher tem mania de idealizar um homem perfeito, um cara que mande flores, chocolates, a leve para um jantar a luz de velas, que abaixe a tampa da privada... Mas esse homem não existe. E se existir, é gay! Li um texto neste blog, em que um homem dizia que algumas mulheres de hoje também são canalhas, talvez por elas terem sofrido com algum de nós e, aí, se fechou para os outros. Resumindo, foi isso que ele quis dizer.

Pois bem, concordo com o rapaz, mas acho que ser canalha é um dom, ou você nasce com ele ou não. Não existe “Manual para ser um canalha”, acontece que elas aprendem a fazer pequenas canalhices, aplicam em alguns desses homens bonzinhos, coitados. E garanto que depois ficam morrendo de arrependimento por ter feito a tal canalhice, não se sentem nada bem por terem descontado em uma pessoa que não tem a ver com o seu passado, a sua raiva, o seu trauma. A realidade é que vocês gostam de um homem que não dê a mínima para vocês, de um homem safado, afinal, conquista fácil não tem graça! Acredito que nenhuma das mulheres com quem já estive vai ao meu enterro, sabe? Mas que vão ficar com muitas saudades, isso vão! Meu nome? Prazer... Canalha!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A praga

Fuça no travesseiro, insone noite passada, lembrei do que pode ser a chave de todo esse rolo. Lá pelo meio da década de 80, tive meu primeiro namorado de verdade. Cara bacana, fofo, apaixonado, rapaz de família. Do tipo pra namorar. Tão pra namorar que, embora a gente não fizesse planos reais de futuro, me parecia uma coisa meio natural que a gente fosse acabar se casando. As duas famílias estavam felizes da vida.

Só que comecei a trabalhar em jornal, o mundo se abriu pra mim num feroz carrossel, e o namorado legal foi ficando chatinho, chatinho. Eu só esqueci de dizer isso pra ele. Num belo dia, acordei, em estado de absoluta paixão pela minha carreira que iniciava, inventei uma retórica cachorra, e chutei o pobre, que, ficou, eu soube, igual a um tatu triste pelas ruas da distante Niterói. Também soube que ele andou praguejando contra minha pessoa. Rogou praga, mesmo, babando de tristeza e ódio, acendendo vela pra eu nunca mais conseguir quem me quisesse.

Meu Deus! Como foi que não pensei nisso antes?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

O Plantão do Sua Excelência informa:

Cês vão achar que eu tô ficando louca, mas aqui vai o relato frio dos fatos: o urubu voltou por alguns segundos ao prédio vizinho, eu derrubei o celular novo, que, claro, parou de funcionar. E esse ano que não acaba, meu Deus.

Enquanto há vida, há esperança

Comprei um raio dum vestido novo, sinal de que a cura está a caminho. Meu celular novo, que ainda tô pagando e tinha quebrado, hoje, do nada, voltou a funcionar. Ah, sim, o urubu do prédio vizinho sumiu de vez.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

"Ô, vida sem jeito"

De cara, eu achei que tava era chorando demais e que aquela luz do sol no fim de tarde, na cara ensopada, também de chuva, no fundo, me confundiu. Fato é que, enquanto eu arrastava caboclo tatu triste pra afogar na Praia do Flamengo, vagando pela Machado de Assis, tinha um raio dum arco-íris. Simples assim. Tô até agora convencida de que só pode ter sido obra da turma das flores do Largo do Machado, uma gente que anda tendo explosões de romantismo nas últimas semanas com o único intuito de me sacanear.

Na boa, pra que que eu tinha que abrir o bocão no post anterior pra falar de arco-íris, meu Deus? Falar em Deus, precisava muito daquele arco-íris hoje, eu, aqui, triste como eu mesma nesse início de ano? Coisa mais desnecessária.

Ainda a propósito de coisas desnecessárias: precisava muito daquele mané daquele vendedor de praia passar por mim cantando “comer tatu é bão...”? Deu vontade de abordar o sujeito e perguntar se valia pra tatu triste. Mas o tal do arco-íris já falecia, o coitado, e fiquei foi quietinha ali, em pé, catatônica, rindo sozinha do post que acabara de cair no meu colo, prontinho.

Tá, vá lá, me rolou metade d'uma lágrima, chuva na fuça, e me deu vontade de cantar "I'll do my crying in the rain" (Vou chorar na chuva) - a lógica da letra é que a anta vai chorar na chuva pra ninguém perceber que tá rolando lágrima na cara, etc, etc, etc.

Como diria o povo do Auto da Compadecida, do bom Suassuna: “Ô, vida sem jeito; ô vida desgraçada”.

Difícil vai ser achar arco-íris


E vou pra rua, pra ver se esse caboclo tatu triste larga de mim. Quem sabe essa ventania não me tira daqui do Largo do Machado e me carrega lá pra terra do Mágico de Oz? Tá, tá, eu sei, eu sei que vou dar de fuça com um leão covarde, um homem de lata sem coração e um espantalho sem cérebro. Cá pra nós? A essa altura, tiro de letra.

Canta o hino do blog, galera, canta o hino. Como um mantra. O negócio tá feio aqui pro meu lado: caboclo tatu triste baixou que baixou danado

Companheiro urubu

Tudo bem que ando frágil, mas tem um raio de um urubu que passa o dia me encarando do alto de um prédio que dá aqui pra minha janela. Coisa mais irritante. Ato contínuo, lembro da praga que o muso deste blog me rogou durante o cisma, segundo a qual, considerando a minha vida "desregrada" e minha fofurice, periga eu morrer antes dele.

Alguém me abraça!

Traste bom é traste morto

“Mu-lé-bur-ra, mui-to-bur-ra, pra-lá-de-bur-ra”

Cansei das massas oprimidas. Fico aqui, me danando toda, queimando a fuça em praça pública, soube hoje que uma conhecida de uma amiga da amiga, que tinha se enchido da trastice do mané próprio, voltou pro cara. Vivo enchendo o saco do gerente da Sendas pra avisar que lacrar sacola dos clientes que entram é ilegal, segundo uma lei que acabou de ser sancionada pelo governador, e hoje vi uma mulé agradecendo ao guardinha por ter fechado seu saquinho plástico com a fitinha. Ô, gente ingrata.

E olha que já tava pensando em comprar um daqueles microfones que os pastores evangélicos usam aqui no Largo do Machado, pra contar minha história, alertar as futuras gerações. Quero ver alguém me jogar pedra se eu arrumar outro traste pra cuidar dessa dor de corno que não passa, virar a cabecinha e lançar o blog elesatequesaolegais.blogspot.com.

Muito a propósito, uma amiga me lembrou dum sujeito que se esgoelava cantando um único hit aqui na região – quando os músicos dos Andes davam folga, claro. O refrão: “Mu-lé-buuuuur-ra, mui-to-buuuuura, pra-lá-de-buuuur-ra” rendeu horrores ao mané. Hoje, diz a amiga – a mesma das esfihas e das coxas do post lá embaixo –, de tanto anunciar que era corno no Largo do Machado, o cara subiu na vida e conseguiu comprar um amplificador maior. Pois é.

Aliás, falando em novas gerações, nesses meus tempos de reflexão, tava eu com meu bloquinho num boteco mais ou menos bacana na esquina da Rua do Catete com a Dois de Dezembro, lambendo as feridas, um bebê do meu lado se esgoelava. Menino. Uma cara de trastezinho do futuro que chegou a me dar medo. Deve ter dado volta em alguma bebê na creche, e aquela tristeza toda só podia ser culpa.

Meu Deus, carimbei de vez meu passaporte pro inferno agora.

Foi mal, mau humor horrível aqui.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O cachorro da Adega

Num espetacular momento Pollyanna, acabo de concluir que essa ópera bufa toda me fez desenvolver praticamente um olfato canino, que me permite identificar um canalha a distância e perceber que tem mulher muito mais anta que eu por aí. Na boa, até há alguns dias, chuva de fichas despencando na minha cabeça, tinha a convicção de que eu só não sou mais mané do que a próxima incauta que cair na conversa do meu traste. Mas certo casal paulista, que outro dia vigiei de longe - pois é, agora tô assim -, me confundiu.

Nada pra fazer, liguei a antena quando reparei que tratava-se de um homem de seus 60 anos e uma mulher de pouco mais de 40, que já moram juntos, ao que parece. Estavam estabelecendo "metas para o futuro", segundo o candidato a traste.

Às aspas, que são ouro puro:

- Eu abri mão de muita coisa, deixei você fazer as coisas - disse a pobre, em algum momento, pra acrescentar: Você não vai lembrar porque não foi você que foi ferido.

- Me crucificar é mole, quero ver é me dar dinheiro - retrucou a anta, que tomou na fuça:

- Quando você morrer, eu não fico com nada. Quando eu morrer, você fica com meus dois apartamentos.

Babei de ódio, mas, enquanto pensava se devia subir na cadeira, qual fora Vladimir Palmeira, e fazer discurso, acabei me distraindo, e os dois já estavam de beijinho, cabecinha viradinha, olhinho brilhando, em pleno futuro.

Por que, meu Deus, por quê?

domingo, 13 de janeiro de 2008

Cien anõs de soledad

Eu, que, ando frágil, quase tive um surto quando abri agora a gaveta dos talheres e dei de cara com uma legião de formigas miúdas, uma gente que, como sabemos, não passa de leva-e-traz do Coisa Ruim - não do meu, cachorro do passado, mas do Capeta, mesmo.

Ato contínuo, lembrei das últimas páginas de Cem Anos de Solidão:

"El primeiro de la estirpe está amarrado en un árbol y al último se lo están comiendo las hormigas. (...) todo lo escrito en ellos era irrepetible desde siempre y para siempre, porque las estirpes condenadas a cien años de soledad no tenían una segunda oportunidad sobre la tierra."

A culpa só pode ser do cretino do meu anjo da guarda, que voltou de férias com a corda toda, ou do monte de açúcar que derrubei ontem na mesma gaveta e achei que tivesse limpado direito.

FUndación para el DEsarollo Urbano

Foi uma amiga, que acaba de lançar o blog sededeviagem.blogspot.com, quem descobriu na Costa Rica a sigla para a FUndación para el DEsarollo Urbano. Vejam na foto:

http://sededeviagem.blogspot.com/2008/01/avisos-inslitos-aos-navegantes.html

O corno da fila da Casa & Vídeo

O tal do filme do Harvey Pekar não me fez nada bem. Passei horas na fila da Casa & Vídeo de Botafogo agora à tarde, enlouquecendo, ligada na conversa do povo da fila. Acabei espremida entre um casal de jovens amigos atrás de mim, que discutiam sobre levar uma balança de cozinha digital importada ou nacional, e um casal à frente, de uns 50 anos, os dois. Ele, bonitão. Ela, bonitona. Tão bonitona, que me fez lembrar a tal da namorada casada do traste, que voltou ao Rio depois de meses às vésperas de Natal e ajudou a dar ao chute contornos mais dramáticos.

Enquanto o sangue ia subindo só de lembrar, eu, agarrada a minha novíssima tampa de privada, a jovem atrás de mim batia o martelo: “Vamos valorizar o produto nacional”. Essa gente toda me distraiu tanto, que, numa daquelas curvinhas do cercadinho da fila da Casa & Vídeo, enfiei o pé direito numa cestinha abandonada no chão e quase dei com a fuça nas costas do marido da bonitona.

Só serviu pra eu ter ainda mais ódio da senhora enxuta e ficar repassando toda a minha ladainha, chutada porque, entre outras coisas, o cachorro prefere uma relação sem riscos com mulher que não queira saber de futuro com ele. Em algum momento, o marido da senhora da fila interminável foi ficando com cara de corno, e foi me dando vontade de enfiar a mão nele também, gana que aumentou mais ainda quando ele pediu pra mulher pegar uma Fanta laranja na geladeirinha que tem antes dos caixas. Na boa, macho que é macho toma Fanta laranja?

Corta pro meu banheiro, eu, pingando suor atracada à privada, tirando a tampa velha, arrastando máquina de lavar e o diabo pra instalar a nova. Acho que foi a primeira vez que me atraco à privada sem vomitar. Quase me deu saudade da minha antinha preferida, que poderia, ao menos, reencarnar só pra trocar aquela merda. Imediatamente lembrei que não adiantaria muito. Quem abria sempre o vinho, quem, quem?

sábado, 12 de janeiro de 2008

Eu quero ser Harvey Pekar

Um dos filmes que a mané do post aí de baixo me sugeriu foi Anti-Herói Americano, biografia do autor de quadrinhos Harvey Pekar. Pensei: “Que mal pode haver num filme desses pra uma alma que sofre, né? Nem desenhar eu sei, né possível que me torture”.

Lembram do anjo que tava de férias? Pois é. Ao que parece, voltou. Com um senso de humor insuportável, o cachorro.

Armei todo o circo pra ver o filme. Ajeitei o colchonete e o edredon que hoje tão cobertos com uma manta no chão da sala até eu conseguir comprar um sofá - a poltrona do traste foi doada ao porteiro, lembram? Peguei minha comidinha árabe e o mate. Espalhei cigarro, cinzeiro e celular perto pra não ter que ficar levantando e botei o raio do DVD.

Necessário dizer que, quando minha amiga falou do filme, eu entendi errado. Achei que o biografado é desenhista - tá vivo ainda. Não é. É o autor dos textos dos quadrinhos. Quando dou por mim, o cara vai conseguindo, a despeito do empreguinho de merda, expressar o que sempre quis por décadas: a voz de sua própria alma nas situações mais inusitadas, o retrato de cenas cotidianas banais. Um anti-cronista mal-humorado que deu o jeito dele de ir enfiando nas tiras os amigos, a mulher e quem mais lhe cruzasse o caminho pra lhe emputecer.

Como se não bastasse, numa cena em que ele olha pra mulher patinando com a filhinha, tem um sax tocando ao fundo uma música da Noviça Rebelde. Cês vão achar que eu tô de sacanagem, mas eu juro que era My Favourite Things, aquela que a maletinha austríaca ensina às crianças pra espantar a tristeza. Claro que, a essa altura, eu já tava quase fazendo o pão árabe de lenço.

Ainda assim, fui fingindo que não era comigo. Até que o manezinho, ao se engraçar pruma dona, vai logo explicando por que tinha perdido o jeito pra namorar e quase me faz cuspir o tabule, de tanto rir, ou chorar, ou os dois, já não lembro mais:

- A minha última namorada foi uma canalha.

Esfihas e coxas

Ressaca da boa, me dei folga hoje, sabadão calorento. Não fiz nenhuma tradução que devia ter adiantado e estou atrasadésima aqui pra dar notícias. Fato é que fui bater perna, de chinelo, com uma amiga. Pastelzinho com soda e água num boteco da Praia do Flamengo. Uns chopes em outro puleiro na Rua do Catete, horas depois, ressaca já superada. Tricô o tempo todo, a tristeza só bateu, sei lá, umas 17 vezes.

Locadora pra pegar filme indicado pela amiga. E, claro, a célula árabe que, como já falei aqui, pensei em denunciar à CIA, pra ver se aquela turma se mexe pra me socorrer, erra algum alvo e acerta pelo menos um florista do Largo do Machado, uma gente que não respeita a minha dor.

Só então fui me dar conta de que o chefe da célula árabe é português - meu Deus, é uma rede! Fato é que o homem, de seus quase 70 anos, foi mais simpático que nunca comigo, e acho até agora que ele tava era cobiçando o corpinho da minha amiga.

O que o homem não sabe é que, minutos antes de ele aparecer, eu e a fofa engolimos uma esfiha falando de como brigávamos com aquelas veinhas que nos estouram nas pernas e vão nos enlouquecendo. Claro que ela indicou o médico que freqüenta e claro que ficamos as duas levantando os vestidos com a mão esquerda – na direita, cada uma tinha uma esfiha. Foi assim, sem nem pensar, a gente ia mastigando e mostrando uma pra outra as marquinhas nas coxas. A cena patética foi sendo narrada por nós com uma interminável lista de lamentos, como se não houvesse amanhã, como se não houvesse uma multidão a nossa volta.

Sério, mesmo, hoje perdi completamente as esperanças de recuperar a sanidade.

Motivo de força maior

Este blog está oficialmente de ressaca até lá pelo início da tarde de sábado. Culpa do divertidíssimo e super-esclarecedor Chope do Blog, num dos melhores botecos da Zona Sul do Rio de Janeiro. Mostrei minha fuça e o tal do vestido vermelho, que só agora percebo surradinho, puído nos lados. Sacanagem, ninguém me avisou: tem até buraco, galera, só vi agora. Também vi a lata de alguns blogueiros que andam me acompanhando nas últimas semanas e seus amigos queridos, uma das melhores coleções de loucas e loucos que já cruzaram meu caminho. Como diz uma amiga minha paulista: “Deus criou, o diabo juntou.”

Ah, sim, só sentei aqui agora pra escrever depois de ouvir o CD que tem “I’ll Survive” , aos berros, no fone enfiado aqui no meu ouvido. E não vou pedir nenhuma desculpa cristã por isso. Ouvi, mermo. Tudo bem, antes disso, baixou caboclo tatu triste, e eu chorei com um raio de um YouTube com a Roberta Flack cantando “Killing Me Softly”, no blog do Noblat. Não bastassem os floristas do Largo do Machado, agora, até o Noblat me sapateia a alma. Saco.

E que fique registrado: adorei o mimo da turma, mas, galera, foi mal, pirulito em forma de coração não vai dar pra encarar, não. Ficou na bolsa. É muita metáfora pra minha cabeça.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Praga de urubu

Tô eu, aqui, muito bem, me arrumando pra encontrar com o povo no Chope do Blog, daqui a pouco, pensando em que roupa colocar, e começo, sem nem sentir, a cantarolar "Com Que Roupa?", do bom Noel, quase esquecida do ocorrido no Natal. Me enfiei no vestido vermelho da primeira noite com o traste, também sem sofrer muito, batonzão da mesma cor, e continuei a cantar música.

Aí, tem uma parte que é assim: "Meu paletó virou estopa, e eu nem sei mais com que roupa...". Só que eu não lembrava.

Mandei: "Meu coração virou estopa...".

Na boa, tô legal de mim. Fui.

Alguém chama a CIA, por favor

Tava almoçando lá na velha Adega de guerra, aqui embaixo, com pressa porque tenho 30 coisas pra fazer ao mesmo tempo, e fiquei pensando. Esse raio desse chope que tô marcando com meu respeitável público acaba de me lembrar que tô gordíssima, meu Deus. Fruto de um regime que nunca consegui fazer – já não falei aqui que peguei do traste a capacidade de ignorar promessas que faço até a mim mesma? E fruto da imensa tristeza que tem me feito mastigar tudo o que vejo na frente. É, bem, quase tudo.

Aí, pensei: "Ninguém vai falar, mas aposto que vai passar pela cabeça de todo mundo que tem lido esse blog, quando me virem, fofa, hoje à noite: “Também, gorda desse jeito...” Estou, desde então, perseguida por estranhas indagações. “Será que o traste acabou concluindo que não queria uma mulher gorda?” “Será que, se eu tivesse cumprido a promessa de emagrecer, ele teria, sei lá, ao menos esperado passarem o Natal e o Réveillon pra me chutar?”

Todas essas reflexões me vieram enquanto comia. De cara para, adivinhem, os tais floristas do Largo do Machado. Desculpem a ladainha, mas será que ninguém vai se indignar com esse flagrante desrespeito à minha dor? PM e Guarda Municipal, ali, irresponsavelmente compactuando com aquela turma.

A única saída vai ser chamar a CIA. Sei lá, me ocorreu, agora. Eu podia fazer uma denúncia anônima, dizendo que tem ali perto, numa galeria, uma perigosíssima célula árabe, que há décadas arrasta multidões em busca de umas suspeitíssimas esfihas de carne. Tradicionais e deliciosas? Sei, sei. Quem sabe aquele povo do Norte não se anima, toma de assalto a tal galeria e arredores e acaba logo com os floristas e com a minha dor numa espetacular Operação Tempestade no Largo.

Traste do passado

Nessa chuva de fichas em que se transformaram meus últimos dias, lembrei de um traste antigo, o famoso Coisa Ruim, canalha de carteirinha.

Infiel como ele só (tudo bem, eu era a corna mansa da parada), uma vez, distraidíssimo, veio me devolver um batom que eu (!?!) tinha deixado na casa dele.

- Querido, não é meu.
- É, sim.

Pré-Réveillon Fora de Época hoje?

Galera, tô completamente enrolada, sem tempo de rastrear o e-mail de vocês nos outros posts pra convocar pro chope hoje. Confirmem presença com comentários aqui, por caridade. Também precisamos escolher lugar.

Annie Lennox, Maria Von Trapp, Maria Rozane e Seu Monteiro

Tava aqui pensando, depois que escrevi o último post: esse clip da Annie Lennox cantando "Everytime We Say good Bye" é de uma tristeza atroz, e claro que já me dei conta de que preciso me livrar, rápido, dessa trip pra-que-sofrer-pouco?. Até porque o clip é piegas demais. Tão piegas quanto às vezes sai texto de certa jornalista descolada que toma volta de traste depois de ter planejado futuro com um macho pela primeira vez em 41 anos, gosto sempre de lembrar.

Mas me lembrou minha infância, o que só serve pra piorar o quadro.

Eu tinha uns cinco ou seis anos, lá pelo início da década de 70, quando fui ao cinema pela primeira vez. Com meu pai. Na verdade, era a projeção de um filme na quadra coberta da minha escola, em Niterói. A Noviça Rebelde - por que não, né?

Fato é que meu pai se enrolou, e a gente se atrasou. Chegamos em cima da hora, melhores lugares já ocupados. Acabamos sentados à direita do projetor, colocado no meio do auditório, entre as duas fileiras de cadeiras, uma coisa, pra mim, imensa, estranhíssima. Ficamos um pouco atrás da máquina, que meu pai me explicou ser de onde saía o filme. Por conta disso, passei a projeção inteira entre olhar pra tela e desviar o olho pro projetor, achando esquisitíssimo aquela poeira flutuando no facho de luz virar gente cantando na tela.

Ah, sim, meu primeiro nome é Maria.

Nunca mais larguei nem da Noviça Rebelde, nem do cinema, nem do meu pai.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Pô, galera, releva, vai, releva, o negócio tá feio pro meu lado aqui no Largo do Machado

Tá, eu sei, eu sei, eu sei que postar "I Will Survive" é uma decisão polêmica, radical, piegas e obviazinha. Mas é que baixou o tatu triste aqui, e eu fiquei vendo no YouTube "Every Time We Say Good Bye" ("Toda vez que dizemos adeus"), na versão da Annie Lennox (http://www.youtube.com/watch?v=ON0qcXzuUYU).

Eu pre-ci-sa-va de companheira Gloria nessa hora difícil. Foi mais forte que eu.

E que fique dito: eu só aceito levar pedra na fuça de quem, do mulherio, nunca dançou isso, com os bracinhos pra cima, cabecinha virada pra trás, pensando em algum traste. Da homarada, bem, da homarada, quer saber, também não aceito levar pedra nenhuma, que já levei muita de um representante da raça.

Calma, meninos, a-mi-ga, a-mi-ga, a-mi-ga. Não tô generalizando. Pi-a-da, pi-a-da, pi-a-da.

Pronto. Desabafei. Vou ali comprar cigarro e ver se não volto pra mim mesma, numa versão feminina completamente esquizofrênica daqueles trastes que abandonam suas mulheres sem nem dar tchau. O meu, pelo menos, deu e..., não, não, não vou relevar. O cachorro errou na forma e no conteúdo. E no alvo, aliás. Tadinho.

Um mimo pra recuperar a auto-estima

Mulheres que tomam um chute e ficam com o coração aos pedaços costumam pegar o primeiro dinheiro que entra e tratam de comprar um vestido novo ou qualquer outro mimo pra dar uma renovada. Eu, dura como um coco, vou ter que me virar em tampa de privada nova. Começa a passar dos limites o caos que está minha relação com o banheiro. Mas, sei lá, acho que pode dar uma calibrada na auto-estima.

Meu Deus, a minha vida não tá fazendo mais o menor sentido.

A maldição da canja

Tem bem um restinho de arroz na geladeira. Peguei hoje pra ver se o bicho ainda vive, e meu cérebro ameaçou pensar: "Ih, pode virar canja". Mas foi rápido ao registrar o novo post: "Canja não entra mais nessa casa". Não tem mais ninguém mais pra tomar a desgraçada da canja que Sua Excelência adorava.

E o nosso Réveillon Fora de Época, galera?

Deixa comentários aqui nesse post quem tiver afim de aderir ao nosso Réveillon Fora de Época. É o seguinte, como disse há alguns posts, eu já tô bem legal de 2008; aí, me ocorreu que a gente poderia fazer, de brincadeira, um Réveillon Fora de Época, logo depois do Carnaval, que é, como sabemos, quando o ano começa nesse país. Dependendo do número de adesões a gente ou se junta num boteco ou tenta reservar algum lugar maior. Não há possibilidade de não ser divertido.

Porco na cabeça

Claro que o número mágico da Sendas era cobra, e eu dancei. Não, não vou fazer nenhuma gracinha comparando o resultado com o muso desse blog, porque acho, sei lá, baixo nível.

Mas o melhor veio quando perguntei pro moço por que não tinha levado nada, se os dois últimos números (correspondentes aos centavos da nota da Sendas, iguais aos do meu cartão) estavam lá no papelzinho do resultado.

- Ué, a senhora não jogou na dezena.

Não joguei porque a anta não me explicou que podia. Saí cabisbaixa. Nem furiosa, fiquei, sério. Não cabe mais raiva nessa alma. Dei uns passos, mas voltei no cretino, só pra esse coração sofrer ainda mais. Pra que sofrer pouco, né?

- Moço, se eu tivesse jogado na dezena, quanto seria?

- Uns 300 real.

Se alguém encontrar, aí, com meu anjo da guarda, enfia a porrada nele, por caridade. Sim, porque perto de mim, como sabemos, ele não está há, sei lá, quase um mês. Tirou férias, o também cachorro, e o RH não me avisou.

Volta pro mar, oferenda


Foi o que me deu vontade de gritar no ouvido do mané hoje, enquanto caminhava na Praia do Flamengo, me sentindo a mais cretina das mortais por estar tão triste num dia desses, carão pro Pão de Açúcar. A sorte dele é que meu celular tava sem crédito. Pois é, eu tenho celular de cartão. Meu Deus, cadê eu?

A fofa aí em cima é a minha fuça.

"Sua excelência, a otária"

O titulinho foi a saudação de uma amiga, quando atendi à ligação dela hoje. Sacanagem.

Mas, ato contínuo, lembrei do raio do Natal e lembrei que o presente que meu trastezinho iria me dar, de menos de R$ 20, seria um socador de madeira mais bacana que o meu, pra eu fazer a caipivodka dele mais facilmente. Não, ele não sabia fazer caipivodka. Não tentou nem quando eu tava enrolada com os frilas, um dia, num fim de tarde, fechamento comendo solto no jornal pro qual eu traduzo textos em inglês. A irritação foi tanta por escrever com ele imóvel na poltrona já doada pro porteiro, que parei o que fazia e fui fazer o raio da caipivodka. E eu achava lindo.

Na boa, do jeito que eu tava, se ele tivesse prometido uma panela, acho que ia amá-lo ainda mais.

Pano rapidíssimo.

Momento Sendas

Dou o cartão pra moça do caixa, que faz cara de espanto: os últimos quatro números do cartão, que ela tinha de digitar lá, eram exatamente o equivalente à nota, com os centavos e tudo. Parou a fila, rimos todos, e eu, pela primeira vez na minha modesta biografia, encostei num apontador de jogo do bicho. O escolhido foi um dos que ficam aqui no Largo do Machado. Preferi o que estava mais perto da cabine da PM e da Kombi da Guarda Municipal. "Se alguém lembrar que é ilegal, vai ter de levar todo mundo", pensei.

Falei pro moço me explicar tudo, descobri qual era o bicho e dei 10 real pro trabalhador. Corre às 15h. Só não falo qual é o bicho agora porque não tô aqui pra dividir o dinheiro que ando juntando pra comprar o Google.

Vou dar uma volta na Praia do Flamengo com minha espetacular camiseta surrada dos Vikings, time de futebol americano de Minnesota (pois é, eu passei uma temporada naquele estado estranho), e uma bermuda jeans que comprei em Nova York quando a American Airlines fez o favor de sumir com minha mala por três dias. Ah, sim, na mesma viagem, fui atropelada por uma picape, o que me rendeu um hematoma espetacular na coxa direita, mas tô com preguiça de contar agora. Fui.

Foram dar intimidade...

Finalmente, chorei o caos. Chorei igual a um tatu triste, até ficar com dó de mim. Na boa, se a Hillary Clinton, que sobreviveu a um boquete presidencial, pode ficar chorando por aí, e tem chance de virar presidente do planeta, eu também posso tentar provar pra imprensa que “tenho sentimentos”, como a fofa andou declarando publicamente naquele estranho país ao Norte.

Engraçado, eu sempre fui chorona. Na boa, choro até em anúncio da Caixa Econômica, aquela gente planejando futuro, coisa que nunca me ocorrera antes de meu traste preferido me cruzar a biografia, aliás. Anúncio de plano de saúde, então, aquela gente feliz porque precisa de uma UTI móvel? Sempre acabou comigo. Mas, dessa vez, custei a chorar de jeito, pra purgar logo essa ópera bufa. Tinha, assim, uns surtos. Dessa vez, fiquei em choque algumas semanas. Até hoje.

Só pra lembrar: palhaço é assim, um dia te mata de rir, noutro chora igual a uma anta mané. Mais detalhes, alguém aí incorpora o raio do Chaplin ou do Marcel Marceau, uma gente esquisita, que o olho inchado agora tá me matando de sono.

"Eu sabia, eu sabia"

Tenho duas alas de amigos: aqueles que estão em choque, como eu; e aqueles que agora dizem "eu sabia que era um traste". Juram? Sabiam e não me falaram só de sacanagem, né? Equivale à mãe que deixa o filho enfiar o dedo na tomada pro moleque se danar todo e aprender uma lição de vida no susto. Se o coitado morrer frito, pelo menos reencarna mais esperto.

Eu tive uma jovem repórter que falava, quando eu era editora e o mundo despencava na nossa cabeça no jornal: "Cara, um dia alguém vai descobrir que isso é uma experiência da CIA pra testar os limites do ser humano".

Não consigo parar de pensar na possibilidade de eu ter sido abduzida algum dia, achando que tava era mais bêbada do que merecia. E agora, depois de me enfiar um chip na fuça, os caras me monitoram pra ver até onde sobrevivo tomando volta dos trastes que me cruzam a biografia. Trastes que, como sabemos, são agentes extraterrestes com a missão de testar os limites das fêmeas terráqueas. Com o apoio da CIA, claro.

Meu Deus, isso pega

Estou desenvolvendo a estranha mania de fazer promessas que não tenho a mais remota intenção de cumprir. Feitas a mim, mesma, o que é imensamente pior. Devem ter sido os meses de convivência com Sua Excelência. O tal do suflê que prometi fazer com os queijinhos que trouxe de Minas depois do Natal não saiu até hoje. Abri a geladeira agora, e os coitados dos queijos repousam lá, enrolados num pano de prato.

Ainda sobrevivem, são curados. Mas começaram a ficar meio amarelinhos, abatidos, tristíssimos, praticamente uma metáfora do meu coração-pastel-de-carne-moída. Meu Deus, não acredito que escrevi isso.

Me ocorreu agora: será que queijo Minas é igual a cachorro, acaba ficando com a cara do dono?

Se eu começar a chorar por causa de suflê de queijo, alguém me interna, por favor?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

A maldição do blog

Não que eu já esteja tirando meu boi da sombra, mas tava aqui pensando. Quando tudo isso passar - daqui a, sei lá, uns 57 anos -, e eu voltar pro mercado, em busca ou de um macho ou de um novo amor, tô achando que a galera vai ficar meio arredia, com medo de virar blog se encher muito o meu saco. Cá pra nós, eu, se fosse homem, não pegava uma maluca que desabafa na rede mundial de computadores. Meu Deus, virei mártir da causa!

Mas será possível?

Dei uma parada aqui para dar uma olhada nas eleições dos Estados Unidos, e ver se minha alma muda de assunto. Adivinhem o que eu achei? Um monte de fotos de casais felizes, festejando mais uma prévia que vem vindo, claro. É o Clinton aplaudindo patroa; é o McCain virando a cabecinha para a mulher... Meu Deus! O mundo se ama, é isso? Porrada em Marte e em Vênus.

Me mira, mas me erra

Coração frito no xinxim, ainda escorrendo a gordura na toalhinha de papel, fui num site bacana de horóscopo, americano, o www.astrologyzone.com. Depois de eu ler uma tela de texto e descobrir que minha vida profissional vai deslanchar etc e tal, a mulezinha levou outras duas telas pra me dizer que, nossa, 2008 É o ano do amor! Que o homem da minha vida está a caminho.

Ato contínuo, me ocorreu a sensação de ter lido exatamente isso no início do ano passado. Na boa, se eu cruzar com Vênus e Marte, enfio a mão na fuça dos dois, aos berros de "me mira, mas me erra, porra!"

Feliz é o...

A única boa notícia é que, no próximo feriado, ninguém vai ficar enchendo o saco repetindo "Feliz Carnaval" no meu ouvido. Alguém aí tem alguma idéia do que foi ter que ficar ouvindo "Feliz Natal" horas depois da mãe de todas as falsetas da minha modesta biografia?

Exijo respeito

Por que quando você tá com uma dor de corno de fechar botequim, o mundo resolve ficar feliz? É impressionante. Ando pelo Largo do Machado, vagando, como um tatu triste, não importa a direção em que eu olhe, tem sempre alguém beijando na boca. Isso, quando não tô com a fuça virada pro chão, igual àquela gente do Chico, que andava falando de lado. Tá, eu sei, eu sei, apesar do traste, amanhã há de ser outro dia.

Vou à Sendas, pimba: casais felizes fazendo comprinhas. Ontem, aliás, vi um de mãos dadas, sacudindo os bracinhos no ritmo da música que tocava, escolhendo alguma coisa banal como molho de tomate. Quase fui lá tomar satisfações: que falta de respeito, meu Deus! Depois, uma cidadã pacata (*) enfia a mão na lata duns cretinos desses, o povo acha um absurdo. Eu, ali, com minha cestinha azulzinha, com o coração igual a pastel de carne moída, e a dupla festejando o amor, num típico caso de má distribuição do afeto entre as gentes.

Sem falar na imensa quantidade de quiosques de floristas que tem aqui no Largo do Machado, aquela coisa bonita, rapazes comprando buquês pra suas moças. De repente, o mundo ficou romântico. Coisa mais desnecessária. Precisa de tanta flor? Parece locação de My Fair Lady. Cadê o Cesar Maia, que não vê? Aliás, cadê a Leila do Flamengo, que não bota nem uma faixazinha aqui pra me animar?

Na boa, numa cidade em que comércio fecha pra traficante defunto, nenhuma manifestação pública dos meus vizinhos em solidariedade à minha dor é uma tremenda duma injustiça.

(*) Tudo bem, sei que "pacata" não é exatamente o melhor adjetivo pra essa alma que sofre. Mas foi pra dar ritmo ao texto. Praticamente uma licença poética. Foi mal, aí.

O dedo podre

Estávamos eu e uma amiga no Capela (boteco-restaurante tradicional no Centro do Rio) há alguns anos, mesa repleta de rapazes bacanas, disponíveis, "ao menos ali", ela enfatiza. Sem nem querer, elegemos o mais atraente da mesa, tanto pelo layout quanto pelo conteúdo.

Conversando lá pelo fim da noite, entregamos uma pra outra quem poderia ser nosso alvo. Ante a coincidência patética, suspiramos, em uníssono, num silogismo espetacular:

- Nós duas gostamos? É canalha - falamos quase em uníssono.

Pois é, jantando com a mesma amiga ontem, lembrei.

Galera: o hino oficial do blog

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Se a alma não for pequena, tá valendo

Acabo de vir de um almoço que foi, diria, didático. Eu, uma amiga recém-separada e um amigo solteiro. Falamos de trabalho, que era o motivo do encontro, mas, claro que, lá pelas tantas, a conversa foi enveredando pra homens e mulheres em geral. Chora pitanga pra cá, chora pitanga pra lá, o amigo mandou na fuça das duas:

- O problema de vocês é que vocês querem pau com alma. Se nessa cidade tivese um clube pra mulheres, igual aos masculinos, duvido que vocês fossem ficar agüentando traste. Imagina, cê entra lá, bonitona, faz as unhas, o cabelo, enquanto os moços desfilam. Aí, escolhe um, e pronto. Sai renovada do que eu chamaria o verdadeiro salão de beleza.

Pronto, promessa cumprida. O amigo me fez jurar que eu colocaria aqui o já batizado post-do-pau-com-alma e iniciar o que, segundo ele, pode vir a ser uma campanha cívica, um chamado aos empresários de bem desse país. Aliás, alguém aí tem contato com o Eike Batista? Sei lá, tava pensando: se a gente der um jeito de plantar umas mudinhas pra compensar as emissões de carbono dos empreendimentos dele, o bichinho podia se interessar, né, não?

Se não colar, eu e esse meu amigo, que vamos trabalhar num outro projeto juntos, já deixamos aqui a palavra empenhada: quando a gente comprar o Google, mulher nenhuma nessa cidade mais vai ter que aturar traste com alma pequena.

Nóis, o Romário e o Bombril

A Suderj informa:

Acabamos de fazer 1.000 gols e já temos mais de 1.001 utilidades. Nesse exato momento, enquanto escrevo, o sistema me diz que foram 1.010 visitas e 3.182 exibições de páginas em uma semana! Na boa, não sabia que tomar um chute pudesse ser tão divertido. Começo a desenvolver certo afeto por 2008. Valeu, galera.

Fiquem aí com um momento não-tem-preço do Fred Mercury. Juro que tô quase levantando a mãozinha com o isqueirinho, me esgoelando: "Weeeeeeeee are the chaaaaampions, my friend". Alguém me abraça!

Chama a Suipa!

O crédito é pra uma amiga minha, com quem eu desabafava minha ladainha dia desses: "Cachorro! Rozane, chama a Suipa". (*)

(*) Sociedade União Internacional Protetora dos Animais

Outra amiga, aqui nos comentários, mais radical, mandou chamar a carrocinha.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Enquete: adivinhem de quem é a culpa?

Das moças que não percebem o cachorro que têm nas mãos, claro. Numa vitória expressiva, na enquete “Quando o sujeito é um canalha enrustido, frouxo que nem sente, a culpa é de quem?” (109 votantes), venceu a opção “das mulheres que caem na arapuca do traste por serem burras, cegas e carentes de marré deci”, com 56% dos votos. Tudo bem, eu, cega pelo poder que o blog me confere, até pensei em fraudar os resultados, mas, sei lá, não consegui.

Agora, que é uma sacanagem a gente ganhar até do próprio traste, ah, isso é. A opção “dele, mesmo, que é um palhaço sem sangue nas veias, com nervos de aço, e sem coração” ficou num honrosíssimo segundo lugar, com 37%. Pelo menos, tá no pódium, e a gente, que vai estourar o champanhe, pode lhe enfiar a garrafa no..., bem, enfim, também está no pódium a genitora do sujeito. O “da mãe, que mimou o futuro cachorro na primeira infância e nem ensinou a fazer ovo mexido” ficou em terceiro lugar, com 22%.

Na lanterninha, empataram o pai, “também canalha enrustido, o que abre a brecha pra uma discussão genética. Esse item é especialmente preocupante se o cretino tem filho homem” e Deus, “que podia ter sido um cara maneiro e poupado a humanidade”, com 11%, ó, bando de infiéis.

Falta meia hora pra acabar a enquete

Só pra lembrar.

Réveillon Fora de Época

Galera,

Andei conversando aqui com o povo e pensei no seguinte:

1) Que tal fazermos, de brincadeira, um Réveillon Fora de Época, pra começar 2008 de novo. Depois do Carnaval, que, é, no fundo, no fundo, quando o ano começa nesse país?
2) Já que o blog tá atraindo gente de idades diversas, homens e mulheres, que tal a gente, em algum momento do encontro, começar a trocar idéias sobres essas confusões que nos afligem, fazer um debate, sei lá?

O que vocês acham?

Em Praga também tem canalha


Não contei ainda que morei em Praga um ano, de 2004 a 2005, dando aula de inglês - essa foto aí é da minha rua, perto do Centro. Pois é. Tinha na escola um professor irlandês. Casado com uma tcheca. Canalha de carteirinha. Um milhão de coroas tchecas pra quem adivinhar por quem me interessei em toda a escola. Claro que dei.

Um belo dia, estamos todos no boteco de sempre, o Green Pub, perto da escola, mais dois amigos de infância do traste. Ficamos discutindo política e tal. O cretino, em algum momento, começou a falar mal da República Tcheca de forma patética, agressiva, perto de tchecos que falam inglês, o famoso desnecessário.

Dei-lhe uma bronca:

- Cara, por que tu não volta praquela tua ilhazinha de merda? Se esse país é tão ruim, o que você tá fazendo aqui?

Resposta do fofo, no meu ouvido, pra ninguém perceber:

- Tô aqui dando aula e comendo brasileira.

Eu nem tava bêbada, não, juro. Mas o sangue subiu de forma espetacular, botei as mãozinhas na mesa, levantei o corpinho, dedo em riste, aos berros, e fiz o discurso público que entrou pra história da turma:

- Você tá o quê? Você tá o quê? Fique sabendo, seu babaca, que tem que ser muito macho pra comer uma brasileira! Tu não tem pau pra comer uma brasileira! Teu pau é pequeno demais pra uma brasileira!

Devo dizer que dei uma editada no meu surto, porque ia ficar baixo nível demais aqui nesse blog fofo.

Fato é que Dana, nossa chefe, americana, foi me arrastando bar afora, eu, às lágrimas, falando o quanto a anta tinha ferido o meu orgulho cívico. Ela compreendeu, eu me acalmei. Me acalmei tanto que voltei ao bar, chamei o fofo pruma conversa calma, só pra eu entender por que ele fazia coisas assim.

Ele se autoproclamou um canalha, o que, sinceramente, me comoveu. Tanto que, claro, o traste amanheceu lá em casa. Dana queria me enfiar a mão no dia seguinte, quando eu contei.

O melhor de tudo é que a afirmação “teu pau é pequeno demais pra uma brasileira” é uma mentira absurda, canalhice pura minha. E, a não ser que ele passe a vida baixando as calças em público, graças à presença dos dois amigos de infância na cena, aquela ilhazinha deve estar completamente mal informada. Tadinho.

Pai, perdoai-a, ela não sabe o que faz

Eu juro que acordei de pança pra cima, os braços estirados pro lado, crucificadíssima na cama, coisa que, como sabemos, é impossível quando há visita. Não, eu não lembro se tive algum sonho bíblico.

Alguém tem que dormir aqui

Vou parar de comentar a contagem da enquete, porque alguém precisa dormir aqui nesse blog, nem que seja a autora. Tá em 73 agora, meia-noite e vinte. Me despeço mui atencioasamente. Sem mais para o momento, fui.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Sem comentários

A votação agora tá em 69. Mas vou poupá-los das 157 piadas que me ocorreram.

Aviso aos leitores

Amigos meus reclamaram que botar comentário aqui era chatinho, chatinho, burocrático. Dei meu jeito e facilitei as coisas, graças à mesma amiga que me ensinou a enfiar YouTube em Sua excelência, o canalha - com trocadilho, por favor. Fato é que ficou mais rápido agora, e dá até pra botar comentário anônimo, se alguém quiser contar alguma história sem se expor.

Só falta um 6

Ih, a votação chegou a 66. Se botar mais um 6 aí, essa coisa vira o Número da Anta. Credo.

A democracia é uma bênção!

Obrigada aos santos que votaram e tiraram o 63 da minha frente (ai, taqui ele de novo, ergh). Aliás, obrigada também por terem tirado o 64. Lembrei que o traste faz aniversário daqui a pouco, em março, e eu tinha pensado em fazer uma surpresa toda bacana com a letra da "When I'm Sixty-Four" (Quando eu tiver 64), dos Beatles. Pelo menos, economizei uma grana e trabalho.

Vota aê!

Vem cá, alguém, por favor, vota na enquete. Os votos estão em 63, que é a idade do traste. Tá me irritando taaanto. Até pensei em repetir meu voto, mas, sei lá, não conseguiria conviver com a culpa por ter fraudado meu próprio pleito.

A esperança até existe: 2009 vai ser meu ano!

Vem cá, todo mundo aí já tem programa pro réveillon? Não sei quanto a vocês, mas eu já tô bem legal de 2008.

Missão dada...

Pronto. Resolvido. Fui à Sendas num pombo e voltei no outro e já estou segura dentro de casa. Comprei o papel higiênico, a única coisa que realmente faltava no recinto – dignidade, que também anda faltando, não tinha na Sendas. E, não, não encontrei com o traste, que deve estar vagando por algum canto aqui perto até agora. Bom pros dois. Mas muito melhor pra ele que não tenha ousado se enfiar na minha Sendas. O tempo ia fechar.

Só não tenho orgulho de ter atravessado o Largo do Machado com a fuça virada pro chão e uma caneta na mão direita – na boa, pra mim, era o fuzil do Capitão Nascimento. Ridículo, saí de casa, furiosa, caneta na mão, sei lá por que diabos. Ah, sim, também fui cantarolando a música da Mary Tyler Moore, com vontade de mandar o cachorro enfiar o Largo do Machado no... enfim... Mas, como no mesmo lugar já deverão estar minha cadeira, meu ventilador e meu guarda-chuva, que ficaram na casa dele (longa história), achei que não caberia, mesmo.

Não que eu ache que tenha que fazer justiça aqui a personagem tão patético, é só por fidelidade jornalística aos fatos, mesmo: o mané até queria me devolver as coisas. Mas meu ódio era tanto, que, depois de sugerir o melhor lugar pra tralha, preferi não ter de encarar um encontro com a triste figura pra recuperar as coisas. Por enquanto, que fique dito.

Operação Sendas

Saco. Acabou o papel higiênico, apelei pra toalha de papel da cozinha, que também tá nas últimas. Esqueci completamente, e o quase encontro com o traste me atrapalhou toda. Agora, vou ter que descer. Não tem jeito.

Se eu demorar mais de uma hora pra postar aqui é porque encontrei, mesmo, com a anta, enfiei-lhe a mão na fuça e fiquei detida na cabine da PM daqui do Largo do Machado.

Fui.

"You can have a town, why don't you take it?"

Acabei achando a tal da abertura da Mary Tyler Moore, que nunca fez tanto sentido. Falar em sentido, a minha vida não anda fazendo nenhum, eu é que insisto. Pai-de-santo ontem em mim. Argh!

Detalhe importante: só achei essa versão, que começa com a abertura original, depois emenda numa versão caseira duma maluca. Portanto, quando aparecerem os créditos na fuça da Mary Tyler Moore, "pause" sem nem pestanejar, como se diz em Minas, terra da minha turma = pai e mãe. Vale só pelo início. É que não acho a original, sem penduricalho, nem por um YouTube enorme.

Repito a letra:

Love Is All Around (O Amor Está em Toda a Parte)

How will you make it on your own?
(Como você vai se virar sozinha?)
This world is awfully big, girl, this time you're all alone
(Esse mundo é imenso, garota, dessa vez você está absolutamente sozinha)
But it's time you started living
(Mas já era hora de você começar a viver)
It's time you let someone else do some giving
(Deixar que uma outra pessoa carregue o fardo)
Love is all around, no need to waste it
(O amor está em toda a parte, não o desperdice) N.R.: Ergh!
You can have a town, why don't you take it?
(Você pode tomar a cidade de assalto, por que não tenta?)
You might just make it after all
You might just make it after all

(Você poderia acabar conseguindo, no fim das contas)

Alguém me abraça!

Juro que tô me sentindo igual ao Renato Aragão, quando fala que as pessoas esperam que ele dê cambalhota na rua o tempo todo. Não sei se vou conseguir fazer graça nesse post. Ao relato, pois.

Acabei de descer pra comer uma bobagem no Devassa do Flamengo, levei bloquinho, anotei um monte de historietas que fui lembrando, feliz da vida com a repercussão do blog, orgulhosa por ter feito a maior limonada da minha biografia depois de levar tanto limão na fuça nessas últimas semanas.

Paguei a conta e, antes de levantar, ele, o muso inspirador dessa minha pequena obra de arte, me passa pelo Devassa, caminhando, lento, com a calma dos covardes. Simples assim. Não me viu, e eu quase infartei.

Levantei igual a uma bala, deixei o sujeito caminhando na frente, pra ver pra onde seguia. Claro que era pra cá pro Largo do Machado, o que é uma sacanagem, porra, cadê o raio do Tratado de Tordesilhas?

Fato é que tracei uma reta na outra calçada, disparei na frente, mas não resisti. Em frente à Sendas do Largo do Machado, pela entrada da Rua do Catete, passei pra calçada do cretino, com o intuito infantil de fazer com que ele me visse, literalmente, pelas costas, marchando qual fora soldado chinês, cachinhos ao vento - tá, eu sei que soldado chinês não tem cachinho, foi só uma metáfora visual.

Deve ter me visto. Não sei. Não importa. Ou importa. Aliás, claro que importa. Ainda importa. Desgraçadamente, ainda importa. Não, eu não sei que nome tem o que me ia no coração quando nos vi caminhando em calçadas paralelas, que não se cruzam, metaforazinha de merda. Não, eu não sei o que me vai no coração agora. Só sinto um profundo enjôo e uma tristeza cachorra.

No nosso mundo não tem lugar pra essa gente que já era. O nosso papo é alegria

Tava aqui, depois de orientada por uma amiga pelo telefone, já que todos ignoraram os apelos pra me ensinar a colocar a tralha do YouTube no blog, dei de cara com a abertura do Globo Cor Especial. E con-se-gui colocar!

Meu pai, preciso de alguém de 40 anos agora pra falar de tooooodos os desenhos da época.

P.S.: Depois de ver o Globo Cor, percebi que o mesmo babado que tá aqui permite ver um montão de coisas velhinhas da Globo. Vale dar uma olhada, eu juro! É só clicar em "menu" e passar o mouse sobre os micro-quadros no pé da coisa, pra escolher o que quer ver. Ixpetacular.

Fala, leitor

Povo, recebi um comentário de um rapaz que nos lembra que tam-bém há mulheres canalhas. Não resisto, que ainda sou uma democrata e isso aqui ainda é uma tribuna livre. Se também é livre pro muso inspirador desse blog? É, bem, posso pensar, sei lá, uns 15 anos?

Nosso leitor tem 24 anos, portanto, trata-se de uma alma que ainda pode ser salva. Às aspas:

"Homens também têm sentimentos e também há mulheres canalhas, etc e tals. Acredito que a proporção seja a mesma.Tem uma letra de John Mayer da música Daughters, que fala mais ou menos uma verdade e uma inverdade: "Com meninos, você pode terminar. Você verá o quanto eles agüentam. Os meninos serão fortes. Serão soldados. Mas nunca conseguirão viver sem o calor do coração de uma mulher."

A estória é assim, mas tambem não é assim. Quando a moça terminou comigo, eu fiquei arrasado e sem chão e foi tudo muito intenso. Acredito que seja a natureza do homem amar dessa forma meio que servil e dependente até. Tenho amigos que, após o término, digo, após mesmo, 10 minutos depois da notícia fúnebre, andaram de Ipanema até o Centro, fumando cigarros e apenas, simplesmente, pensando no que iriam fazer. Eu fiz algo parecido.

Existe um desequilíbrio de forças nessa guerra "insana" dos sexos. A mulher é boa; aí, conhece um canalha, que machuca a mulher. Essa mulher machucada, já calejada, não se permite mais ter certas emoções. A mesma mulher conhece um cara legal, que, por ela ter sido machucada, às vezes, ela faz o mesmo que o canalha fez. É um elo, um doente e ingênuo elo, que quase ninguém percebe e que temos que quebrar. Mas é complicado!"

Quincy Jones, Count Basie e a dor de corno da Voz

O Sinatra só gravou isso muito depois do chute da Ava Gardner, na verdade, mas aposto qualquer dinheiro que ele deve ter babado quando cantou a primeira vez. Claro que tá aqui, agora, tocando aos berros, num arranjo do Quincy Jones, acompanhado pelo Count Basie. E num tô nem chorando. Só por hoje, só por hoje!

À dor de corno mais chique do mundo, portanto:

I wanna be around (Quero estar por perto)

I wanna be around to pick up the pieces when somebody breaks your heart,
(Quero estar por perto para juntar os pedaços quando alguém partir seu coração)
Somebody twice as smart as I.
(Alguém duas vezes mais esperto do que eu)
Somebody who will swear to be true like you used to do with me,
(Alguém que vai jurar ser sincero, como você fazia comigo)
Who’ll leave you to learn that misery loves company, wait and see.
(Que vai te fazer aprender que um desgraçado gosta de ter outro desgraçado por perto)
I wanna be around to see how he does it when he breaks your heart to bits,
(Quero estar por perto pra ver como ele vai partir seu coração em pedacinhos)
Let's see if the puzzle fits, so fine,
(Veremos se fará o mesmo sentido pra você)
And that's when I'll discover that revenge is sweet,
(É aí que vou descobrir com é doce a vingança)
As I sit there applauding from a front row seat,
(Quando eu estiver aplaudindo, sentado na primeira fileira)
When somebody breaks your heart like you broke mine.
(Quando alguém partir seu coração como você partiu o meu)

Não tem preço. Na boa, acho que vou ganhar uma grana da Mastercard. Não paro de ficar repetindo o slogan dos caras. Tô dando mole.

Ava Gardner é minha pastora, nada me faltará


Se há uma coisa que nos aquece o peito quando a gente não encontra nenhuma bala perdida pra acabar o sofrimento, é saber que, a despeito do que achamos nos momentos de desespero, não somos a única anta do mundo que teve o coração transformado em pastel de carne moída.

Vejam o Sinatra, por exemplo, sujeito homem, voz bacana, olhão azul, uns amigos poderosérrimos, que adoravam um macarrão, um vinho e um tiro, nessa ordem, acho. Meio magrelo, é verdade, como registra uma foto enorme que tenho pendurada aqui em casa, entre a sala e a cozinha. Faltava uma carne ali no corpinho da Voz. Na minha parede, ele tá de banda, olhando meio pro alto, do lado de outra foto velhinha, menor, da Janis Joplin. Não, acho que eu nunca contei pra ninguém que botei os dois, assim, interagindo, porque me sinto um pouco como os dois, etc, etc, etc, uma coisa suuuuuper-Freud-cabeça.

A questão é que, nesse domingão que já começa chatinho, chatinho, acabo de lembrar que Francis Albert, que nunca foi santo e cansou de esculhambar alma de filha dos outros, já foi corno pelo menos uma vez na vida. Corníssimo. Corno pra mais de metro, vítima do troco que lhe deu uma estrela em cujo coração ele cansou de sapatear. Tão corno, que foi visto certa feita, bêbado, num boteco, rasgando a foto da moça e jogando no chão. Fez pior, Rozaníssimo: um segundo depois, se arrependeu de ter rasgado a imagem da pessoa, se lançou nas quatro patas ítalo-americanas ao chão e catou os pedacinhos da foto.

A moça em questão era Ava Gardner, que teve com nosso herói um tórrido romance público, o mané casado ainda, e comeu o pão que Cole Porter amassou até o sujeito se separar e casar com a mulher já chamada uma vez de o mais lindo “animal” do mundo. Uma cachorrice sem dó do cineasta francês Jean Cocteau – que, claro devia ser da turma canina. Ava chegou a abortar um bebê de Sinatra porque o traste ainda tava casado.

Depois de se estapear alguns anos com A Voz, Ava não lançou blog, mas encheu o saco, deu-lhe um pé no traseiro e se mandou pra Espanha, onde já freqüentava o corpinho dum toureiro. O corno, por sua vez, também não lançou blog, mas botou no mercado uns álbuns com composições densas, doloridésimas. Na verdade, era uma tentativa, que acabou funcionando, de dar uma virada na carreira, que tava mal das pernas - Ava chegou a dar dinheiro pro cachorro comprar presentes pros filhos. Mas quem ouve a interpretação da anta nesses álbuns percebe que ele não fez nenhuma questão de esconder que estava sofrendo horrores. Melhor: a capa de um dos discos, o traste ainda sofrendo igual a um corno, era a fuça dele pintada como palhaço, com uma lágrima estilizada. Ah, coitado.

Ave Ava!

sábado, 5 de janeiro de 2008

Pô, galera, deixa comentário aí! É sábado, tá chovendo paca aqui no Rio, calor infernal, uma coisa banho-Maria (que, aliás, é meu primeiro nome), cadeira cativa do traste a menos de dois metros de mim.

S.O.S. ENQUETE!!!!!!!!!!

Meu público querido, no alto dessa página, à esquerda, tem uma enquete acerca da culpa sobre quem deve recair o fato de bebezinhos fofos crescerem e virarem canalhas enrustidíssimos. Tá ganhando a opção "Das mulheres que caem na arapuca do traste por serem burras, cegas e carentes de marré deci.". E Deus segue na lanterninha, praticamente inocentado, caros infiéis.

Num tô aqui pra manipular resultado de eleição nenhuma, isso aqui é pura boca-de-urna, lembrando que hoje é o último dia do pleito, segundo me informa essa geringonça.

Vamu votar!

Consegui dourar o alho sem chorar!

Acabei esquecendo de contar: a despeito do que escrevi aqui há alguns dias (http://suaexcelenciaocanalha.blogspot.com/2007/12/o-cheiro-do-alho.html), consegui dourar o alho pro almoço com uma boa amiga sem chorar! Só por hoje, só por hoje, só por hoje!

Salmão mutante

Sabadão à tarde, preparando a metade que sobrou dum salmãozão que tinha comprado pra jantar com o traste. Pruma uma boa amiga. No rádio, Mutante, da Rita: "Afinal de contas, dei meu coração, e você pôs na estante, como um troféu, no meio da bugiganga".

Na boa, essa turma de programação de rádio, acho, deve espionar a vida da gente, acordar todo dia e perguntar: "Hmmmmm, quem eu vou sacanear hoje?"

O poste grávido

Estava eu, ontem à noite, na Adega, aqui no Largo do Machado, atracada a minha dor de corno e ao meu bloquinho, anotando idéias pra cá, olhei pra cima e vi a copa das árvores entrelaçadas. Lembrei de Salzburgo, de uma alameda numa das locações de A Noviça Rebelde, que tá na cena em que ela canta Dó-Ré-Mi com as crianças, num parque lá. Quase fui às lágrimas e só não cantei a trilha toda do filme porque tava em público.

Ato-contínuo, olhei pra frente, vi um poste com uma lixeira gorducha, pendurada no bicho. Pensei: "Bem, podia ser muito pior; eu podia estar grávida".

Meu Deus, eu preciso ser interditada! Isso tá passando de todos os limites.

O traste do Bush

Tava aqui pensando. O meu canalhazinho enrustido jogou na minha fuça que esse negócio de pedir em casamento era uma dessas coisas que “se diz por dizer”. Agora, começo a achar que ele perguntou, mesmo, só pra saber.

Aí, lembrei do Bush que, lá pelos idos de 2002, perguntou a ONU, também no estilo só-pra-saber, se podia entubar a guerra no coitado do povo iraquiano. Os nobres representantes das nações do planeta disseram que não, e todo mundo já sabe em que que deu.

A diferença é que o traste do Bush não chamou, que eu saiba, nenhum delegado da ONU de “meu amor” ou, como lhe ficaria mais adequado, de “honey”; não pediu ninguém em casamento. Ponto pro texano.

Aliás, o traste do Bush, eu diria, caberia no grupo de canalhas cuja cretinice deve ser, mesmo, genética. Papai Bush há de ter alguma culpa, no mínimo, por não ter deixado o baby ir à guerra quando era jovem. Cá pra nós, uma bala perdida no Vietnã poderia ter poupado o planeta de muito aborrecimento, mas isso aqui não é blog de política internacional. Claro que agora acabei lembrando do falecido Saddam, que, justiça seja feita, podia ser tudo na vida, menos cachorro enrustido.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

A saudade

Minha mãe contava uma piada quando eu era menina, que só fui entender quando dei, claro – minha mãe tá viva, ela só não conta mais a história.

É assim, ó... A viúva todo dia ia ao cemitério e fazia xixi no túmulo do marido. Um belo dia, o coveiro não resistiu e perguntou o motivo do ritual esquisito.

- Cada um chora por onde sente saudade.

Pois é, voltei do banheiro; lembrei do traste, sobre cujo túmulo ainda não posso repetir o ritual da piada da minha mãe.

Enfim, melhor ir lá embaixo pra ver se dou a sorte de achar uma bala perdida nessa sexta-feira de calor infernal aqui no Rio. Esse quarto e sala tá pequeno demais pra mim e essa saudade ridícula do cão - uma das duas vai ter que cantar pra subir.

O Plantão do SEOC (*) informa: a tampa da privada foi pro sal de vez

Eu já tinha percebido, mas fiz que não era comigo, tão frágil que estava. Quando fiz a gambiarra na tampa da privada, que despencou no meio do cataclisma, e enfiei o parafuso que restava no buraquinho correspondente, vi que o troço estava desgastado e não havia atrito mais. Mas virei a cara, igual a mulher que ignora os sinais de que o príncipe é um canalha, e fui levando a vida, assim, fingindo que tudo estava bem - um velho hábito, devo admitir. Pois a bicha acaba de despencar de vez, o tal do parafuso sumiu, e eu tenho a certeza absoluta de que a culpa é minha. E esse ano que não acaba, meu Deus.

(*) É a sigla pra Sua Excelência, O Canalha. Detesto verdades absolutas, mas é simplesmente impossível fazer caber o nome desse blog num título - quando o leitor acabar de ler o nome todo já nem lembra mais qual é a notícia. Quem acha que eu tô de sacanagem, pensa bem: adivinhe por que "hortifrutigranjeiros" virou "hortifruti" na imprensa?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

“Deus abençoe a senhora”

Fico fazendo piada com Deus e Alá, bem feito pra mim.

Estava eu ontem à noite, na mais absoluta lama (não a que me espera, como diria Augusto dos Anjos, mas a que já me encontrou e não me larga), me aparece um cadeirante mal-humoradíssimo. Encostou na mesa onde eu jantava aqui na Adega, no Largo do Machado, sozinha, e pediu trocado. Devo admitir que respondi que não tinha sem nem me mexer, sabendo que tinha umas moedas no fundo da bolsa, olhar na linha do horizonte. Não, não tinha nenhuma flor festejando mais um dia que vem vindo. Se tivesse, eu pisava em cima.

Mas, enfim, o fofo deve ler pensamento e mandou um “Deus abençoe a senhora”, que, dado o olhar com o qual o ser humano me fuzilou e dado meu coração magoadíssimo, equivaleu a algo como “tomara que ame de novo e tome outro chute, gorda escrota”. Como ele não é o único que me odeia, à essa altura, na região, relevei e continuei à espera da conta sem mencionar nenhum dos adjetivos que me deu vontade de dirigir à pessoa do cadeirante – aliás, palavrinha esquisita essa, que algum gênio inventou a partir da “cadeira de rodas”, mas não tô aqui pra levar bronca politicamente correta, tô muito frágil.

Falar em região, lembro que o traste mora no mesmo bairro. Sério, mesmo, alguém aí tem alguma noção da quantidade de homens maduros que pululam por aqui parecidíssimos com o rapaz que inspirou este blog? Vivo tomando susto desde o cisma. Aliás, alguém aí tem alguma noção da quantidade de homens maduros muito mais interessantes do que o mesmo rapaz? Vivo babando de ódio.

O pior é a Síndrome do Tratado de Tordesilhas, como bem definiu uma amiga. Ando tão descompensada nos últimos dias, que estabeleci pra mim um raio de ação, praticamente um pátio cercado metaforicamente pros meus banhos de sol. Não me aproximo da casa do sujeito de jeito nenhum, e, se ele aparecer aqui na minha área, acho que vou acabar virando alto de página de Polícia, editada por algum amigo. Fumante, acima do peso, vou acabar não conseguindo me evadir e tenho a certeza absoluta de que vou parar nas estatísticas de prisão do Cabral, provalmente, entre os chamados "autos de resistência" - são aqueles registros de ocorrência policial nos quais alguns homens da lei juram que o tiro à queima-roupa na nuca do sujeito foi dado quando ele corria ou atirava na "guarnição".

O que o cadeirante não sabe é que, quando fui abordada por seu mau humor, estava justamente pensando nas últimas duas semanas e num dos talentos que os canalhas enrustidos trazem de fábrica: a capacidade de te fazer supor que você é que é a louca. Simples assim. Eu estava, mesmo, repassando cada frase dita nos últimos quatro meses e no último dia, ao telefone. Igual a repórter que confere anotação de entrevista com algum personagem polêmico, especialmente, quando não grava as declarações que sente que vão parar na primeira página do jornal no dia seguinte.

Acho que é isso, matei na mosca sem nem elaborar muito as idéias: até agora, acho que me sinto como se tivesse de ter gravado tudo o que o cretino me disse nos últimos quatro meses pra, no mínimo, esfregar na lata dele. Não, na boa, tô aqui lembrando o ar mais lavado do mundo, como se eu fosse a anta surda que tivesse confundido tudo. Sério, me ajudem nesse momento difícil: quando o sujeito fala assim, ó, "quero me casar com você", há alguma possibilidade, ainda que mais remota, de haver alguma metáfora nesse troço? Ai, sei lá, a praga não-dita do cadeirante me deixou mal.

Isso tudo me fez lembrar certo ex-governador, casado com certa ex-governadora, que um dia, depois de uma entrevista que deu o que falar no dia seguinte, ligou pro jornal em questão exigindo a cabeça da repórter. Segundo ele, a moça tinha inventado tudo. A pobre só não foi demitida porque tinha a fita com a declaração da anta loquaz.

Meu Deus, como fui dar esse mole?

Ó, então, num momento revisão de procedimentos, muito pessoal, vai avisando aí: posso até dar, descumprindo a primeira resolução de Ano Novo, que também não sou de ferro. Mas eu juro que vou gravar tudo, baixou Juruna.

É, bem... difícil vai ser esconder o gravador na cama, sem nenhum bolso. Mas eu dou meu jeito. Posso, sei lá, esconder num canto qualquer do meu corpinho. Não importa, e, como diria a boa Scarlett O'Hara, a louca do E O Vento Levou..., que também acaba chutada, a coitada, depois, eu penso nisso - ou algo que o valha, que tô com preguiça de ir agora no Google pra encontrar as aspas corretas.

Lágrima de crocodila suada

Eu, aqui, na minha luta contra o vício, só por ontem, quando sentei na cadeira cativa do mané na bancada da cozinha, peguei o jogo americano que comprei em Teerã (*) e era o preferido pro jantar do casal, me servi e sentei. Primeira garfada, surto, chorei, babei, furiosa ainda. Como a outra cadeira é igual à cativa e como não tava afim de jogar a comida fora, o que pude fazer foi trocar o jogo americano. Resolveu.

Hoje, parti pra segunda tentativa, no almoço. Puxei a mesma cadeira, peguei o paninho feito por alguma discípula de Alá, sentei e comecei a comer. Tudo sob controle até eu perceber que me escorria uma inesperada gota salgada no lado esquerdo do rosto.

- Meu Deus, agora eu choro sem nem sentir. – suspirei, derrotadíssima.

Pois é, agora eu acho que gota de suor é lágrima. Pulei no chuveiro imediatamente, com meu novíssimo creme esfoliante, comprado aqui no Largo do Machado – 11 "real".

(*) Só agora me ocorreu: se Alá for um homem de mídia e vir que eu ando chamando aqui paninho tradicional iraniano de “jogo americano”, tô muito lascada. Aliás, falar em Alá, será que tem vaga pra virgem lá no paraíso? Posso dar uma repaginada, trabalhar uma mudança de postura, sei lá.

"Mas isso vai te dar dinheiro, minha filha?"

Quinta-feira de manhãzinha, O GLOBO numa mão, telefone na outra, com o pai mineiro, 84 anos de pura travessura, meio surdo:

- Pai, o manual dos canalhas saiu na coluna do Ancelmo Góis, etc, etc, etc!
- Mas isso vai te dar dinheiro, minha filha?
- Pai, ele é o colunista mais importante do país!
- Hein? Comunista? Iiiiihhh...

Youtubada

Alguém pode, pelo amor de Deus, me explicar como diabos eu boto aqui um vídeo bacana que tem tuuuuuudo a ver, disponível lá no YouTube? Perdi completamente a paciência aqui, quinta-feira de manhãzinha, enquanto escrevo o post novo e acho que vou voltar a chorar até ficar com dó de mim – auto-estima a nível Zero e caindo.

Mas, enfim, pra não perder a viagem, como não tem imagem, só me restam as tais mil palavras (*). Trata-se da música de abertura da Mary Tyler Moore, uma sitcom ambientada em Minnesota, com as trapalhadas de uma turma que trabalhava na Redação de uma TV. Era apaixonada pela série lá pela década de 70 e, como minha vida não pode ser normal, anos depois acabei ganhando uma bolsa nos Estados Unidos de um instituto (World Press Institute) com sede em, adivinhem?, Minnesota. Claro que me atraquei à estátua da moça na praça onde ela joga o chapeuzinho pro alto na abertura e posei pra uma foto. Não, não vou botar a foto aqui porque acho que tudo tem limite.

A letra da musiquinha é ouro puro e não me sai da cabeça desde ontem à noite, quando acordei no meio da madrugada, jurando que alguém tinha feito “psiu” no meu ouvido depois de um pesadelo horroroso com comandante de batalhão, traficantes e meu pai, todo mundo furioso comigo não me lembro mais por que:

Love Is All Around (http://www.youtube.com/watch?v=_-zpGtVtqQk)

How will you make it on your own?
(Como você vai se virar sozinha?)
This world is awfully big, girl, this time you're all alone
(Esse mundo é imenso, garota, dessa vez você está absolutamente sozinha)
But it's time you started living
(Mas já era hora de você começar a viver)
It's time you let someone else do some giving
(Deixar que uma outra pessoa carregue o fardo)

Love is all around, no need to waste it
(O amor está em toda a parte, não o desperdice) N.R.: Ergh!
You can have a town, why don't you take it
(Você pode tomar uma cidade de assalto, por que não tenta?)
You're gonna make it after all
You're gonna make it after all
(Você vai acabar conseguindo no fim das contas)

(*) Deu só umas 390, mas, releva aí, galera, a piada foi super-válida, admitam.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Perfume de mané

A indignação por ter que dividir o planeta com o traste, talvez, não passe nunca. Mas o surto eu acho que tá bem pertinho do fim. Aliás, eu contei que outro dia acordei babando? Pois é.

Ontem, chafurdando a irritação por ter virado o ano triste, mandei mais uns e-mails enfurecidos pro Coisinha Pior, sapateando naquela alma covarde. De lá, nenhuma resposta. Por cá, nenhuma vontade mais de continuar cacarejando ofensas. Acho.

A questão é que hoje fui a Sendas comprar coisitas pra fazer o almoço e o jantar pra mim, mesma, e deverei selar de vez a paz com o fogão. Peguei minha caixinha de ferramentas e consertei o raio da tampa da privada. Tirei da gaveta os originais de um livro que enrolo há dois anos, sobre minhas aventuras em Praga. Comprei uma colônia nova.

Devo ressaltar que gastei exatos 10 reais no perfume novo numa lojinha aqui do Largo do Machado e economizei no ovo pro tal do suflê de queijo, que o dinheiro que eu tenho nesse glorioso 2 de janeiro equivale a fim de mês. Meu Deus, e esse ano que não acaba!

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Os véio e as véia

A pessoa tem 41 anos, toma um chute dum sujeito 22 anos mais velho e lembra do pai. Pau no Freud – com todos os trocadilhos do mundo, por favor.

Fato é que, lá em casa, meu pai sempre chamou minha mãe de “véia”, e ela sempre devolveu com o merecidíssimo “véio”. Plural óbvio, pra mim, fruto da herança do interior de Minas: “os véio”. Quarentona solteira, ascendi na hierarquia familiar recentemente e também passei a ser chamada de “véia”. E dei de querer casar com namorado mais velho. Adivinhem a alcunha do fofo no clã?

- Minha filha, cadê o véio? – minha mãe me perguntou um dia, recém-operada, ainda no hospital, antes do Natal.

- Tá no banheiro. – respondi, treinadíssima, à pergunta que escuto há décadas sobre o paradeiro de meu pai.

- Não, minha filha. O seu. – mandou a gaiata, com sorriso de foto de Sebastião Salgado.

Ah, sim, registro importante é dizer que nenhum dos dois, no fundo, se conformava com a idade do traste. Serei didática.

Cena 1. Eu e minha mãe, ainda recém-operada, em Minas, sentadas na cama deles; meu pai, em pé.

- Minha filha, a gente güenta véio porque envelheceu junto.
- Mãe, se encher meu saco, eu separo, ué.
- Tá certo, minha filha, tá certo. É que, no meu tempo, não tinha disso, não.

Rubrica da autora: o olhar que ela deu pro meu pai e a cara dele de volta, na boa, acho que nem Fellini.

Cena 2, horas depois da cena 1. Eu e meu pai, carregando minha mãe pro banheiro.

Mãe: Minha filha, tô te falando, ficar véio é ruim demais.
Pai: Cê tá vendo o que cê tá arranjando, num tá?

Preciso dizer que os dois quase botaram uma retreta na praça da pacata Visconde do Rio Branco quando contei meu pequeno drama burguês no Natal? Sério, mesmo, em algum momento, achei que eles iam mandar celebrar uma missa em Ação de Graças.

O suflê de queijo

Há algumas verdades absolutas na vida. Uma delas: ou a pessoa enche a fuça de vodca antes da festa de réveillon com amigos queridos ou pinta o cabelo em casa com Wellaton, pra cobrir os fios brancos antes de ir pra tal da festa. Pois é. Fiz os dois, e o resultado imediato foi o banheiro cheio de pintinhas escuras do 40-castanho médio. As manchas também sobraram pro lençol, enquanto eu passava o vestido vermelho estampado da festa na cama – não, eu não tenho tábua de passar roupa há meses, e num tô afim de falar sobre isso.

Gente, tem pingo de 40-castanho médio até na lixeirinha do banheiro. Sei lá, foi pingando, pingando, me absorvendo.

Mas o pior, mesmo, veio depois. O tal do 40-castanho médio também me pintou o braço direito e, embora no último banho do ano tenha esfregado o mesmo com a bucha fashion que tenho aqui no chuveiro, ficaram ainda algumas manchinhas. Fui pra festa, portanto, assim, com o vestido de alcinha, braços nus, certa de que as amigas iriam achar que, não bastando ter sido chutada pelo traste, ainda era vítima de violência doméstica. Fui logo me explicando. Nem todas acreditaram.

Noves fora, nada, um amigo me trouxe em casa depois da festa; eu, me acabando de chorar qual fora... sei lá... qual fora eu, mesma, morta de saudade do traste. Tá faltando metáfora, e ainda não sei se isso é bom ou ruim demais. Fiquei tãããão frágil, que meu amigo subiu pra me botar em casa, segura.

Achei fofo. Tãããão fofo, que, depois de eu servir um chá de camomila pro rapaz, sentado na mesma cadeira-cativa do cachorro na bancada da cozinha, e contar a história de uma meia-dúzia de fotos na parede da minha sala, um de nós (não me lembro, é fato) tascou um beijo na boca do outro.

Não quero quebrar clima aqui, não, mas a parede da minha sala é tudo de bom. Quando reformei o apartamento, descobri um raio duma tinta magnética que permite que você pregue as fotos todas com ímãzinhos na própria parede, e fiz uma faixa horizontal com todas as fotos da minha vida, uma coisa viagens e, discretamente, infância e tal - não se animem, parece que saiu do mercado.

Enfim, virou sucesso de público e crítica porque é bonito e porque algumas tem um quê jornalístico, sabem? – as do Irã são o hit clássico, e, quando ninguém se dá conta de que eu tô na parede enfiada num véu, eu vou falando da viagem ao Oriente Médio, assim, mesmo. Fato é que a pessoa sempre entra e pergunta imediatamente sobre a história de cada foto: “Nossa, você conhece o mundo inteiro”, etc, etc, etc. Já peguei muita gente por conta.

Mas, enfim, voltando ao primeiro beijo na boca do no ano, agora, já início da tarde do dia Primeiro: não sei se agradeço ao amigo querido por ter vindo pra cá enquanto eu rasgava o útero pelo traste ou por ter ido embora na hora certa.

Segunda resolução de Ano Novo? Esse beijo na boca me deu coragem de fazer as pazes com o fogão velho de guerra, abandonado pelo trauma de viver cozinhando pro traste. Não, eu não sei qual a relação, deve ser uma coisa boca-comida-prazer, sei lá. Não importa. O que importa, mesmo, é que, pra começo de conversa, vou fazer logo um mega-suflê pra despachar um dos dois queijos Minas que trouxe da terra dos meus pais depois do Natal e que vão acabar estragando se eu não fizer nada. Por que dois queijos? Porque um era pro traste, claro - já tava encomendado e eu trouxe, assim, mesmo, de raiva.

Também vou cozinhar feijão “vermelhinho” de lá com a lingüiça que meu pai empacotou cuidadosamente depois do Natal e que ficaram abandonadinhas por conta do cisma. Parte dele, claro, vai parar num potinho qualquer e entubado na melhor amiga, que, se não elogiar, vai acabar com o pouco de auto-estima que ainda me resta.

Preciso dizer: se meu pai, mineiro, não tivesse feito nada na vida, e olha que fez demais, embrulhar a lingüiça mineira como ele embrulha hoje, cuidadosamente, pro pacote chegar em segurança depois da viagem de ônibus, já teria valido a existência do rapaz, que hoje tem 84 anos e anda tão pouco feliz quanto eu - minha mãe não anda nada bem. Se bem que ele nunca foi homem de paixões e desenvolveu a estranha mania de me chamar de "aventureira".