Mentira. Não preciso ficar parada, não. Não dá pra escrever o relatório, mas dá pra ir separando material.
Meu Deus, tô ficando multimídia.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
De volta ao batente
Com guaranazinho na fuça, pra ficar acordada, e olho na TV, que vai passar uma coisa que preciso, pra trabalho, ver num canal da NET. Ê, vidão.
Ah, sim
Acabo de me lembrar que não almocei. Sem sacanagem. Esqueci completamente. Só lembrei agora porque me deu fome e achei que tava cedo demais pra jantar. Dã.
Adega já. Fui.
Adega já. Fui.
AAAAAAAAHHHHHHHHHH!!!!!!!!
O telefone não pára, o relatório que tenho que fazer aqui não acaba, como, aliás, uma estratégia de ação também não.
Ah, lembrei, uns pedidos de orçamento que preciso fazer e uma parada burocrática pro meu sitezinho em inglês nem conseguiram entrar na minha agenda hoje.
Socorro!
Vou lá embaixo engolir algo rápido e dar uma respirada, senão enlouqueço.
Ah, lembrei, uns pedidos de orçamento que preciso fazer e uma parada burocrática pro meu sitezinho em inglês nem conseguiram entrar na minha agenda hoje.
Socorro!
Vou lá embaixo engolir algo rápido e dar uma respirada, senão enlouqueço.
Podia ter ventilador com controle remoto, né?
É assim:
O ventilador fica ligado o tempo todo, mesmo com o ar condicionado, por causa do cigarro. Aí, o telefone toca. Como quase sempre falo do meu fixo para celulares, em ligações ruins, o barulho do ventilador acaba interferindo, o que me obriga a levantar e desligar o bicho até acabar a conversa. Encerrado o papo, lá vou eu religar o tal. Como o telefone toca o dia inteiro...
Ninguém falou que virar microempresária em quarto-e-sala no Largo do Machado seria fácil, né? Pois é. Eu sei.
Fui. Mundo despencando aqui.
O ventilador fica ligado o tempo todo, mesmo com o ar condicionado, por causa do cigarro. Aí, o telefone toca. Como quase sempre falo do meu fixo para celulares, em ligações ruins, o barulho do ventilador acaba interferindo, o que me obriga a levantar e desligar o bicho até acabar a conversa. Encerrado o papo, lá vou eu religar o tal. Como o telefone toca o dia inteiro...
Ninguém falou que virar microempresária em quarto-e-sala no Largo do Machado seria fácil, né? Pois é. Eu sei.
Fui. Mundo despencando aqui.
Fui. Babando pelo meu café da manhã de princesa daqui a pouco - pois é, desenvolvi essa mania, pra começar cada dia com, pelo menos, uma coisa boa
A má notícia é só que não acho a porra da minha camiseta do time de futebol americano de Minnessota, camisola oficial há seis anos, quando não tem macho na área, naturalmente, como tem sido o caso há... não, não quero falar nisso.
Culpa de quem, de quem, de quem? Da boa Lourdes, naturalmente, que ou queimou a bicha com o ferro, jogou fora e não me falou ou escondeu em algum canto do armário, hábito que a fofa tem no que diz respeito a certas peças do meu vestuário.
Culpa de quem, de quem, de quem? Da boa Lourdes, naturalmente, que ou queimou a bicha com o ferro, jogou fora e não me falou ou escondeu em algum canto do armário, hábito que a fofa tem no que diz respeito a certas peças do meu vestuário.
Momento orelhão, ficha na fuça
Também acabo de lembrar que sempre adorei meu aniversário. Minha mãe sempre fez festas memoráveis lá em casa e eu, depois que fui morar sozinha, cansei de fazer comemorações históricas. Sábia mãe sempre me disse: "Um dia, cê vai querer esquecer que faz aniversário".
Na boa, por que mães, em geral, têm essa capacidade absurda de prever o futuro dos filhos? Eu já me fiz o favor de arrumar trabalho fora do Rio no dia do meu aniversário este ano (18, semana que vem), e a vontade de de-sa-pa-re-cer pro mundo no dia fatídico (volto ao Rio no fim da tarde) tá tomando proporções incontroláveis.
Portanto, a possibilidade de eu passar os 42 envolta nos meus lençóis novos da promoção da Casa & Vídeo, sozinha, tá começando a tomar corpo. E não pensem que eu vou sofrer, não, juro. Quero só paz, coisa que este ano só começou a me dar agora. E, se eu puder ter essa mesma paz no dia do meu aniversário, tendo ralado o dia inteiro, algum dinheiro no bolso, tanto melhor.
A farra, eu tô guardando pro réveillon, pra me despedir deste ano esquisitão da minha modesta biografia, com livro publicado, defunto enterrado, nomezinhos meu e da minha micríssima empresa consolidados no mercado.
Na boa, por que mães, em geral, têm essa capacidade absurda de prever o futuro dos filhos? Eu já me fiz o favor de arrumar trabalho fora do Rio no dia do meu aniversário este ano (18, semana que vem), e a vontade de de-sa-pa-re-cer pro mundo no dia fatídico (volto ao Rio no fim da tarde) tá tomando proporções incontroláveis.
Portanto, a possibilidade de eu passar os 42 envolta nos meus lençóis novos da promoção da Casa & Vídeo, sozinha, tá começando a tomar corpo. E não pensem que eu vou sofrer, não, juro. Quero só paz, coisa que este ano só começou a me dar agora. E, se eu puder ter essa mesma paz no dia do meu aniversário, tendo ralado o dia inteiro, algum dinheiro no bolso, tanto melhor.
A farra, eu tô guardando pro réveillon, pra me despedir deste ano esquisitão da minha modesta biografia, com livro publicado, defunto enterrado, nomezinhos meu e da minha micríssima empresa consolidados no mercado.
Momento Freud: Universo 7 X 0 Rozaninha
Nada a ver com nada, mas lembrei disto agora. Minha mãe, que me adotou quando eu tinha lá pelos meus três anos e nunca me escondeu isso, decisão acertadíssima - hoje, eu sei -, sempre me falou:
- Você tem a mamãe Lourdes (biológica; xará da minha faxineira; pois é); a mamãe Nilza (ela própria) e a mamãe do céu, que tem o seu nome (sou Maria Rozane e não acho nada legal). Também tem o papai Carlos (biológico e xará do amigo invisível que eu inventei, na cara dura, quando era menina; nem achava que existia, não, inventei, mermo), o papai Nanão (marido da interlocutora, que me deu o Monteiro velho de guerra) e o papai do céu.
Em algum momento da infância, lembro que perguntei a Nanão por que, diabos, eu via a lua de qualquer lugar onde eu estivesse.
- Porque eu mandei ela te vigiar - disse o fofo, como se não houvesse amanhã, pra futura louca.
Na boa, cês não acham que é gente demais a se meter na minha vida? Que inferno. Eu não podia sair boa bisca. Que mania dessa gente, meu Deus.
- Você tem a mamãe Lourdes (biológica; xará da minha faxineira; pois é); a mamãe Nilza (ela própria) e a mamãe do céu, que tem o seu nome (sou Maria Rozane e não acho nada legal). Também tem o papai Carlos (biológico e xará do amigo invisível que eu inventei, na cara dura, quando era menina; nem achava que existia, não, inventei, mermo), o papai Nanão (marido da interlocutora, que me deu o Monteiro velho de guerra) e o papai do céu.
Em algum momento da infância, lembro que perguntei a Nanão por que, diabos, eu via a lua de qualquer lugar onde eu estivesse.
- Porque eu mandei ela te vigiar - disse o fofo, como se não houvesse amanhã, pra futura louca.
Na boa, cês não acham que é gente demais a se meter na minha vida? Que inferno. Eu não podia sair boa bisca. Que mania dessa gente, meu Deus.
Falando em filho: sexo, o que é sexo?
Acho que não tô ligando mais o nome à pessoa. Meu Deus, acabo de lembrar disso: não posso virar o ano no zero-a-zero. Preciso de um plano já.
E não plantei uma árvore e nem tive um filho
O livro, eu já escrevi, tá, foi mal.
Tá, não saiu ainda, eu sei, eu sei. Relevem aí, tô carente.
Tá, não saiu ainda, eu sei, eu sei. Relevem aí, tô carente.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Inacreditável
Cês vão achar que eu tô de sacanagem, que tô querendo insistir na rotina de dor de corno pra manter o blog vivo, que eu invento essas coisas. Mas eu juro que tô, aqui, quieta no raio do meu canto, ralando, purgando meu surto fora de hora, radinho ligado, e a louca da Ana Carolina aparece, depois de sumida uns tempos, a se esgoelar na Pradiso: "Eu não sei paaaaaaraaaaaaaaaaar de te olhaaaaaaar, eu não sei paaaaaaaaaaaaraaaaaaaaar de te olhaaaaaaaaaaaaaar...".
Não, não faz nenhum sentido e há de ter alguma explicação cármica para a relação direta entre minha recaída e essa louca. Eu tenho certeza que a turma da programação da Paradiso anda me monitorando, né possível.
Que inferno, meu Deus.
Não, não faz nenhum sentido e há de ter alguma explicação cármica para a relação direta entre minha recaída e essa louca. Eu tenho certeza que a turma da programação da Paradiso anda me monitorando, né possível.
Que inferno, meu Deus.
Banho tomado, surto amenizado.
E tem mais: eu juro que dou pro primeiro que cruzar minha biografia. Chega desta palhaçada, que, tô, aqui, contando nos dedinhos, e tem quase cinco meses que tomei a mãe de todas as dispensadas. Num tô podendo com tanta recaída. Que inferno, meu Deus.
Triste pra caralho
Perdoem a crueza do título. Mas é só o que me ocorre pra descrever esta minha cara de tatu triste aqui. Acho que foi porque comi uma massinha bacana, levinha, que fiz pro almoço, e não tinha ninguém pra elogiar. Sei lá. Surto, surto, surto. Surtíssimo. E nem me encachaçar eu posso. Trinta milhões de coisas pra fazer, tudo atrasado. Ai.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Tá bão...
... a falta de alguém em casa ou no telefone pra contar como foi meu dia, especialmente, quando deu tudo certo, ainda me irrita. É isso. Falei. Saco. Irritadíssima aqui.
Sei não,...
... mas acho que casei comigo e fiz novo enxoval. Tô bem aqui arrumando meus paninhos novos - lençóis, panos de prato, e até uns pratinhos e uma panela, que esqueci de contar.
Como eu, mesma, já disse aqui: a porra da vida é boa, a gente é que é mala.
Missão: botar a casa E a alma em ordem. De vez.
Como eu, mesma, já disse aqui: a porra da vida é boa, a gente é que é mala.
Missão: botar a casa E a alma em ordem. De vez.
E já que não tem tu,...
... resolvi curar a tristeza fazendo graça na Casa & Vídeo. Lençóis novos, só de raiva, e já tô empacotando aqueles nos quais amantes se davam pra despachar pra boa Lourdes. E nada de tom pastel aqui na minha cama. Agora, tá tudo coloridinho. Sem coraçãozinho, naturalmente - não que eu tivesse algum, mas vi uns lá na loja e babei de irritação. Pronto, desabafei.
Ah, sim, inda comprei uma toalha vermelha e uns paninhos de prato coloridos bem bacanas.
Não, não tô fazendo farra. Me dei um limite pra gastar por semana até o fim do ano, e o surto na Casa & Vídeo tá dentro da previsão, com folga - eles tão com umas promoções sensacionais pra coisinhas de casa. Só vai me obrigar a botar o pé no freio até segunda-feira que vem. Cumpra-se - já nem almocei na rua e sosseguei o facho com o resto do picadinho de ontem.
Ah, sim, inda comprei uma toalha vermelha e uns paninhos de prato coloridos bem bacanas.
Não, não tô fazendo farra. Me dei um limite pra gastar por semana até o fim do ano, e o surto na Casa & Vídeo tá dentro da previsão, com folga - eles tão com umas promoções sensacionais pra coisinhas de casa. Só vai me obrigar a botar o pé no freio até segunda-feira que vem. Cumpra-se - já nem almocei na rua e sosseguei o facho com o resto do picadinho de ontem.
URRRRRRRRÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚ!!!!!!!!!!!!!!!
Não vai dar pra contar aqui, meu povo, mas a reunião de hoje de manhã foi muito melhor, mas muito melhor demais da conta do que eu esperava.
Segundão já começou bem paca, e já tô aqui de papo com a Lourdes, taxeando pra ir almoçar na rua.
Fui.
P.S.: Sim, caguei pro surto de saudade, que, se não passou, tá enfiado num canto qualquer da minha alma, hoje, em festa.
Segundão já começou bem paca, e já tô aqui de papo com a Lourdes, taxeando pra ir almoçar na rua.
Fui.
P.S.: Sim, caguei pro surto de saudade, que, se não passou, tá enfiado num canto qualquer da minha alma, hoje, em festa.
Preciso dizer que acordei atrasada?
Acabando relatório no susto, engolindo café e pão na chapa e voando pra tal da reunião. Acende uma vela aí, meu povo!
Dou notícias depois.
Fui.
Dou notícias depois.
Fui.
Brazilian Day is beautiful
Continuo ralando aqui, TV ligada ainda. Devo dizer que a Banda Eva não precisava ser representante desta nação em Nova York. Mas, tirando o mau humor atávico e o preconceito contra bandas axé em geral, cara, já me emocionei aqui até morrer vendo o mulherio chorando no show do Lulu em Nova York, multidão de "Brazilians" fechando a porra da Sexta Avenida, uma das principais vias urbanas daquela merda daquela ilhazinha.
Meu afilhado querido da dindinha há de me irritar quando aparecer aqui com a ladainha anti-imperialista de sempre. Caguei.
A questão é que este coraçãozinho que sofre aqui de dor de corno e surto de saudade de quem cujo nome não ouso repetir já bem morou fora do país por um ano. E lembrei que, quando se mete num avião de mala e cuia, a gente começa a ter desejos esquisitos, igual a grávida, do tipo comer goiabada, farofa, acarajé (e olha que não como camarão) e beber mate, guaraná e suco de caju, além de querer falar português, nem que seja sozinha. Devo admitir que levei uns livros, entre eles, o resumo da obra do Fernando Pessoa, que cansei de ficar lendo em voz alta, sozinha, só pra lembrar que ainda podia falar potuguês.
Mesmo desejo esquisito fez minha mãezinha me mandar um pacote de dois quilos de farinha pelo correio, que quase foi parar na Polícia Federal tcheca por ser um pó branco vindo da América do Sul - é sério, sem sacanagem, levei dias e dias pra retirar o bicho no Correio de lá.
Claro que amigo americano meu nenhum passou da primeira colherada no jantar de Natal. Acharam a farofa uma merda, e eu quase deprimi. Só não me entristeci muito porque adoraram meu feijão, coisa que tinha lá em Praga, e eu dei meu jeito de dar um toque brasileiro ao prato, com alho dourado na panela, lingüicinha tcheca cozida à la feijoada e sei lá mais o que que enfiei na panela.
Vendo essa porra desse show na TV e a mulherada chorando, me lembrei imediatamente de um dia, lá em Praga, que tinha um festival de cultura latina ou algo que o valha e ouvi de longe um batuque brasileiro numa praça qualquer de lá, grudada na escola onde eu dava aula de inglês, pertinho de casa, pra lá do Rio Vltava, que divide a cidade em dois.
Era um bloco. Simples assim. Blocão desfilando por uma rua qualquer de Praga. Sonzaço, o que me fez achar que eram brasileiros perdidos por lá. Ledo engano. Eram tchecos tocando tamborim e pandeiro, coisa que tinham aprendido ouvindo CDs brasileiros. Lágrima foi descendo. Só não pude passar a mão na lata pra enxugar o par de olhos que ainda tenho e só funcionam com os óculos fashion porque os braços estavam ocupados com bolsa, câmera, bloco e caneta e a muleta. Pois é. Muleta, que tinha comprado numa promoção bacana no hospital que tinha me atendido há uns dias. A propósito, alguém aí já foi parar em hospital público tcheco, onde ninguém fala inglês e, ainda assim, tenta explicar o resultado do raio X com gestos? Pelo menos, eles conseguiram me informar que não tinha quebrado e que era "só" uma torção grave.
Explicando melhor. Tinha acabado de ter uma torção horrorosa no pé direito nos adoráveis paralelepípedos históricos de Praga com um sapato novo, que não percebi porque não doeu na mesma hora, e que piorou porque passei o dia trabalhando e tinha a estranha mania de sentar na sala de aula sentada sobre o tal do pé direito, na mesa de professora. Sem sacanagem, em algum momento, o pé inchou igual a desenho animado, imediatamente virou uma bola no extremo da minha perna direita enquanto eu conversava com a diretora da escola, e graças a Deus que ela viu que eu tava muito na merda.
Resumindo, fiquei 10 dias sem trabalhar, muleta em punho num apartamento cheio de degraus (era subsolo, bacana, mas subsolo); fiquei com um rombo no orçamento porque não tinha grana pra pagar o seguro de saúde pra estrangeiros e banquei tudo no esquema da saúde privada de lá, sem poder fazer dinheiro dando aula; e, de quebra, no dia em que deu merda e o pé inchou paca, passei pela deliciosa experiência de fazer um passeio de ambulância tcheca, com sirene gritando, porque os caras acharam lindo ter uma paciente brasileira - na viagem, tentavam, em tcheco, me entrevistar pra preencher a ficha de atendimento. Era um serviço particular, que tive que pagar, e os caras tiveram que, literalmente, ir lá em casa me carregar porque, a certa altura, eu não conseguia mais me movimentar, muito menos subir os degruas todos que separavam meu apê da portaria porque o raio do pé tava absurdamente inchado e doía demais.
Alguém aí - especialmente colegas jornalistas - já tentou entrevistar alguém, anotando coisas num bloco, tirando foto E se esgueirando numa muleta, pé inchadão?
Meu afilhado querido da dindinha há de me irritar quando aparecer aqui com a ladainha anti-imperialista de sempre. Caguei.
A questão é que este coraçãozinho que sofre aqui de dor de corno e surto de saudade de quem cujo nome não ouso repetir já bem morou fora do país por um ano. E lembrei que, quando se mete num avião de mala e cuia, a gente começa a ter desejos esquisitos, igual a grávida, do tipo comer goiabada, farofa, acarajé (e olha que não como camarão) e beber mate, guaraná e suco de caju, além de querer falar português, nem que seja sozinha. Devo admitir que levei uns livros, entre eles, o resumo da obra do Fernando Pessoa, que cansei de ficar lendo em voz alta, sozinha, só pra lembrar que ainda podia falar potuguês.
Mesmo desejo esquisito fez minha mãezinha me mandar um pacote de dois quilos de farinha pelo correio, que quase foi parar na Polícia Federal tcheca por ser um pó branco vindo da América do Sul - é sério, sem sacanagem, levei dias e dias pra retirar o bicho no Correio de lá.
Claro que amigo americano meu nenhum passou da primeira colherada no jantar de Natal. Acharam a farofa uma merda, e eu quase deprimi. Só não me entristeci muito porque adoraram meu feijão, coisa que tinha lá em Praga, e eu dei meu jeito de dar um toque brasileiro ao prato, com alho dourado na panela, lingüicinha tcheca cozida à la feijoada e sei lá mais o que que enfiei na panela.
Vendo essa porra desse show na TV e a mulherada chorando, me lembrei imediatamente de um dia, lá em Praga, que tinha um festival de cultura latina ou algo que o valha e ouvi de longe um batuque brasileiro numa praça qualquer de lá, grudada na escola onde eu dava aula de inglês, pertinho de casa, pra lá do Rio Vltava, que divide a cidade em dois.
Era um bloco. Simples assim. Blocão desfilando por uma rua qualquer de Praga. Sonzaço, o que me fez achar que eram brasileiros perdidos por lá. Ledo engano. Eram tchecos tocando tamborim e pandeiro, coisa que tinham aprendido ouvindo CDs brasileiros. Lágrima foi descendo. Só não pude passar a mão na lata pra enxugar o par de olhos que ainda tenho e só funcionam com os óculos fashion porque os braços estavam ocupados com bolsa, câmera, bloco e caneta e a muleta. Pois é. Muleta, que tinha comprado numa promoção bacana no hospital que tinha me atendido há uns dias. A propósito, alguém aí já foi parar em hospital público tcheco, onde ninguém fala inglês e, ainda assim, tenta explicar o resultado do raio X com gestos? Pelo menos, eles conseguiram me informar que não tinha quebrado e que era "só" uma torção grave.
Explicando melhor. Tinha acabado de ter uma torção horrorosa no pé direito nos adoráveis paralelepípedos históricos de Praga com um sapato novo, que não percebi porque não doeu na mesma hora, e que piorou porque passei o dia trabalhando e tinha a estranha mania de sentar na sala de aula sentada sobre o tal do pé direito, na mesa de professora. Sem sacanagem, em algum momento, o pé inchou igual a desenho animado, imediatamente virou uma bola no extremo da minha perna direita enquanto eu conversava com a diretora da escola, e graças a Deus que ela viu que eu tava muito na merda.
Resumindo, fiquei 10 dias sem trabalhar, muleta em punho num apartamento cheio de degraus (era subsolo, bacana, mas subsolo); fiquei com um rombo no orçamento porque não tinha grana pra pagar o seguro de saúde pra estrangeiros e banquei tudo no esquema da saúde privada de lá, sem poder fazer dinheiro dando aula; e, de quebra, no dia em que deu merda e o pé inchou paca, passei pela deliciosa experiência de fazer um passeio de ambulância tcheca, com sirene gritando, porque os caras acharam lindo ter uma paciente brasileira - na viagem, tentavam, em tcheco, me entrevistar pra preencher a ficha de atendimento. Era um serviço particular, que tive que pagar, e os caras tiveram que, literalmente, ir lá em casa me carregar porque, a certa altura, eu não conseguia mais me movimentar, muito menos subir os degruas todos que separavam meu apê da portaria porque o raio do pé tava absurdamente inchado e doía demais.
Alguém aí - especialmente colegas jornalistas - já tentou entrevistar alguém, anotando coisas num bloco, tirando foto E se esgueirando numa muleta, pé inchadão?
domingo, 7 de setembro de 2008
Ralando mais um pouquinho depois do jantar. Eu e o Brasil contra o Chile
Devo informar à coletividade que, além de detestar futebol, costumo ser pé-frio. TV ligada só pra quebrar esta absurda solidão que me abateu neste domingão.
Não, o surto de saudade ainda não passou
Ao menos, não derramei lágrima, que fique registrado. Eu juro. Quero ver o Cesar Maia mortinho se eu estiver mentindo.
Picadinho no Largo
Não, trabalho não tá rendendo. Até retocar as unhas eu já retoquei, de tanta falta de vontade de trabalhar. Aliás, descobri que não sou tão péssima manicure quanto eu achava e acabei dando meu jeito pra ficar bonitona prum compromisso amanhã. Falar em amanhã, vou acabar tendo que madrugar pra dar uma trabalhada ainda antes da tal da reunião, às 10h. A propósito, acende uma vela, aí, meu povo, a tal é mega-hiper-blaster-importante e pode fazer toda a diferença no futuro desta modesta empresária.
Fogão, já. Rola uma fome. Pãozinho de alho já descongelado, vou pilotar o fogão.
Me voy. Por ora.
Fogão, já. Rola uma fome. Pãozinho de alho já descongelado, vou pilotar o fogão.
Me voy. Por ora.
Alguém, por favor, me enfia a mão na fuça e grita no meu ouvido que o muso deste blog NÃO merece nenhum surto de saudade! Coisa mais fora de hora
Claro que só falo isso aqui porque tenho a certeza absoluta de que ele, um ser superior, não lê esta minha pequena obra de arte popular, meio de comunicação ultracontemporâneo das massas.
Culpa da amiga do almoço na Colombo do Forte: ficamos falando da vida; das derrotas relacionadas a machos em geral; sonhei com o ser; acordei assim, surtada.
Culpa também de bom Nanão Monteiro, com quem falei agora, no telefone. Anda preocupadíssimo porque acha que tô trabalhando demais, e acabou ouvindo da doce filha:
- Pai, eu não tenho namorado e não tenho, rigorosamente, nada pra fazer a não ser trabalhar. Pelo menos não penso em merda e ainda ganho dinheiro.
Eu não estou bem certa, mas tenho a sensação de que Nanão deve se ressentir da falta de manual de instruções para crianças disponíveis para adoção lá pelo finzinho da década de 60.
Culpa da amiga do almoço na Colombo do Forte: ficamos falando da vida; das derrotas relacionadas a machos em geral; sonhei com o ser; acordei assim, surtada.
Culpa também de bom Nanão Monteiro, com quem falei agora, no telefone. Anda preocupadíssimo porque acha que tô trabalhando demais, e acabou ouvindo da doce filha:
- Pai, eu não tenho namorado e não tenho, rigorosamente, nada pra fazer a não ser trabalhar. Pelo menos não penso em merda e ainda ganho dinheiro.
Eu não estou bem certa, mas tenho a sensação de que Nanão deve se ressentir da falta de manual de instruções para crianças disponíveis para adoção lá pelo finzinho da década de 60.
Ladies and gentlemen, please welcome Mr. Jack Johnson: "Upside down" ("De cabeça pra baixo")
Cara, eu persigo esta música há séculos. Sempre toca na rádio, e eu nunca consegui descobrir de quem era. Hoje, corri pra anotar uns trechos da letra e já catei no Youtube. A letra é uma graça, e o clipe é fofo. Mau humor matinal já enterrado, apesar de um absurdo surto de saudade daquele cujo nome não ouso pronunciar mais. Patético. Acho que vou jogar os telefones todos na privada antes que eu faça alguma merda.
Fora isso, preguiça de fazer almoço, me fiz um espetacular brunch, com pão na chapa no meu ixpetacular grill novo e suquinho de morango, iogurte, etc e tal. Agora, estou entre tomar a decisão política sensata de trabalhar e enfiar a fuça na cama prum cochilo no ar condicionado. Dou notícias. Fui.
Fora isso, preguiça de fazer almoço, me fiz um espetacular brunch, com pão na chapa no meu ixpetacular grill novo e suquinho de morango, iogurte, etc e tal. Agora, estou entre tomar a decisão política sensata de trabalhar e enfiar a fuça na cama prum cochilo no ar condicionado. Dou notícias. Fui.
Canja já no lixo
Não precisei nem esperar descongelar. Dei um sopapo no pote, enfiei a canja congelada, mesmo, num saco e já despachei.
Domingão promete.
Domingão promete.
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