sexta-feira, 31 de julho de 2009
Ralando muito, meu povo!!!!
Daqui a pouco, eu volto com calma, eu juro.
Novidade? Nenhuma. Foi mal.
Se bem que, dada a minha capacidade de me meter em confusão, não haver novidade não é de todo ruim.
Fui.
Novidade? Nenhuma. Foi mal.
Se bem que, dada a minha capacidade de me meter em confusão, não haver novidade não é de todo ruim.
Fui.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Desculpem, mas não resisto; é mais forte que eu
Na virada de 2007 pra 2008, eu ainda babando de ódio por conta do chutaralhaço que tinha levado e que originou esta pequena obra de arte, postei aqui uma única resolução de ano novo, que adapto pro semestre novo:
Segundo semestre de 2009: Não dou, não dou e não dou
Dada a dramaticidade desses últimos dias de julho, só tenho uma resolução de Semestre Novo: não dou, não dou e não dou. Se o Dalai Lama e o Padre Marcelo podem viver sem sexo, eu também posso. Um vive rindo, o outro vive cantando, não há de ser de todo ruim.
Cumpra-se
Segundo semestre de 2009: Não dou, não dou e não dou
Dada a dramaticidade desses últimos dias de julho, só tenho uma resolução de Semestre Novo: não dou, não dou e não dou. Se o Dalai Lama e o Padre Marcelo podem viver sem sexo, eu também posso. Um vive rindo, o outro vive cantando, não há de ser de todo ruim.
Cumpra-se
Tava aqui pensando III
Acaba de me ocorrer. Considerando minha vontade ainda de enfiar a mão na fuça da anta e considerando que o palhaço vive aqui na Adega do Largo do Machado, onde, aliás, nos conhecemos, já tô eu de novo refém do Tratado de Tordesilhas metafórico, tendo que limitar meu direito de ir e vir por uns tempos pra não correr o risco de me aborrecer ainda mais.
Não acredito nisso.
Me enfezei de vez agora.
Fui.
P.S.: Pra quem tá chegando agora, a anta à qual me refiro agora nada tem a ver com o muso deste blog. É só o meu chamado dedo podre pra escolher machos em geral. E, desta vez, pra piorar, a percepção de que deixei um doido de pedra entrar na minha vida no momento em que acabo de perder minha mãe tá me tirando do sério. Ao menos, desta vez, ninguém machucou ninguém, foi só aporrinhação, mesmo. Coração intacto, que, afinal de contas, eu tenho coisa de verdade pra me fazer sofrer este ano.
Não acredito nisso.
Me enfezei de vez agora.
Fui.
P.S.: Pra quem tá chegando agora, a anta à qual me refiro agora nada tem a ver com o muso deste blog. É só o meu chamado dedo podre pra escolher machos em geral. E, desta vez, pra piorar, a percepção de que deixei um doido de pedra entrar na minha vida no momento em que acabo de perder minha mãe tá me tirando do sério. Ao menos, desta vez, ninguém machucou ninguém, foi só aporrinhação, mesmo. Coração intacto, que, afinal de contas, eu tenho coisa de verdade pra me fazer sofrer este ano.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Tava aqui pensando II
Se o novo traste merece um livro pela fuça? Pensei em botar isso numa enquete aqui, mas a chance de eu ser eleita a anta-mor da minha própria biografia, pela reincidência no quesito se-fuder-toda, confesso, me assusta.
Também, vamu combinar, esse ser de agora só conseguiu me fazer babar de indignação, de tanta insensibilidade: nunca prometeu sonho romântico nenhum; nunca me chamou de "meu amor"; nem viramos namorados, na verdade. Que ache outra pra encher o saco e saia de vez do meu caminho.
Também, vamu combinar, esse ser de agora só conseguiu me fazer babar de indignação, de tanta insensibilidade: nunca prometeu sonho romântico nenhum; nunca me chamou de "meu amor"; nem viramos namorados, na verdade. Que ache outra pra encher o saco e saia de vez do meu caminho.
Até esqueci
No meio da confusão toda do último mês, acabei emagrecendo. A travação da garganta também não tem me deixado comer direito.
P.S.: Tudo bem, vai ser Pollyanna assim lá na p... Enfim...
P.S.: Tudo bem, vai ser Pollyanna assim lá na p... Enfim...
Tava aqui pensando I
Às vezes, eu acho que o fato de este ano está sendo imensamente pior do que 2008 só pode ter sido castigo divino: fiquei praguejando contra 2008, me fudi muito, mas muito mais mesmo. Pronto, falei. Tô há semanas pensando nisso. Pra piorar, depois de uma semana de merda, purgando todo o babado da minha mãe, desenvolvi uma estranha sensação de mudez, mal conseguindo falar com as pessoas, meio rouca, meio travada, às vezes, simplesmente, a voz não sai, esquisitíssimo. Acho que, na verdade, ainda não chorei tudo, sei lá. Ainda tem muito aqui pra chorar, só que, à certa altura, acho que eu entupi.
E, não, o evento com o cretino no domingo ainda não me desceu; a gritaria só serviu pra fazer tudo ficar muito pior. Na boa, eu tô doida ou alguém falar "e daí que sua morreu só tem um mês?" é passar de todos os limites? E justo quando eu só queria um almoço em paz.
Enfim... Caminha já, que preciso ralar muito pra correr atrás do prejuízo por ter perdido o chão nos últimos dias. Longa história, vou poupá-los aqui, que é tudo muito dramático demais. Só posso jurar que, ao que parece, eu vou sobreviver.
Me fui.
E, não, o evento com o cretino no domingo ainda não me desceu; a gritaria só serviu pra fazer tudo ficar muito pior. Na boa, eu tô doida ou alguém falar "e daí que sua morreu só tem um mês?" é passar de todos os limites? E justo quando eu só queria um almoço em paz.
Enfim... Caminha já, que preciso ralar muito pra correr atrás do prejuízo por ter perdido o chão nos últimos dias. Longa história, vou poupá-los aqui, que é tudo muito dramático demais. Só posso jurar que, ao que parece, eu vou sobreviver.
Me fui.
E assim lá se foi outro traste
Interior do carro da anta, que já tinha passado o almoço do domingão reclamando da minha cara de tatu triste.
- Você tá muito nervosinha, toda estressada, com essa cara.
- Cara, deixa eu ficar triste, meu Deus. Amanhã, tá fazendo um mês que minha mãe morreu.
- E daí, e daí? Isso é essa novelinha que você resolveu inventar...
- Hein?
- É isso, mesmo, tá fazendo um mês, e daí?
- Para essa merda! Você é muito grosso!
- Sou mesmo. Isso, vai embora, sai daqui!
E saí, batendo a porta com toda a força do mundo, carregando minha pilha de jornais, que tava no banco de trás do carro. Passada, pretérita, chocada, absurdada com a capacidade do cretino de sapatear na alma humana num momento desses.
Na boa. Tô quase ligando pro muso desta pequena obra de arte só pra dar a ele o prazer de saber que eu continuo me fudendo. Num tô nada bem.
Aliás, num tô, mesmo, depois de voltar babando de ódio pra casa, ontem, tive uma noite de merda, fumei igual a uma louca, despachei dois torpedos avassaladores pro débil mental malcriado, acordei tossindo igual a uma porca gripada.
Vou ralar.
- Você tá muito nervosinha, toda estressada, com essa cara.
- Cara, deixa eu ficar triste, meu Deus. Amanhã, tá fazendo um mês que minha mãe morreu.
- E daí, e daí? Isso é essa novelinha que você resolveu inventar...
- Hein?
- É isso, mesmo, tá fazendo um mês, e daí?
- Para essa merda! Você é muito grosso!
- Sou mesmo. Isso, vai embora, sai daqui!
E saí, batendo a porta com toda a força do mundo, carregando minha pilha de jornais, que tava no banco de trás do carro. Passada, pretérita, chocada, absurdada com a capacidade do cretino de sapatear na alma humana num momento desses.
Na boa. Tô quase ligando pro muso desta pequena obra de arte só pra dar a ele o prazer de saber que eu continuo me fudendo. Num tô nada bem.
Aliás, num tô, mesmo, depois de voltar babando de ódio pra casa, ontem, tive uma noite de merda, fumei igual a uma louca, despachei dois torpedos avassaladores pro débil mental malcriado, acordei tossindo igual a uma porca gripada.
Vou ralar.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Cumpra-se
O tal do ser não frequenta mais meu corpo e nem há de: cansei de tomar patada.
Totalmente concentrada em trabalho, apagando 30 incêndios por conta de atraso de trabalho. Tá foda. Fui. Vou ralar.
Totalmente concentrada em trabalho, apagando 30 incêndios por conta de atraso de trabalho. Tá foda. Fui. Vou ralar.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
De volta à vida besta
Bem fiquei aqui, esperando pra ver se dava a sorte de achar uma bala perdida no Largo e acabar com esta tristeza toda. Não dei e tenho, agora, um milhão de coisas pra botar em dia, fora os telefones todos do cafofo que resolveram enlouquecer, celular incluído: dei um tombo no fofo, rachei o visor, o bicho mórreu pro mundo. Quanto aos fixos, o sem fio não carrega mais por nada desse mundo, o outro tá com mau contato.
Ah, sim, o ser humano do sexo oposto que anda frequentando este corpo acaba de me ligar pra dizer que tá em casa, na preguiça:
- Vamu pra rua hoje, pô! - implorei, com o coração cheio de pecado, de volta à lida.
- Eu não, vou ficar vendo TV. Não tem nada melhor que ver desenho animado aqui, sozinho, no escurinho.
Pois é. Vou ralar.
Ah, sim, o ser humano do sexo oposto que anda frequentando este corpo acaba de me ligar pra dizer que tá em casa, na preguiça:
- Vamu pra rua hoje, pô! - implorei, com o coração cheio de pecado, de volta à lida.
- Eu não, vou ficar vendo TV. Não tem nada melhor que ver desenho animado aqui, sozinho, no escurinho.
Pois é. Vou ralar.
terça-feira, 7 de julho de 2009
The show must go on
Meu povo, voltei. A razão do sumiço é uma só, não dá pra contar com meio termo: minha mãezinha querida morreu no dia 27, depois de uma longa agonia, na pacata Visconde do Rio Branco, interior de Minas.
Claro que andei ao contrário, já me acabei de chorar, já torci a alma, já entubei o tal do inexorável, já botei a vida em outra perspectiva, etc, etc, etc. No mais, vai ter mais lançamento do livro, em Niterói, dia 11 de agosto, vou ralando meu coco aqui nesta vidinha de free lancer, vou aprendendo a viver com esta dor nova.
Pra minha véia, boto aqui o texto que li na missa de sétimo dia dela, lá em Minas.
No início da década de 40, o escritor franco-argelino Albert Camus publicou O Estrangeiro. Logo no início do livro, o personagem central da trama, Meursault, dá o tom do que seria o romance: "Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem." Na época, Camus ainda era existencialista, uma gente estranha.
Eu, que sempre fui uma romântica incorrigível e nunca consegui ser existencialista, sei bem quando minha mãe querida partiu. Foi há exatamente uma semana, lá por volta das duas e meia da tarde, aqui em Rio Branco.
E há exatamente uma semana tenho passado os dias entre chorar, refletir e acordar esbaforida no meio da noite depois de sonhos angustiantes. O pior deles: num salão escuro, com poltronas, uma mulher qualquer guardava coisas numa caixa enorme, como quem prepara mudança; Eu perguntei: "O que que houve?"; resposta: "É que a Nilza do Cinema morreu. Não vai ter mais filme." Minha mãe gerenciou o único cinema da cidade por quase uma década.
Foi também durante esta semana que hesitei em abrir um pote de doce de leite, depois do almoço: "Isso vai me doer. Doce é coisa que Dona Nilza não dispensava por nada desse mundo". Imediatamente, eu jurei que não comeria o tal do doce. Também jurei, estupidamente, que não faria mais nada que me fizesse lembrar de minha mãe e que pudesse me matar de dor. O problema é que também lembrei que, se eu fosse parar de fazer tudo o que me lembraria minha mãe, teria que parar de amar, de sorrir, de ajudar o próximo, de gritar diante de alguma injustiça, de viver, enfim.
Comi o doce e parei de bobagem, lembrando que esta semana também me inundou de inesquecíveis lembranças do ser humano que fez desta moleca a mulher que sou hoje. E foi com elas que decidi ficar, até que minha própria morte chegue, sem nem me importar mais com a moça do sonho que me disse que não ia mais ter filme. No meu cinema da Nilza, a matinée não vai acabar nunca.
Foi Dona Nilza quem passou uma tarde inteira tentando explicar a um olheiro do Flamengo que "aquele menino que joga um bolão, aquele, ali" era uma menina; sua filha de oito anos, aliás. Foi Dona Nilza quem tentou explicar no pronto-socorro que a filha de nove anos tinha acabado de rachar o dedo mindinho do pé direito porque tentava imitar o Gene Kelly dentro do quarto. Foi Dona Nilza quem me disse – eu lá com meus 11 anos – que ficar mocinha não era a pior coisa do mundo.
Foi Dona Nilza que, depois de um estrondoso barulho de vidro quebrado durante uma festa, segurou a mão de alguém e disse "eu tenho certeza de que foi a Rozane. Só me diz se ela está viva". Acertou na mosca: com uns 13 ou 14 anos, eu tinha acabado de cair dentro de um aquário gigante, abandonado no quintal da casa; mas sobrevivi sem um arranhão, sabe Deus como.
Foi Dona Nilza quem me mostrou ser possível dedicar uma vida inteira ao amor incondicional a um homem, meu pai querido, aqui presente, graças a Deus. Foi Dona Nilza que, quando me apaixonei pela primeira vez, lá pelos meus nove anos, me explicou que o mundo não ia acabar só porque o rapaz não me amava. Foi também ela que, quando me apaixonei pela última vez, há uns dois anos, me explicou, de novo, que o mundo não ia acabar só porque o rapaz não me amava. De novo.
Foi Dona Nilza quem passou a vida me dizendo que a existência de Deus sempre independerá dos meus surtos de falta de fé.
Foi Dona Nilza quem imprimiu na minha alma, no último sábado, o significado absoluto da palavra saudade.
Descanse em paz, minha mãe querida.
Claro que andei ao contrário, já me acabei de chorar, já torci a alma, já entubei o tal do inexorável, já botei a vida em outra perspectiva, etc, etc, etc. No mais, vai ter mais lançamento do livro, em Niterói, dia 11 de agosto, vou ralando meu coco aqui nesta vidinha de free lancer, vou aprendendo a viver com esta dor nova.
Pra minha véia, boto aqui o texto que li na missa de sétimo dia dela, lá em Minas.
No início da década de 40, o escritor franco-argelino Albert Camus publicou O Estrangeiro. Logo no início do livro, o personagem central da trama, Meursault, dá o tom do que seria o romance: "Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem." Na época, Camus ainda era existencialista, uma gente estranha.
Eu, que sempre fui uma romântica incorrigível e nunca consegui ser existencialista, sei bem quando minha mãe querida partiu. Foi há exatamente uma semana, lá por volta das duas e meia da tarde, aqui em Rio Branco.
E há exatamente uma semana tenho passado os dias entre chorar, refletir e acordar esbaforida no meio da noite depois de sonhos angustiantes. O pior deles: num salão escuro, com poltronas, uma mulher qualquer guardava coisas numa caixa enorme, como quem prepara mudança; Eu perguntei: "O que que houve?"; resposta: "É que a Nilza do Cinema morreu. Não vai ter mais filme." Minha mãe gerenciou o único cinema da cidade por quase uma década.
Foi também durante esta semana que hesitei em abrir um pote de doce de leite, depois do almoço: "Isso vai me doer. Doce é coisa que Dona Nilza não dispensava por nada desse mundo". Imediatamente, eu jurei que não comeria o tal do doce. Também jurei, estupidamente, que não faria mais nada que me fizesse lembrar de minha mãe e que pudesse me matar de dor. O problema é que também lembrei que, se eu fosse parar de fazer tudo o que me lembraria minha mãe, teria que parar de amar, de sorrir, de ajudar o próximo, de gritar diante de alguma injustiça, de viver, enfim.
Comi o doce e parei de bobagem, lembrando que esta semana também me inundou de inesquecíveis lembranças do ser humano que fez desta moleca a mulher que sou hoje. E foi com elas que decidi ficar, até que minha própria morte chegue, sem nem me importar mais com a moça do sonho que me disse que não ia mais ter filme. No meu cinema da Nilza, a matinée não vai acabar nunca.
Foi Dona Nilza quem passou uma tarde inteira tentando explicar a um olheiro do Flamengo que "aquele menino que joga um bolão, aquele, ali" era uma menina; sua filha de oito anos, aliás. Foi Dona Nilza quem tentou explicar no pronto-socorro que a filha de nove anos tinha acabado de rachar o dedo mindinho do pé direito porque tentava imitar o Gene Kelly dentro do quarto. Foi Dona Nilza quem me disse – eu lá com meus 11 anos – que ficar mocinha não era a pior coisa do mundo.
Foi Dona Nilza que, depois de um estrondoso barulho de vidro quebrado durante uma festa, segurou a mão de alguém e disse "eu tenho certeza de que foi a Rozane. Só me diz se ela está viva". Acertou na mosca: com uns 13 ou 14 anos, eu tinha acabado de cair dentro de um aquário gigante, abandonado no quintal da casa; mas sobrevivi sem um arranhão, sabe Deus como.
Foi Dona Nilza quem me mostrou ser possível dedicar uma vida inteira ao amor incondicional a um homem, meu pai querido, aqui presente, graças a Deus. Foi Dona Nilza que, quando me apaixonei pela primeira vez, lá pelos meus nove anos, me explicou que o mundo não ia acabar só porque o rapaz não me amava. Foi também ela que, quando me apaixonei pela última vez, há uns dois anos, me explicou, de novo, que o mundo não ia acabar só porque o rapaz não me amava. De novo.
Foi Dona Nilza quem passou a vida me dizendo que a existência de Deus sempre independerá dos meus surtos de falta de fé.
Foi Dona Nilza quem imprimiu na minha alma, no último sábado, o significado absoluto da palavra saudade.
Descanse em paz, minha mãe querida.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Ato falho
Ih, tô tão em estado de negação completo depois da confusão na Adega, que até esqueci que hoje é Dia dos Namorados.
Caguei.
Que fique registrado.
Caguei.
Que fique registrado.
O texto do meu chute no fofo na Adega
- Um amigo meu me ligou pra tomar chope hoje, falei que ia sair contigo, ele falou "larga essa mocreia e vem pra cá".
- Mocreia é a puta que te pariu.
- Foi ele que falou, porra. Puta que o pariu você.
- Foda-se.
- Tá muito nervosinha. Saco - me cutucando, no ombro, me sacudindo, puto da vida.
- Tu é muito grosso, sabia? Cansei. Chega. Preciso de um amigo, tu não é; quero cafuné, tu não me dá; quero colo, tu não me dá; quero pau, tu também não me dá. Vá pra puta que o pariu - isso, eu já em pé, depois de ter mandado suspender o pastel de queijo que tinha pedido, saída teatral à esquerda, com os jornais embaixo do braço, que sou moça culta.
Fato é que as patadas do fofo e a mania de achar que os pobrema dele são os maiores do mundo e os meus são todos bobagem encheram o raio do meu saco. Ah, sim, a completa falta de libido porque tá tristão com o fato de o mundo ser uma merda, nesta vida "sem sentido", segundo o fofo, também não ajudou. Ih, lembrei, a cada vez que falava pra ele que minha vida tá uma merda porque minha mãe tá toda doentinha em Minas, caos total, tomei esporro porque a mãe dele, afinal, morreu de repente, sem aviso prévio, e que isso, sim, era foda.
Foi isso. Resumindo, foi isso. Passou.
Cama já, que vou pra Minas amanhã de manhã cedo.
- Mocreia é a puta que te pariu.
- Foi ele que falou, porra. Puta que o pariu você.
- Foda-se.
- Tá muito nervosinha. Saco - me cutucando, no ombro, me sacudindo, puto da vida.
- Tu é muito grosso, sabia? Cansei. Chega. Preciso de um amigo, tu não é; quero cafuné, tu não me dá; quero colo, tu não me dá; quero pau, tu também não me dá. Vá pra puta que o pariu - isso, eu já em pé, depois de ter mandado suspender o pastel de queijo que tinha pedido, saída teatral à esquerda, com os jornais embaixo do braço, que sou moça culta.
Fato é que as patadas do fofo e a mania de achar que os pobrema dele são os maiores do mundo e os meus são todos bobagem encheram o raio do meu saco. Ah, sim, a completa falta de libido porque tá tristão com o fato de o mundo ser uma merda, nesta vida "sem sentido", segundo o fofo, também não ajudou. Ih, lembrei, a cada vez que falava pra ele que minha vida tá uma merda porque minha mãe tá toda doentinha em Minas, caos total, tomei esporro porque a mãe dele, afinal, morreu de repente, sem aviso prévio, e que isso, sim, era foda.
Foi isso. Resumindo, foi isso. Passou.
Cama já, que vou pra Minas amanhã de manhã cedo.
Sua Excelência, a Anta
Tava bem mais ou menos namorandinho, transformando um trastezinho malcriado e grosso paca no meu mais novo principezinho. Aí, tomei tanta patada, que enchi o saco, dei um ataque na Adega de sempre com o fofo e mandei pro pré-sal, aos berros.
Certo arrependimento e certa saudade, devo admitir.
Certo arrependimento e certa saudade, devo admitir.
domingo, 31 de maio de 2009
Meu pai, agora foi Fafá cantando "por que me arrasto a seus pés?..."
Tudo bem que já não me arrasto aos pés do traste-mór há mais de ano. Mas me causou certa indignação assim mesmo e pronto.
Agora, sim, fui. Antes que volte do intervalo e recomece a festa do Rei. Aliás, eu nem sei se já acabou. O moço aqui que confere as passagens me parou aqui pra me falar de como a mãezinha dele também tá doente, etc, etc, etc. Aaaaaaaaargh.
Tudo bem que já não me arrasto aos pés do traste-mór há mais de ano. Mas me causou certa indignação assim mesmo e pronto.
Agora, sim, fui. Antes que volte do intervalo e recomece a festa do Rei. Aliás, eu nem sei se já acabou. O moço aqui que confere as passagens me parou aqui pra me falar de como a mãezinha dele também tá doente, etc, etc, etc. Aaaaaaaaargh.
Cês vão achar que eu tô de sacanagem
Tô bem aqui, na rodoviária de Visconde de Rio Branco, com o laptop ligado, depois de um fim de semana de sempre, tristão, com minha mãezinha, atualizando o blog, agora, com meu mini-modem bacana, mais muderna do que estava num certo Natal de 2008, quando escuto certa voz conhecida na TV do Paulinho, o dono do bar aqui.
Ele, o próprio, o dono da trilha sonora de sempre desta pequena obra de arte, comemorando 50 anos de reinado neste país, com a mulherada cantando os maiores sucessos. Que medo, meu Deus.
Ainda não cantou "Como é grande meu amor por você", mas já bem fui sacaneada pelo Paulinho, o dono do bar que testemunhou aquela noite maldita em que eu babava de ódio aqui e comecei este blog - "tá lembrando, né?" -, e já bem tomei na fuça "se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi..."
Fui. Muito.
Ele, o próprio, o dono da trilha sonora de sempre desta pequena obra de arte, comemorando 50 anos de reinado neste país, com a mulherada cantando os maiores sucessos. Que medo, meu Deus.
Ainda não cantou "Como é grande meu amor por você", mas já bem fui sacaneada pelo Paulinho, o dono do bar que testemunhou aquela noite maldita em que eu babava de ódio aqui e comecei este blog - "tá lembrando, né?" -, e já bem tomei na fuça "se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi..."
Fui. Muito.
O jovem cachorro e o barrilzinho de cachaça voador
A história, quem ia contar na mesa da Adega do Largo do Machado era uma amiga minha, "comparsa" do jovem cachorro há anos. A alcunha foi dada pelo próprio fofo, o que, claro, faz minha amiga babar de indignação; uma indignação inócua, naturalmente. Mas, a certa altura, resolvemos que o melhor seria, mesmo, o próprio contar o babado, ocorrido quando o doce trastezinho não tinha nem 30 anos, se não me engano, com riqueza de detalhes, cabisbaixo, olhar do gato do Shrek II, dublado pelo Banderas, na fuça, assustadoramente sedutor.
Foi mais ou menos assim a saga do moço de, hoje, seus 30 e poucos anos:
- Então, a gente já tinha até marcado data pra casar, assinar papel e tudo. Aí, de repente, eu me vi na cama dela, deitadão, só de cueca, e comecei a pensar "o que que eu tô fazendo aqui? Aí, esperei ela dormir, fui no closet, e peguei uma pilha de camisas, umas roupas. Era um apezinho superlegal, a cama ficava numa espécie de mezzanino... Pois é, aí, quando eu tava descendo a escada, ela acordou e perguntou "gatinho, o que você tá fazendo?". Respondi, cara, "meu amor, tô indo nessa".
A partir daí, eu assumo a narrativa, pra resumir. A moça convenceu o fofo a voltar, dormir e pensar no assunto, com calma, no dia seguinte. Ele concordou e voltou. E repetiu a cena, depois que a pobre, finalmente, dormiu de novo. A moça acordou de novo, interrompendo o plano de fuga do ser, que, mais uma vez, voltou pra cama. E, um milhão de coroas tchecas pra quem adivinhar o que aconteceu: pela terceira vez, o jovem cachorro tentou fugir e, claro, foi novamente flagrado. Só que, dessa vez, por uma fêmea babando de ódio, transtornada. Volto ao relato do protagonista:
- Cara, ela tava com os olhos arregalados, ficou maior que eu, arrancou as roupas da minha mão e jogou tudo pela janela. Absurdo, cara, absurdo. Aí, eu olhei pra ela e peguei a primeira coisa que vi e também joguei pela janela. Aí, ela ficou furiosa só por-que eu joguei pela janela um microsystenzinho dela. Só por isso, ela pegou meu laptop, cara, meu laptop. Eu gritava "o laptop, não, o laptop, nãããããão". Mas não teve jeito, ela conseguiu tirar da minha mão e acertou direitinho o buraco da janela.
Volto a resumir. A essa altura, a pancadaria continuou, e já tinha vidro quebrado no sofá (!?!), sobre o qual nosso herói acabou caindo sentado. De cueca, figurino com o qual tentou sair em desabalada carreira pela porta. Trancada. A moça não queria vê-lo pintado a ouro, mas também cismou de não querer deixar a anta sair de casa. Corre pra lá, corre pra cá, nosso Macunaíma conseguiu por a porta, literalmente, abaixo e correr pra portaria pra tentar alcançar a bicicleta e fugir pra casa da mãe, num bairro próximo ao local do crime. De novo, nosso herói:
- Cara, eu cheguei na portaria, o porteiro já tava enlouquecido, atendendo aos vizinhos, naquela central antiguinha de interfone, todo mundo perguntando o que tava acontecendo. O cara perguntou "meu filho, você tá bem?" Falei "tô, sim, cara, só quero minha bicicleta".
Assim foi feito. Foi de cueca, traseiro sangrando, saindo do prédio, com a bike, quando viu "uns três ou quatro mendigos" com as roupas dele na mão, medindo no corpo, pra ver se servia. Diz ele que ainda teve forças pra arrancar tudo da mão dos caras e sair, catando cavaco, pedalando, segundos antes do gran finale. Depois que conseguiu sair, ele jura que ainda choveu um barrilzinho de madeira - "o barrilzinho que eu usava pra guardar cachaça, cara" -, varejado pela janela pela outrora doce namorada, que acertou o guidão da bicicleta e empenou o veículo utilizado na desabalada carreira pra casa da mãe. No dia seguinte, foram mais de cinco pontos no traseiro, se não me falha a memória.
Nunca mais se viram, certo? Claro que já se viram e claro que a vontade que dá é, como diz minha mãezinha mineira, "dar com o gato morto nos dois até o gato miar".
Foi mais ou menos assim a saga do moço de, hoje, seus 30 e poucos anos:
- Então, a gente já tinha até marcado data pra casar, assinar papel e tudo. Aí, de repente, eu me vi na cama dela, deitadão, só de cueca, e comecei a pensar "o que que eu tô fazendo aqui? Aí, esperei ela dormir, fui no closet, e peguei uma pilha de camisas, umas roupas. Era um apezinho superlegal, a cama ficava numa espécie de mezzanino... Pois é, aí, quando eu tava descendo a escada, ela acordou e perguntou "gatinho, o que você tá fazendo?". Respondi, cara, "meu amor, tô indo nessa".
A partir daí, eu assumo a narrativa, pra resumir. A moça convenceu o fofo a voltar, dormir e pensar no assunto, com calma, no dia seguinte. Ele concordou e voltou. E repetiu a cena, depois que a pobre, finalmente, dormiu de novo. A moça acordou de novo, interrompendo o plano de fuga do ser, que, mais uma vez, voltou pra cama. E, um milhão de coroas tchecas pra quem adivinhar o que aconteceu: pela terceira vez, o jovem cachorro tentou fugir e, claro, foi novamente flagrado. Só que, dessa vez, por uma fêmea babando de ódio, transtornada. Volto ao relato do protagonista:
- Cara, ela tava com os olhos arregalados, ficou maior que eu, arrancou as roupas da minha mão e jogou tudo pela janela. Absurdo, cara, absurdo. Aí, eu olhei pra ela e peguei a primeira coisa que vi e também joguei pela janela. Aí, ela ficou furiosa só por-que eu joguei pela janela um microsystenzinho dela. Só por isso, ela pegou meu laptop, cara, meu laptop. Eu gritava "o laptop, não, o laptop, nãããããão". Mas não teve jeito, ela conseguiu tirar da minha mão e acertou direitinho o buraco da janela.
Volto a resumir. A essa altura, a pancadaria continuou, e já tinha vidro quebrado no sofá (!?!), sobre o qual nosso herói acabou caindo sentado. De cueca, figurino com o qual tentou sair em desabalada carreira pela porta. Trancada. A moça não queria vê-lo pintado a ouro, mas também cismou de não querer deixar a anta sair de casa. Corre pra lá, corre pra cá, nosso Macunaíma conseguiu por a porta, literalmente, abaixo e correr pra portaria pra tentar alcançar a bicicleta e fugir pra casa da mãe, num bairro próximo ao local do crime. De novo, nosso herói:
- Cara, eu cheguei na portaria, o porteiro já tava enlouquecido, atendendo aos vizinhos, naquela central antiguinha de interfone, todo mundo perguntando o que tava acontecendo. O cara perguntou "meu filho, você tá bem?" Falei "tô, sim, cara, só quero minha bicicleta".
Assim foi feito. Foi de cueca, traseiro sangrando, saindo do prédio, com a bike, quando viu "uns três ou quatro mendigos" com as roupas dele na mão, medindo no corpo, pra ver se servia. Diz ele que ainda teve forças pra arrancar tudo da mão dos caras e sair, catando cavaco, pedalando, segundos antes do gran finale. Depois que conseguiu sair, ele jura que ainda choveu um barrilzinho de madeira - "o barrilzinho que eu usava pra guardar cachaça, cara" -, varejado pela janela pela outrora doce namorada, que acertou o guidão da bicicleta e empenou o veículo utilizado na desabalada carreira pra casa da mãe. No dia seguinte, foram mais de cinco pontos no traseiro, se não me falha a memória.
Nunca mais se viram, certo? Claro que já se viram e claro que a vontade que dá é, como diz minha mãezinha mineira, "dar com o gato morto nos dois até o gato miar".
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Ih, já ia esquecendo
Vai ter mais lançamento do Sua Excelência... Aqui no Largo do Machado, numa florista (pois é), e na Câmara de Vereadores de Niterói, onde passei boa parte da vida.
Deve ser no início de julho, mas as datas ainda vão ser fechadas.
Deve ser no início de julho, mas as datas ainda vão ser fechadas.
Enquanto isso, na Sala de Justiça...
... ouvi anteontem uma história de canalha sen-sa-cio-nal, que quase me levou a ligar pro muso desta pequena obra de arte e pedir mil desculpas por ter sido tããããããããããão cruel com o fofo, chamando de "Sua Excelência..." Detalhe, ouvi a história do próprio cachorro, meu mais novo amgo de infância, amigão de uma amiga, numa mesa da Adega aqui no Largo. Quase babei de vontade de chamar a Suipa.
Só não conto agora porque a história é comprida, demanda certo tempo pra relatar os detalhes todos, e eu tô na merda aqui trabalhando, correndo pra consertar a cagada de ter abandonado um trabalho importante.
Amanhã, eu conto. Fui.
Só não conto agora porque a história é comprida, demanda certo tempo pra relatar os detalhes todos, e eu tô na merda aqui trabalhando, correndo pra consertar a cagada de ter abandonado um trabalho importante.
Amanhã, eu conto. Fui.
Bem feito: quem mandou eu não nascer marciana?
Fui nascer no estranho planeta Terra, comandado, segundo os homens e mulheres de fé, por deus (Drummond também escrevia "Deus" com letra minúscula, tá?), vou me danando existência afora. E a vida sobre esta parte do Sistema Solar vai perdendo o sentido a cada segundo.
Mas, desta vez, vou preferir não me lamuriar. Vou preferir celebrar a vida, enquanto eu puder. Mesmo babando de ódio, dor e indignação. Resumindo muito o babado, ando às turras com deus porque o mané resolveu que minha mãe tem que fazer o caminho do céu. Ela está viva, mas muito, muito doentinha, mesmo. Vou poupá-los dos detalhes todos, até porque nem eu consigo verbalizar direito ainda. O meu sumiço aqui foi porque passei as últimas duas semanas em choque, em total estado de negação, dando meu jeito de ir a Minas o máximo de vezes que eu puder - só não me mando de mala e cuia porque preciso trabalhar aqui, preciso fazer dinheiro, simples assim. Fato é que, tivesse eu alguma fé nesta alma, não saberia o que pedir exatamente.
Noves fora nada, dei uma pirada básica, quase perdi um trabalho por absoluta incapacidade de me concentrar em um milhão de coisas ao mesmo tempo e vou me recompondo aos trancos e barrancos, tentando preparar a alma, distraindo o cérebro com trabalho, agora, já retomado de verdade. Aí, acordo eu nesta gloriosa sexta-feira, tocando a vida, me preparando pra ir pra Minas amanhã pra fazer cafuné na minha véia, tomo na fuça, hoje de manhã, a notícia da morte de um amigo.
Marcelo Nóbrega. Jornalista, foi editor de Tecnologia e Internacional no JB, que foi onde a gente trabalhou junto. Trinta e poucos anos. Casado há 10, planejava o primeiro filho com a mulher pra daqui a pouco. Só que não deu tempo: o bichinho teve um infarto fulminante esta madrugada, morreu em casa e deixou a galera toda passada, pretérita, absurdada, enjoada desta vida de meu deus, todo mundo jurando que vai se ver semana que vem porque puta-que-o-pariu-a-gente-fica-sem-ver-as-pessoas-por-conta-de-trabalho-e-dá-uma-merda-dessas.
Passei um dia infernal, com a fuça no trabalho, em casa, porque não tive nenhuma condição de ir pro escritório, babando de raiva da lógica do Criador e de uma tristeza imensa. O engraçado é que agora, no fim do dia, depois de entubar a morte do Nóbrega, passados os estágios da negação e da ira, vou sendo tomada por uma estranha vontade de ficar viva demais, sem viadagem, sem babar por dor pequena, diante da percepção de que, de repente, a porra da vida vai embora, sem aviso prévio, sem telegrama, sem spot no rádio, sem reunião de pauta, sem briefing. Agora, só penso na família dele (pai, mãe, irmãos e mulher), que, a essa altura, ainda tá tentando fazer o velório começar no São João Batista - atrasou tudo demais por algum motivo que ainda desconheço, e parece que só vai começar depois das 23h. Não vou. Simplesmente não consigo. É informação demais pra minha cabeça. Até porque o povo tá combinando de ir pro cemitério amanhã de manhã, que é quando eu já tenho passagem marcada, de ônibus, pra Minas. Amarguei certa culpa, mas já "bati papo" longuíssimo com o manezinho, daqui, mesmo, do Largo, e o peito deu certa apaziguada.
Não, eu não sei como a morte do Nóbrega acabou me botando pra trabalhar. Fuga? Claro. Mas também tenho a sensação de que a desgraceira toda acabou virando recado dos céus (com letra minúscula também, que ainda tô muito puta) pra esta escritora mané.
Cumpra-se.
Mas, desta vez, vou preferir não me lamuriar. Vou preferir celebrar a vida, enquanto eu puder. Mesmo babando de ódio, dor e indignação. Resumindo muito o babado, ando às turras com deus porque o mané resolveu que minha mãe tem que fazer o caminho do céu. Ela está viva, mas muito, muito doentinha, mesmo. Vou poupá-los dos detalhes todos, até porque nem eu consigo verbalizar direito ainda. O meu sumiço aqui foi porque passei as últimas duas semanas em choque, em total estado de negação, dando meu jeito de ir a Minas o máximo de vezes que eu puder - só não me mando de mala e cuia porque preciso trabalhar aqui, preciso fazer dinheiro, simples assim. Fato é que, tivesse eu alguma fé nesta alma, não saberia o que pedir exatamente.
Noves fora nada, dei uma pirada básica, quase perdi um trabalho por absoluta incapacidade de me concentrar em um milhão de coisas ao mesmo tempo e vou me recompondo aos trancos e barrancos, tentando preparar a alma, distraindo o cérebro com trabalho, agora, já retomado de verdade. Aí, acordo eu nesta gloriosa sexta-feira, tocando a vida, me preparando pra ir pra Minas amanhã pra fazer cafuné na minha véia, tomo na fuça, hoje de manhã, a notícia da morte de um amigo.
Marcelo Nóbrega. Jornalista, foi editor de Tecnologia e Internacional no JB, que foi onde a gente trabalhou junto. Trinta e poucos anos. Casado há 10, planejava o primeiro filho com a mulher pra daqui a pouco. Só que não deu tempo: o bichinho teve um infarto fulminante esta madrugada, morreu em casa e deixou a galera toda passada, pretérita, absurdada, enjoada desta vida de meu deus, todo mundo jurando que vai se ver semana que vem porque puta-que-o-pariu-a-gente-fica-sem-ver-as-pessoas-por-conta-de-trabalho-e-dá-uma-merda-dessas.
Passei um dia infernal, com a fuça no trabalho, em casa, porque não tive nenhuma condição de ir pro escritório, babando de raiva da lógica do Criador e de uma tristeza imensa. O engraçado é que agora, no fim do dia, depois de entubar a morte do Nóbrega, passados os estágios da negação e da ira, vou sendo tomada por uma estranha vontade de ficar viva demais, sem viadagem, sem babar por dor pequena, diante da percepção de que, de repente, a porra da vida vai embora, sem aviso prévio, sem telegrama, sem spot no rádio, sem reunião de pauta, sem briefing. Agora, só penso na família dele (pai, mãe, irmãos e mulher), que, a essa altura, ainda tá tentando fazer o velório começar no São João Batista - atrasou tudo demais por algum motivo que ainda desconheço, e parece que só vai começar depois das 23h. Não vou. Simplesmente não consigo. É informação demais pra minha cabeça. Até porque o povo tá combinando de ir pro cemitério amanhã de manhã, que é quando eu já tenho passagem marcada, de ônibus, pra Minas. Amarguei certa culpa, mas já "bati papo" longuíssimo com o manezinho, daqui, mesmo, do Largo, e o peito deu certa apaziguada.
Não, eu não sei como a morte do Nóbrega acabou me botando pra trabalhar. Fuga? Claro. Mas também tenho a sensação de que a desgraceira toda acabou virando recado dos céus (com letra minúscula também, que ainda tô muito puta) pra esta escritora mané.
Cumpra-se.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Acabei esquecendo
No meio do caos familiar, um site bacana de jornalistas-escritores publicou um conto meu, que tinha mandado pra lá há um tempo. Tá lá: http://segundaasexta.com.br/2009/05/09/uma-menina/
Segundo boatos, ainda vivo
Claro que vou logo me explicando. O sumiço foi por conta da última viagem a Minas, onde vi minha mãezinha doente demais da conta, demais de doer. Claro que a cabeça deu um nó, a ficha caiu, o coração derreteu, e passei os últimos dias passando a vida inteira na cabeça, arrancando força do útero pra ir tocando a vida aqui no Largo; tentando não enfiar a mão na fuça de cada parente e amigo que foi visitar minha véia querida e repetiu que Deus sabe o que faz. Ãrrã, ãrrã, ãrrã: tô até agora pensando nas coisas que o Homem faria se não soubesse o que faz. Não, eu não vou sugerir Deus pra muso do Sua Excelência, o Canalha, que isso, como sabemos, dá um azar da porra.
Bem feito pra mim: passei 2008 inteiro praguejando contra o universo por conta de uma dor que me tirou do prumo no ano passado e que agora parece aquele braço dormente que, às vezes, incomoda a gente.
É isso. Resumindo, é isso. Vou pra cama, que amanhã é dia longo de trabalho, e o fim de semana é de viagem pra Minas, como serão quase todos os fins de semana a partir de agora até Deus, Aquele que "sabe o que faz", sabe quando.
Bem feito pra mim: passei 2008 inteiro praguejando contra o universo por conta de uma dor que me tirou do prumo no ano passado e que agora parece aquele braço dormente que, às vezes, incomoda a gente.
É isso. Resumindo, é isso. Vou pra cama, que amanhã é dia longo de trabalho, e o fim de semana é de viagem pra Minas, como serão quase todos os fins de semana a partir de agora até Deus, Aquele que "sabe o que faz", sabe quando.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Sei lá o que dizer
Me danando toda aqui pra acabar um trabalho até sexta, prestes a embarcar pra Minas pra passar o Dia das Mães no hospital com minha mãezinha, tive nem coragem de chorar ainda. Tem só uma porra dum nó na garganta que não passa de jeito nenhum.
Mas vou poupá-los, que não tenho nem muito o que contar mais. Inté, meu povo.
Mas vou poupá-los, que não tenho nem muito o que contar mais. Inté, meu povo.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Tudo errado, tudo errado, tudo errado
Dia de trabalho maluco, pepino de banco ainda por resolver por conta do roubo da bolsa, mãe de 86 anos no hospital em Minas, solidão da moléstia.
Tá foda, meu povo, tá foda.
Vou nessa, que o senso de humor foi pro pré-sal.
Tá foda, meu povo, tá foda.
Vou nessa, que o senso de humor foi pro pré-sal.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Meu Deus, cadê eu?
Sabe quando você acorda com a percepção de que boa parte - aliás, quase a totalidade - dos seus sonhos e planos de vida não estão nem perto de virar verdade?
Sabe quando a gente vai inventariando todos os machos que passaram pela nossa modesta biografia e percebe que nenhum vale uma citação de rodapé de livro?
Sabe quando o coração tá vazio, o coitado, e não há nem um alvo por quem se apaixonar só pra ir passando o tempo?
Sabe quando a gente tem uma reunião às 9h30 na Gávea, são quase 8h30, e a gente acha que faz o maior sentido do mundo ficar desabafando num blog?
Pois é. Saco.
Sabe quando a gente vai inventariando todos os machos que passaram pela nossa modesta biografia e percebe que nenhum vale uma citação de rodapé de livro?
Sabe quando o coração tá vazio, o coitado, e não há nem um alvo por quem se apaixonar só pra ir passando o tempo?
Sabe quando a gente tem uma reunião às 9h30 na Gávea, são quase 8h30, e a gente acha que faz o maior sentido do mundo ficar desabafando num blog?
Pois é. Saco.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Plantão de Polícia VII - Grand finalle
- Posso ir embora?
- Pode.
- Valeu. Bom plantão, aí.
- Ah, ó, da próxima vez que ficar com fome de madrugada, pede pro cara entregar o sanduíche.
- Pode.
- Valeu. Bom plantão, aí.
- Ah, ó, da próxima vez que ficar com fome de madrugada, pede pro cara entregar o sanduíche.
Plantão de Polícia VI - Briga de colega
Outro policial chega pro plantão, diz algo que não ouvi pro meu puliça amigo, que fica puto, levanta e vai atrás do colega, babando de ódio. Necessário explicar que, enquanto eu fazia meu registro, um guarda municipal chegou com um sujeito com cara de bandidinho da área e teve que esperar até o paiaço acabar meu B.O. No fim das contas, entendi que o outro tinha insinuado que o guarda municipal tava esperando porque meu amigão tava enrolando. Meu companheiro servidor, aos berros:
- Quando eles chegaram, eu já tava atendendo essa senhora (eu, no caso).
O cara:
- Não falei nada.
O injustiçado:
- Não falou, mas pensou. Pensou, que eu sei. (...) Minha avó era mãe-de-santo, eu estudei essas paradas e agora eu leio pensamento, tá?
- Quando eles chegaram, eu já tava atendendo essa senhora (eu, no caso).
O cara:
- Não falei nada.
O injustiçado:
- Não falou, mas pensou. Pensou, que eu sei. (...) Minha avó era mãe-de-santo, eu estudei essas paradas e agora eu leio pensamento, tá?
Plantão de Polícia V - Casal marrento
Casal chega pra saber se o carro tinha sido rebocado. A mesma mocinha do balcão:
- Tudo bem. Placa?
- Não sei, não...
- Como assim?
- É um carro de empresa. Só que eu deixei o documento dentro do carro e não lembro a placa. Hoje é feriado, não tem ninguém lá, e não consigo descobrir a placa.
- Aí, fica difícil.
Lá pelas tantas, a mocinha sai do balcão, puta da vida, e chama outro policial pra ajudar. Eu só escuto ela sussurrar algo como "o cara fica cartando, cheio de marra". Ato contínuo, o meu policial amigo começa a resmungar, docemente, coisas como "tem gente que vem aqui e acha que policial é merda, esquece que aqui tem gente formada, porra" e "vai chupar uma pomba pra ver se vira rola".
O outro policial entra em cena.
- O que que houve, amigo?
- Etc, etc, etc...
- Assim não dá. A gente não pode fazer nada. O único jeito é ir lá no depósito da Benedito Hipólito e pedir o favor de alguém deixar você ver se o carro tá lá, ok? Boa tarde.
E despachou o casal, com uma educação que minha mãe chamaria de "tapa com luva de pelica". Só depois que os dois saíram, é que soubemos que a palhaça da mulé, em algum momento, diante das perguntas da mocinha do balcão, que tentava ajudar a anta, mandou pro companheiro "você não tem que dar satisfação". Conclusão do grupo de servidores públicos, que babava de ódio do babaca, verbalizada pelo policial que despachou a dupla:
- Como assim "não tem que dar satisfação"? Vem aqui e "não tem que dar satisfação"? Aqui, a gente é pago pra isso: se não der satisfação, a gente toma.
- Tudo bem. Placa?
- Não sei, não...
- Como assim?
- É um carro de empresa. Só que eu deixei o documento dentro do carro e não lembro a placa. Hoje é feriado, não tem ninguém lá, e não consigo descobrir a placa.
- Aí, fica difícil.
Lá pelas tantas, a mocinha sai do balcão, puta da vida, e chama outro policial pra ajudar. Eu só escuto ela sussurrar algo como "o cara fica cartando, cheio de marra". Ato contínuo, o meu policial amigo começa a resmungar, docemente, coisas como "tem gente que vem aqui e acha que policial é merda, esquece que aqui tem gente formada, porra" e "vai chupar uma pomba pra ver se vira rola".
O outro policial entra em cena.
- O que que houve, amigo?
- Etc, etc, etc...
- Assim não dá. A gente não pode fazer nada. O único jeito é ir lá no depósito da Benedito Hipólito e pedir o favor de alguém deixar você ver se o carro tá lá, ok? Boa tarde.
E despachou o casal, com uma educação que minha mãe chamaria de "tapa com luva de pelica". Só depois que os dois saíram, é que soubemos que a palhaça da mulé, em algum momento, diante das perguntas da mocinha do balcão, que tentava ajudar a anta, mandou pro companheiro "você não tem que dar satisfação". Conclusão do grupo de servidores públicos, que babava de ódio do babaca, verbalizada pelo policial que despachou a dupla:
- Como assim "não tem que dar satisfação"? Vem aqui e "não tem que dar satisfação"? Aqui, a gente é pago pra isso: se não der satisfação, a gente toma.
Plantão de Polícia IV - Vítima 171
- Tá bom, vamu lá. (...) Endereço comercial?
- Rua Tal, número 171. Sem gozação, por favor.
- Tu tá de sacanagem?
- Eu juro que o número é esse.
- Tá bom, vamu lá, ô, 171..., ô, desculpe...
- Tudo bem, eu mereço.
- Rua Tal, número 171. Sem gozação, por favor.
- Tu tá de sacanagem?
- Eu juro que o número é esse.
- Tá bom, vamu lá, ô, 171..., ô, desculpe...
- Tudo bem, eu mereço.
Plantão de Polícia III - Culpa do Senna
Na TV do plantão, uma matéria especial dos 15 anos da morte do Senna. Policial paiaço, pra mocinha do balcão do plantão:
- Cara, tem 15 anos. Fulana, ela joga isso na minha cara até hoje. E olha que ela virou sapatão.
Eu, curiosa:
- Hein? Que papo é esse?
- Cara, uma vez, a gente ia prum motel, só que, aí, o Senna morreu, eu fiquei tristão e não fui. Ela ficou puta comigo.
- Por isso que ela virou sapatão, mané.
- Não, não foi isso, não. Eu, uma vez, pedi pra ela transar com uma mulher pra eu ver, ela gostou mais do que de homem. Agora, só quer mulher. Mas, até hoje, ela me fala que eu sou o único homem que ela ainda tem vontade de dar. Mas, sei lá, ela ficou muito macha. Fica falando "minha mulé" pra cá, "minha mulé" pra lá. Acho esquisitão.
Eu, pra mocinha do balcão:
- Vem cá, eu preciso ficar escutando essa bobajada?
- Ele é assim, mesmo.
Ele:
- Ela sabe tudo da minha vida. Conto tudo aqui. Aliás, eu conto tudo pra ver se ela sai comigo, mas não tem jeito. Fica falando que eu sou casado.
- Vem cá, se não parar essa sacanagem, eu vou pra 10ª DP (Botafogo).
- Cara, tem 15 anos. Fulana, ela joga isso na minha cara até hoje. E olha que ela virou sapatão.
Eu, curiosa:
- Hein? Que papo é esse?
- Cara, uma vez, a gente ia prum motel, só que, aí, o Senna morreu, eu fiquei tristão e não fui. Ela ficou puta comigo.
- Por isso que ela virou sapatão, mané.
- Não, não foi isso, não. Eu, uma vez, pedi pra ela transar com uma mulher pra eu ver, ela gostou mais do que de homem. Agora, só quer mulher. Mas, até hoje, ela me fala que eu sou o único homem que ela ainda tem vontade de dar. Mas, sei lá, ela ficou muito macha. Fica falando "minha mulé" pra cá, "minha mulé" pra lá. Acho esquisitão.
Eu, pra mocinha do balcão:
- Vem cá, eu preciso ficar escutando essa bobajada?
- Ele é assim, mesmo.
Ele:
- Ela sabe tudo da minha vida. Conto tudo aqui. Aliás, eu conto tudo pra ver se ela sai comigo, mas não tem jeito. Fica falando que eu sou casado.
- Vem cá, se não parar essa sacanagem, eu vou pra 10ª DP (Botafogo).
Plantão de Polícia II - Moita Bonita
- Então, tá, então. O que que houve com a senhora?
- Dei mole num trailler do Largo do Machado, me levaram a bolsa com todos os documentos.
- Tá bom. Vamos registrar. (...) A senhora nasceu no Rio?
- Não, em Sergipe.
- Qual cidade?
- Malhador.
Policial gaiato cata a lista de municípios de Sergipe.
- Ih, sabia que tem uma cidade lá chamada Malhada dos Bois?
- Não.
- Juro. Olha aqui - vira o monitor do computador pra mim.
- Ainda bem que não nasci lá.
- Ih, tem uma que chama Moita Bonita. Sem sacanagem. Cê (já éramos amigos de infância) pode nem ter nascido lá, mas que deve ter sido feita na Moita, ah, deve.
- Vem cá, será que dá pra parar de me sacanear?
- Dei mole num trailler do Largo do Machado, me levaram a bolsa com todos os documentos.
- Tá bom. Vamos registrar. (...) A senhora nasceu no Rio?
- Não, em Sergipe.
- Qual cidade?
- Malhador.
Policial gaiato cata a lista de municípios de Sergipe.
- Ih, sabia que tem uma cidade lá chamada Malhada dos Bois?
- Não.
- Juro. Olha aqui - vira o monitor do computador pra mim.
- Ainda bem que não nasci lá.
- Ih, tem uma que chama Moita Bonita. Sem sacanagem. Cê (já éramos amigos de infância) pode nem ter nascido lá, mas que deve ter sido feita na Moita, ah, deve.
- Vem cá, será que dá pra parar de me sacanear?
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